quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Homilia dominical - 18 de novembro de 2012

                       Um novo dia
 
Estamos no penúltimo domingo do Ano Litúrgico.
A Liturgia nos fala do fim do mundo e da sua história.
É um convite à ESPERANÇA:
O Deus Libertador vai mudar a noite do mundo
numa aurora de vida sem fim.

As Leituras bíblicas, numa linguagem apocalíptica,
nos estimulam a descobrir, os sinais desse mundo novo,
que está nascendo das cinzas do reino do mal.

A Linguagem apocalíptica é um modo alternativo de falar,
bem compreendido pelo povo de então.
- Usa imagens fortes e misteriosas, cheias de elementos simbólicos.
  Mas o importante não são as imagens, mas o conteúdo que querem revelar.
- Não pretende adivinhar o futuro, mas falar da realidade atual do povo.
- Não pretende assustar, mas animar o povo em momentos difíceis.

Na 1a leitura, encontramos o Apocalipse de Daniel. (Dn 12,1-3)

O Povo judeu se encontrava oprimido sob a dominação dos gregos.
Muitos judeus, apavorados pela perseguição, abandonavam até a fé…
Deus enviou o seu anjo Miguel como defensor
dos que se mantiveram fiéis no caminho de Deus.

*O objetivo desse livro era animar o povo a resistir diante dos opressores
e lembrar que a vitória final será dos justos que perseverarem fiéis...
É a primeira profissão de fé na RESSURREIÇÃO, que se encontra na Bíblia.

Esse texto está em conexão com o evangelho de hoje,
que nos fala da 2a  vinda de Cristo e prefigura a vinda de Cristo libertador.

A 2ª Leitura apresenta a oferta perfeita de Cristo,                                                               que nos libertou do pecado e nos inseriu numa dinâmica de vida eterna.
É o caminho do mundo novo e da vida definitiva. (Hb 10,11-14.18)

No Evangelho, temos o Apocalipse de Marcos.  (Mc 13, 24-32)

Na época em que Marcos escreveu o seu evangelho,
as comunidades cristãs estavam agitadas e assustadas
por causa de guerras e calamidades,
como a destruição do templo, no ano 70 dC.

* Para tranqüilizar os cristãos, o autor usa uma linguagem apocalíptica,
descrevendo a catástrofe do sol e das estrelas e o aparecimento
do Filho do homem sobre as nuvens para julgar os bons e os maus.
Esse "Discurso escatológico" de Cristo é o último antes da Paixão.
Jesus anuncia a destruição de Jerusalém e o começo de uma nova era,
com a sua vinda gloriosa após a ressurreição.

- Não é uma reportagem, mas uma CATEQUESE sobre o fim dos tempos.  
A Intenção não era assustar, mas conduzir a comunidade a discernir                          os fatos catastróficos e o futuro da comunidade cristã dentro da História.
Não deviam ver como o fim do mundo, mas o início de um mundo novo.
Portanto, não deviam dar ouvidos a pessoas que anunciavam o fim do mundo.
Pelo contrário, deviam ver nos sofrimentos sinais de vida:
como dores de parto, que prenunciavam o nascimento de uma nova vida…

Quando vai acontecer isso?
A resposta é dada através da imagem da figueira:
Quando começa a brotar, o agricultor sabe que está chegando o verão…
e se alegra porque se aproxima a época da colheita.
- Quanto ao dia e hora, só o Pai sabe... mais ninguém...
Para nós o mais importante não é saber quando isso irá acontecer,
mas sim estar vigilantes e preparados para ele.

E as sombras que vemos no Mundo de hoje?
O desabamento de tantas certezas, que julgávamos indestrutíveis...
O desaparecimento de pessoas que julgávamos insubstituíveis.
O abandono de certas práticas religiosas que pareciam indispensáveis...
O esquecimento de tantos valores éticos e morais que tanto apreciamos...
O abandono da fé de tantas pessoas, que julgávamos fervorosas...
A violência, a corrupção, a opressão andam soltas...
  àComo devemos ver tudo isso? Será o fim do mundo?

A Palavra de Deus reafirma, que Deus não abandona a humanidade e
está determinado a transformar o mundo velho do egoísmo e do pecado
num mundo novo de vida e de felicidade para todos os homens.
A humanidade não caminha para a destruição, para o nada;
caminha ao encontro da vida plena, ao encontro de um  mundo novo.

Nós cristãos devemos ver a vida presente em estado de gestação,
como germe de uma vida, cuja plenitude final alcançaremos só em Deus.
Esse mundo sonhado por Deus é uma realidade escatológica.

Mas desde já um novo dia está surgindo...
Por isso, devemos ser para os nossos contemporâneos
sinais de esperança dessa realidade:
Gente de fé com uma visão otimista da vida e da história, que caminha,
alegre e confiante, ao encontro desse mundo novo, que Deus nos prometeu.
Deus que não nos abandona em nossa caminhada,
Ele vem sempre ao nosso encontro para nos indicar o caminho.

Da nossa parte, devemos estar atentos aos sinais de Deus,
confiantes nas palavras de Cristo, que nos garante:
  "O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão".



                            Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 18.11.2012

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