Teológico Pastoral

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segunda-feira, 29 de maio de 2017

Pentecostes 2017

“SANTA RUAH”: o sopro que nos une

 “Soprou sobre eles e disse: Recebei o Espírito Santo” (Jo 20,22)

De Jesus e do Pai fazemos muitas representações; do Espírito, muito mais que falar dele, invocamos a relação com Ele: “vem!”. Invocamos para vir Aquele que já está presente, o Realizador das transfor-mações, o Possibilitador de toda relação, o Aumentador da vida.
O fogo, o vento, a água viva, são os símbolos mais potentes com os quais a Bíblia tenta dizer algo dessa Presença Possibilitadora de tudo o que vive, de sua força criadora e criativa, de sua imprevisibilidade, de sua capacidade para gerar sabedoria, saúde e beleza. São símbolos do movimento constante e do fluir silencioso dos processos que gestam a vida.
No relato da Criação, “a Ruah de Deus (em hebraico, Ruah é feminino) pairava sobre as águas”: trata-se de uma bela imagem da matriz ou útero originário fecundo de tudo quanto existe; tudo é amorosamente acolhido, fecundado, gestado, carregado neste grande ventre cósmico que podemos chamar divino: “Deus”. Alento, sopro, vento, respiração, força, fogo... com nome feminino que fala de maternidade e de ternura, de vitalidade e carícia. Seu calor gera harmonia no caos, realça a beleza e originalidade de cada criatura, dando a cada uma seu lugar, o espaço que necessita para potencializar seu ser. Nessa relação adequada, cada  erva, cada montanha, cada ser que vive, tem seu lugar e seu sentido.

“O Espírito pairava sobre as águas” (Gen. 1,1). “Pairava” pode ser traduzido também por “vibrava”. Tudo vibra no universo: vibram as partículas e vibram os átomos, vibram as estrelas e vibram as galáxias, vibram os seres humanos, vibram o canto e a dança. Cada som é vibração e também o silêncio é vibração. O coração de cada ser, pequeno ou grande, pedra, planta ou animal está vibrando. A vida é vibração.
O Espírito que “pairava” sobre as águas é a imagem da vibração divina que habita e se move no coração de tudo quanto existe. O Espírito é a respiração universal.
Tudo é energia, movimento, relação, e daí brotam maravilhosamente todas as formas de todos os seres, como de uma misteriosa matriz materna.
E o Espírito sempre está ali silenciosamente presente, como Aquele que vincula e une, como Tecedora constante de redes que fazem crescer, como Reparadora de todos os tecidos que um dia se rasgaram e se separaram do pano único de onde confluem todos os fios da vida.

Hildegar von Bingen dizia que o Espírito é “vida da vida de toda criatura”.
Cada dia é o primeiro dia da Criação; cada instante é o princípio. A Criação está acontecendo e renovando-se a cada instante e uma Energia profunda e criativa nos acompanha, nos anima e nos move. Estamos sendo criados; não estamos prontos e abandonados, não estamos condenados a um plano predeterminado e frio. Em tempos de Pentecostes é bom recordar e dizer a nós mesmos: “Somos criaturas, estamos sen-do amorosamente criados(as) e impulsionados(as) a criar. Há esperança”.
Contemplar deste modo a realidade, nos move a confiar, esperar, respirar. Contemplemo-la assim: a realidade inteira alentada e fecundada sem cessar pelo Espírito materno; a realidade inteira carregada de infinitas e novas possibilidades, carregada de Infinito. Podemos esperar.

Hoje somos conscientes e podemos agradecer essa presença do Espírito nos perfumes que a humanidade exala: no seu empenho pela paz e pela justiça, na contribuição à integridade da criação, na sua cumpli-cidade com os ciclos que favorecem a vida, no potencial de ternura, de cuidado e de resistência frente a todas aquelas situações e forças que desintegram a vida, na ação colaborativa, na interdependência, no diálogo e na abertura às diferentes culturas e às diversas tradições espirituais, maneiras novas e necessárias de situar-nos no mundo. Tudo isso é sinal do movimento do Espírito.
Desde o momento em que entramos no mundo, nascemos formando parte de uma rede de relações. Este tecido relacional vai nos expandindo ao longo do crescimento. “Ao final de minha vida abrirei meu coração cheio de nomes” (Pedro Casaldáliga). O Espírito é o que escreve os nomes que vão confor-mando nossa vida, nos quais fizemos experiência do que significa isso que chamamos amor e que está gravado em nossa origem e em nosso destino, como nossa fome maior e como nosso dom mais apreciado.

A imagem do “soprar sobre eles”, no evangelho de hoje, contém uma riqueza elegante: significa comparti-lhar o que é mais “vital” de uma pessoa, sua própria respiração, seu mesmo espírito, todo seu dinamismo.
É uma imagem que nos faz reconhecer o Espírito como o Alento último, o Dinamismo vital que pulsa em todas as formas de vida que podemos ver e que nelas se manifesta. Não há nada onde não possamos per-cebê-lo, nada que não nos fale d’Ele.
Por isso, a comunidade dos seguidores de Jesus, ao compartilhar com Ele o mesmo Sopro, torna-se uma “comunidade conspiratória”, ou seja, “conspirar”, “com-inspirar”, “respirar juntos”; ao soprar o Espírito Jesus e os discípulos respiram o mesmo ar, o mesmo sonho, a mesma utopia do Reino...
Não é estranho que, com o Espírito, Jesus se refira à missão: é o mesmo Espírito – seu sopro – Aquele que O conduziu e quer conduzir a nós também.
O Espírito e nós não somos dois. Somos “seres espirituais vivendo uma aventura humana” (Teilhard de Chardin). Quando tomamos consciência desta realidade profunda, realizam-se em nós as palavras de Jesus: a unidade de tudo morando em nós, no Amor – outro nome do Espírito -, como única realidade que tudo sustenta e constitui.

Mais ainda, o Espírito habita nosso ser profundo, sustenta nossas energias sadias, aumenta nossas forças, compromete-nos a crescer de forma autônoma. Ele age como um “princípio dinâmico” e como um “energético ativo”, que reforça as atividades criativas do eu. Temos de viver a partir do Espírito, transformando e vitalizando nossos gestos, pensamentos, compromissos, encontros.
Por isso, Pentecostes não acontece até que, reconhecendo o Espírito como nossa Identidade mais profunda, nos deixemos guiar por Ele, ou melhor, viver a partir d’Ele, conscientemente conectados com a Fonte Primeira. Falar do Espírito e celebrar Pentecostes é, portanto, celebrar a festa, a vida e a Identidade última de tudo o que é e existe: é nossa festa.

Texto bíblico:  Jo 20,19-23

Na oração: “O Espírito urge!” Para abrir-nos a este “Sopro”, de modo que
                    possamos experimentá-Lo no nosso “eu” mais profundo, precisamos calar a mente, abrir-nos diretamente ao que é, e perceber, com prazer, que podemos descansar sempre nisso. “Descanso” é outro nome do Espírito.
No silêncio da mente o Espírito se revela a nós, não como uma presença separada, mas como presença interna de tudo o que é: Cuidado, Descanso, Dinamismo... Vida em plenitude. E isso é o que somos todos.



sexta-feira, 13 de maio de 2016

Pentecostes

TERÇO DO PENTECOSTES     -    MISTÉRIOS GOSOSOS

1 - ANUNCIAÇÃO DO ANJO
:  Ao refletirmos nas palavras “O Espírito Santo descerá sobre Ti…” contemplemos Maria, sempre disposta a aceitar as manifestações da Vontade de Deus.
Maria acolheu em Si a Luz, murmurando interiormente a palavra SIM. Nesse momento uma nova luz, muito mais clara que a da primeira criação, iluminou a Terra e “o Verbo fez-Se Carne”. É que o SIM de Maria encontrou-se com o Espírito Santo. A luz do Espírito envolveu esse Sim, que determinou a nossa Redenção, e estabeleceu uma comunhão real da criatura com o seu Criador, desejoso de a salvar. Depois de Maria ter dito a Deus, livremente, o Seu SIM, o Verbo assumiu a natureza humana. Ainda hoje é assim que se efetua em nós e na Igreja uma nova e continuada encarnação do Verbo: concebe-se primeiro no espírito, pela fé, e em seguida o Senhor estabelece em nós a Sua morada. É obra do Espírito Santo fomentar e desenvolver a vida de Jesus em cada um de nós. Só quem está disposto,como Maria,a”perder a sua vida por Deus” pode deixar Jesus crescer em si até à plenitude,de modo a poder dizer como S.Paulo: "Já não sou eu que vivo,é Cristo que vive em mim”.

2) VISITAÇÃO:  O mesmo Espírito que veio sobre Maria e A cobriu com a Sua sombra, encheu o Coração de Maria e santificou o Menino que ia dEla nascer. A Encarnação de Jesus em nós é graça do Espírito Santo. A saudação de Maria a Santa Isabel foi sem dúvida uma saudação no “Espírito Santo” e foi também acolhida por Santa Isabel no “Espírito Santo”, porque havia nela muita humildade. Foi um hino recíproco de louvor a Deus no Espírito Santo. Santa Isabel reconheceu em nossa Senhora os dons de Deus e deu glória ao Altíssimo, dizendo: “Feliz de Ti, que acreditaste…” “E de onde me vem esta graça, que a Mãe do meu Senhor venha ter comigo?”
Santa Isabel soube reconhecer e proclamar em nossa Senhora os dons de Deus e foi capaz de ver numa jovem a Mãe do seu Senhor. O encontro da humildade de nossa Senhora com a humildade da Sua prima foi uma manifestação sensível da presença do Espírito Santo. 

3) NASCIMENTO DE JESUS:  O primeiro e mais maravilhoso fruto do Espírito Santo é Jesus. Nossa Senhora acolheu em Si a Palavra e deixou-Se invadir e trabalhar pelo Espírito Santo. E assim, nEla, a Palavra fez-Se Carne. Também Nossa Senhora foi um maravilhoso fruto do Espírito Santo e por isso os Seus frutos assemelham-se aos de Jesus: alegria, mansidão, humildade, paciência, piedade, silêncio, serviço atento aos outros, abertura a Deus. É preciso que nos deixemos também invadir pelo Espírito Santo para sermos fecundos. Faremos de novo nascer Jesus em nós, na medida em que a Sua Palavra se torna vida da nossa vida.

4) APRESENTAÇÃO DE JESUS NO TEMPLO:  Ao fazermos uma leitura atenta da narração deste mistério que nos faz S. Lucas, ficamos impressionados pela repetida menção que se faz do Divino Espírito Santo. Nada menos que três vezes. O Divino Espírito Santo:
a) Estava com Simeão  /  Revelou-lhe que não morreria sem ver a Cristo Senhor /  Impeliu-o a ir ao templo.  Estamos, portanto, diante de uma vida orientada pelo Divino Espírito Santo. E quando o Espírito de Deus ilumina domina uma vida, tudo se torna diferente: S. Paulo recomendava aos Gálatas que se deixassem guiar pelo Espírito e exortava assim os Efésios: enchei-vos do Espírito Santo. Simeão é exemplo de uma pessoa que se deixou guiar pelo Divino Espírito Santo. Ao meditar o mistério da Apresentação, cada um de nós pode perguntar: de que está cheia e quem domina a minha vida: o Divino Espírito ou o egoísmo e o espírito do mundo?

5) PERDA E ENCONTRO DE JESUS NO TEMPLO: Jesus amava Maria e José como só pode amar um filho que é Deus. No entanto, sem que previamente os avisasse, ficou em Jerusalém quando eles voltaram para Nazaré. Previu toda a aflição porque passariam naqueles três dias separados dEle. Em paz, Jesus voltara ao templo, onde O esperava a Vontade de Deus.
Em cada instante do dia precisamos de coragem para cumprir a Vontade de Deus, seja o que for que os outros pensem de nós. É um dom do Divino Espírito Santo, que habita na nossa alma. Rezando constantemente com Ele, teremos força para cumprir a Vontade de Deus. Nossa Senhora meditava tudo no Seu Coração. E tinha muito que meditar. Era através destas provações que o Divino Espírito Santo Lhe fazia descobrir Jesus cada vez melhor.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO 
PARA A QUARESMA DE 2016

«“Prefiro a misericórdia ao sacrifício” (Mt 9, 13). 
As obras de misericórdia no caminho jubilar»

1. Maria, ícone duma Igreja que evangeliza porque evangelizada
Na Bula de proclamação do Jubileu, fiz o convite para que «a Quaresma deste Ano Jubilar seja vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a misericórdia de Deus» (Misericordiӕ Vultus, 17). Com o apelo à escuta da Palavra de Deus e à iniciativa «24 horas para o Senhor», quis sublinhar a primazia da escuta orante da Palavra, especialmente a palavra profética. Com efeito, a misericórdia de Deus é um anúncio ao mundo; mas cada cristão é chamado a fazer pessoalmente experiência de tal anúncio. Por isso, no tempo da Quaresma, enviarei os Missionários da Misericórdia a fim de serem, para todos, um sinal concreto da proximidade e do perdão de Deus.
Maria, por ter acolhido a Boa Notícia que Lhe fora dada pelo arcanjo Gabriel, canta profeticamente, no Magnificat, a misericórdia com que Deus A predestinou. Deste modo a Virgem de Nazaré, prometida esposa de José, torna-se o ícone perfeito da Igreja que evangeliza porque foi e continua a ser evangelizada por obra do Espírito Santo, que fecundou o seu ventre virginal. Com efeito, na tradição profética, a misericórdia aparece estreitamente ligada – mesmo etimologicamente – com as vísceras maternas (rahamim) e com uma bondade generosa, fiel e compassiva (hesed) que se vive no âmbito das relações conjugais e parentais.
2. A aliança de Deus com os homens: uma história de misericórdia
O mistério da misericórdia divina desvenda-se no decurso da história da aliança entre Deus e o seu povo Israel. Na realidade, Deus mostra-Se sempre rico de misericórdia, pronto em qualquer circunstância a derramar sobre o seu povo uma ternura e uma compaixão viscerais, sobretudo nos momentos mais dramáticos quando a infidelidade quebra o vínculo do Pacto e se requer que a aliança seja ratificada de maneira mais estável na justiça e na verdade. Encontramo-nos aqui perante um verdadeiro e próprio drama de amor, no qual Deus desempenha o papel de pai e marido traído, enquanto Israel desempenha o de filho/filha e esposa infiéis. São precisamente as imagens familiares – como no caso de Oseias (cf. Os 1-2) – que melhor exprimem até que ponto Deus quer ligar-Se ao seu povo.
Este drama de amor alcança o seu ápice no Filho feito homem. N’Ele, Deus derrama a sua misericórdia sem limites até ao ponto de fazer d’Ele a Misericórdia encarnada (cf. Misericordiӕ Vultus, 8). Na realidade, Jesus de Nazaré enquanto homem é, para todos os efeitos, filho de Israel. E é-o ao ponto de encarnar aquela escuta perfeita de Deus que se exige a cada judeu pelo Shemà, fulcro ainda hoje da aliança de Deus com Israel: «Escuta, Israel! O Senhor é nosso Deus; o Senhor é único! Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças» (Dt 6, 4-5). O Filho de Deus é o Esposo que tudo faz para ganhar o amor da sua Esposa, à qual O liga o seu amor incondicional que se torna visível nas núpcias eternas com ela.
Este é o coração pulsante do querigma apostólico, no qual ocupa um lugar central e fundamental a misericórdia divina. Nele sobressai «a beleza do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e ressuscitado» (Evangelii gaudium, 36), aquele primeiro anúncio que «sempre se tem de voltar a ouvir de diferentes maneiras e aquele que sempre se tem de voltar a anunciar, duma forma ou doutra, durante a catequese» (Ibid., 164). Então a Misericórdia «exprime o comportamento de Deus para com o pecador, oferecendo-lhe uma nova possibilidade de se arrepender, converter e acreditar» (Misericordiӕ Vultus, 21), restabelecendo precisamente assim a relação com Ele. E, em Jesus crucificado, Deus chega ao ponto de querer alcançar o pecador no seu afastamento mais extremo, precisamente lá onde ele se perdeu e afastou d'Ele. E faz isto na esperança de assim poder finalmente comover o coração endurecido da sua Esposa.
3. As obras de misericórdia
A misericórdia de Deus transforma o coração do homem e faz-lhe experimentar um amor fiel, tornando-o assim, por sua vez, capaz de misericórdia. É um milagre sempre novo que a misericórdia divina possa irradiar-se na vida de cada um de nós, estimulando-nos ao amor do próximo e animando aquilo que a tradição da Igreja chama as obras de misericórdia corporal e espiritual. Estas recordam-nos que a nossa fé se traduz em actos concretos e quotidianos, destinados a ajudar o nosso próximo no corpo e no espírito e sobre os quais havemos de ser julgados: alimentá-lo, visitá-lo, confortá-lo, educá-lo. Por isso, expressei o desejo de que «o povo cristão reflicta, durante o Jubileu, sobre as obras de misericórdia corporal e espiritual. Será uma maneira de acordar a nossa consciência, muitas vezes adormecida perante o drama da pobreza, e de entrar cada vez mais no coração do Evangelho, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina» (Ibid., 15). Realmente, no pobre, a carne de Cristo «torna-se de novo visível como corpo martirizado, chagado, flagelado, desnutrido, em fuga... a fim de ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nós» (Ibid., 15). É o mistério inaudito e escandaloso do prolongamento na história do sofrimento do Cordeiro Inocente, sarça ardente de amor gratuito na presença da qual podemos apenas, como Moisés, tirar as sandálias (cf. Ex 3, 5); e mais ainda, quando o pobre é o irmão ou a irmã em Cristo que sofre por causa da sua fé.
Diante deste amor forte como a morte (cf. Ct 8, 6), fica patente como o pobre mais miserável seja aquele que não aceita reconhecer-se como tal. Pensa que é rico, mas na realidade é o mais pobre dos pobres. E isto porque é escravo do pecado, que o leva a utilizar riqueza e poder, não para servir a Deus e aos outros, mas para sufocar em si mesmo a consciência profunda de ser, ele também, nada mais que um pobre mendigo. E quanto maior for o poder e a riqueza à sua disposição, tanto maior pode tornar-se esta cegueira mentirosa. Chega ao ponto de não querer ver sequer o pobre Lázaro que mendiga à porta da sua casa (cf. Lc 16, 20-21), sendo este figura de Cristo que, nos pobres, mendiga a nossa conversão. Lázaro é a possibilidade de conversão que Deus nos oferece e talvez não vejamos. E esta cegueira está acompanhada por um soberbo delírio de omnipotência, no qual ressoa sinistramente aquele demoníaco «sereis como Deus» (Gn 3, 5) que é a raiz de qualquer pecado. Tal delírio pode assumir também formas sociais e políticas, como mostraram os totalitarismos do século XX e mostram hoje as ideologias do pensamento único e da tecnociência que pretendem tornar Deus irrelevante e reduzir o homem a massa possível de instrumentalizar. E podem actualmente mostrá-lo também as estruturas de pecado ligadas a um modelo de falso desenvolvimento fundado na idolatria do dinheiro, que torna indiferentes ao destino dos pobres as pessoas e as sociedades mais ricas, que lhes fecham as portas recusando-se até mesmo a vê-los.
Portanto a Quaresma deste Ano Jubilar é um tempo favorável para todos poderem, finalmente, sair da própria alienação existencial, graças à escuta da Palavra e às obras de misericórdia. Se, por meio das obras corporais, tocamos a carne de Cristo nos irmãos e irmãs necessitados de ser nutridos, vestidos, alojados, visitados, as obras espirituais tocam mais directamente o nosso ser de pecadores: aconselhar, ensinar, perdoar, admoestar, rezar. Por isso, as obras corporais e as espirituais nunca devem ser separadas. Com efeito, é precisamente tocando, no miserável, a carne de Jesus crucificado que o pecador pode receber, em dom, a consciência de ser ele próprio um pobre mendigo. Por esta estrada, também os «soberbos», os «poderosos» e os «ricos», de que fala o Magnificat, têm a possibilidade de aperceber-se que são, imerecidamente, amados pelo Crucificado, morto e ressuscitado também por eles. Somente neste amor temos a resposta àquela sede de felicidade e amor infinitos que o homem se ilude de poder colmar mediante os ídolos do saber, do poder e do possuir. Mas permanece sempre o perigo de que os soberbos, os ricos e os poderosos – por causa de um fechamento cada vez mais hermético a Cristo, que, no pobre, continua a bater à porta do seu coração – acabem por se condenar precipitando-se eles mesmos naquele abismo eterno de solidão que é o inferno. Por isso, eis que ressoam de novo para eles, como para todos nós, as palavras veementes de Abraão: «Têm Moisés e o Profetas; que os oiçam!» (Lc 16, 29). Esta escuta activa preparar-nos-á da melhor maneira para festejar a vitória definitiva sobre o pecado e a morte conquistada pelo Esposo já ressuscitado, que deseja purificar a sua prometida Esposa, na expectativa da sua vinda.
Não percamos este tempo de Quaresma favorável à conversão! Pedimo-lo pela intercessão materna da Virgem Maria, a primeira que, diante da grandeza da misericórdia divina que Lhe foi concedida gratuitamente, reconheceu a sua pequenez (cf. Lc 1, 48), confessando-Se a humilde serva do Senhor (cf. Lc 1, 38).
Vaticano, 4 de Outubro de 2015
Festa de S. Francisco de Assis
Francisco


segunda-feira, 26 de maio de 2014

NOVENA DO ESPIRITO SANTO

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Vice-Província Centro-Norte do Brasil
NOVENA DE PENTECOSTES 2014
1º DIA: CREIO NO ESPÍRITO SANTO

Dirigente: A oração do Credo põe em nossos lábios a expressão: “Creio no Espírito Santo”. A Bíblia fala abundantemente a respeito do Espírito Santo. E nós queremos, não só conhecer o modo de agir do Espírito Santo, mas deixar-nos envolver e guiar por ele.
Um canto ao Espírito Santo
Dirigente: Vamos pedir que o nosso Mestre Jesus nos fale a respeito do Espírito Santo.
Leitura bíblica: João 14,23-26 / Reflexão
Leitor 1: Existe total união entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A palavra que Jesus anuncia vem do Pai. O Espírito Santo vem do Pai. O Pai O envia em nome do Filho. Amar a Jesus significa também amar ao Pai e ao Espírito Santo. A Trindade, por sua vez, vem morar no coração da pessoa que ama. Estabelece com ela íntima comunhão de vida.
Leitor 2: Agostinho, durante sua juventude, teve dificuldade para entregar-se à verdade de Deus. Ele tinha sede da verdade, mas deixava-se seduzir pelo erro. Sentia o apelo para mudar de vida, mas continuava envolvido nas coisas terrenas. Com as lágrimas e as orações de sua mãe, Mônica, e as excelentes pregações do bispo santo Ambrósio, Agostinho converteu-se ao cristianismo. Tornou-se bispo e doutor da Igreja. Mais tarde, ao reconhecer e lamentar o tempo que passou longe de Deus, dizia: “Ó beleza sempre antiga e sempre nova, muito tarde te amei, tu estavas dentro de mim, e eu te procurava fora de mim”.
Dirigente: Que lições podemos tirar da passagem bíblica e da breve informação sobre a vida de Santo Agostinho? Confrontando nossa vida com a Palavra de Deus, certamente sentiremos necessidade de corrigir alguns pontos, e abrir nosso coração para que a Santíssima Trindade venha habitar em nós.

Pausa para reflexão pessoal
Canto:
Oração Final
T: Vinde, ó Espírito Santo, Santificador onipotente, Deus de amor. Vós, que cumulastes de graças a Virgem Maria, transformastes prodigiosamente os corações dos Apóstolos e dotastes de extraordinário heroísmo a todos os mártires, vinde santificar-nos. Iluminai a nossa inteligência, fortalecei a nossa vontade, purificai a nossa consciência, retificai o nosso juízo, tomai posse do nosso coração e preservai-nos da desgraça de resistir às vossas inspirações. Amém.


Instituto das Apóstolas do S. Coração de Jesus
Vice-Província Centro-Norte do Brasil
NOVENA DE PENTECOSTES 2014
2º DIA: O ESPÍRITO SANTO NA VIDA DE JESUS
Dirigente: Muitas são as passagens bíblicas que se referem à ação do Espírito Santo na vida de Jesus. A manifestação máxima do Verbo feito carne, isto é, Jesus, se dá pela ação do Espírito Santo. De fato, o anjo disse a Maria: “O Espírito Santo virá sobre ti, e o poder do Altíssimo vai te cobrir com sua sobra” (Lc 1,35). No momento do batismo de Jesus, os céus se abrem, o Espírito Santo desce sobre ele como uma pomba, e uma voz diz: “Tu és o meu Filho amado, em ti encontro o meu agrado”. Todas as ações de Jesus, enfim, são movidas pelo Espírito Santo.
Um canto ao Espírito Santo
Leitura bíblica: Lucas 4,14-21
Reflexão
Leitor 1: Esta passagem é tida como inauguração do ministério de Jesus. Tendo superado as tentações no deserto, Jesus continua sendo guiado pelo Espírito. Na sinagoga, lugar de oração e catequese, ele se apresenta como Messias. A sequência do texto nos mostra uma assembléia inicialmente entusiasmada; o entusiasmo, porém, logo cede lugar à rejeição. Não obstante a oposição e a pressão dos inimigos, Jesus mantém-se fiel ao projeto de Deus por toda a vida. Encerrada a missão terrena, ele entrega o espírito ao Pai e morre em paz.
Leitor 2: Bem diferente é a vida de quem se apega aos bens terrenos e não se deixa conduzir pelo Espírito Santo. Um homem muito rico fazia grandiosos banquetes todos os dias, enquanto um pobre, por nome Lázaro, lhe implorava ao menos alguma fatia de pão. Nem isso o rico lhe dava. Como a morte chega para todos, ambos morreram. O pobre foi sepultado e logo viu-se em lugar de conforto, na esfera de Deus. O rico, que durante a vida foi insensível à miséria do pobre, após a morte caiu em ambiente de tormentos.
Dirigente: Estamos diante de duas atitudes opostas: Jesus, que vive segundo o Espírito Santo, e o rico, que se apega aos bens materiais e ignora a presença dos necessitados ao seu redor.
A Palavra de Deus vem iluminar a nossa vida e ajudar-nos a corrigir o que está fora dos planos de Deus.
Pausa para reflexão pessoal
Canto:
Oração Final
T: Vinde, ó Espírito Santo, Santificador onipotente, Deus de amor. Vós, que cumulastes de graças a Virgem Maria, transformastes prodigiosamente os corações dos Apóstolos e dotastes de extraordinário heroísmo a todos os mártires, vinde santificar-nos. Iluminai a nossa inteligência, fortalecei a nossa vontade, purificai a nossa consciência, retificai o nosso juízo, tomai posse do nosso coração e preservai-nos da desgraça de resistir às vossas inspirações. Amém.
Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus
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NOVENA DE PENTECOSTES 2014
3º DIA: O ESPÍRITO SANTO NA VIDA DA IGREJA
Dirigente: O quarto evangelho relata que Jesus, ao morrer na cruz, disse: “Tudo está consumado”, ou seja, o que tinha de ser feito foi feito. Em seguida, “entregou o espírito”. Eis o que nos diz o Pe. João Batista Libânio: “Agora começa o tempo do Espírito. E como não havia Igreja nenhuma, mas pura dispersão, o Espírito terá a obra de ir lentamente refazendo os fios sociais que Jesus tecera. A Igreja começa a nascer lentamente até a experiência de Pentecostes que a faz explodir para todo o mundo”.
Um canto ao Espírito Santo
Leitura bíblica: At 2,1-4
Reflexão
Leitor 1: Após a morte de Jesus, seus discípulos ficaram assustados e acuados. Além de lhes faltar o líder, tinham medo de levar o mesmo fim que Jesus, a morte. O quarto evangelho apresenta o Pentecostes no mesmo dia da ressurreição, quando o Ressuscitado sopra sobre os apóstolos e lhes comunica o Espírito Santo. Jesus, durante uma refeição, tinha avisado aos apóstolos para não se afastarem de Jerusalém; que esperassem a vinda do Espírito Santo: “Vós sereis batizados com o Espírito Santo dentro de poucos dias”. A partir de Pentecostes, um entusiasmo contagiante toma conta do grupo dos apóstolos, o núcleo da Igreja nascente.
Leitor 2: Estevão tinha sido posto como administrador dos bens comuns da primitiva comunidade cristã. E exercia sua função com tanto zelo, que logo despertou a ira dos adversários dos cristãos. Diante do tribunal, inventaram pesadas calúnias a respeito dele. Levaram-no para fora da cidade a fim de apedrejá-lo. Antes de morrer, Estevão pediu a Deus que não levasse em conta o pecado dos malfeitores. E, ajoelhado, fez esta invocação: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito”.
Dirigente: Estevão, o primeiro mártir, tem atitudes semelhantes às de Jesus. E nós? Onde encontramos a força para superar as dificuldades do dia-a-dia?
Pausa para reflexão pessoal
Canto:
Oração Final
T: Vinde, ó Espírito Santo, Santificador onipotente, Deus de amor. Vós, que cumulastes de graças a Virgem Maria, transformastes prodigiosamente os corações dos Apóstolos e dotastes de extraordinário heroísmo a todos os mártires, vinde santificar-nos. Iluminai a nossa inteligência, fortalecei a nossa vontade, purificai a nossa consciência, retificai o nosso juízo, tomai posse do nosso coração e preservai-nos da desgraça de resistir às vossas inspirações. Amém.

Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus
Vice-Província Centro-Norte do Brasil

NOVENA DE PENTECOSTES 2014

4º DIA: O ESPÍRITO SANTO HABITA EM NÓS
Dirigente: Pouco antes de sofrer a paixão e a morte, Jesus viu tristeza nos olhos dos seus discípulos, então lhes garantiu que enviaria o Espírito Santo: “É melhor para vocês que eu vá embora, porque se eu não for, o Advogado não virá para vocês. Mas se eu for, eu o enviarei”. Vamos abrir nossa mente e nosso coração a fim de acolher a riqueza que nos vem da palavra de Deus e da partilha de vida dos participantes deste encontro.
Um canto ao Espírito Santo
Leitura bíblica: 1 Cor 6, 12-20
Reflexão
Leitor 1: É através do corpo que se manifestam as boas obras de uma pessoa. E também as más ações. É pelas ações corporais que a pessoa cresce no processo de conversão e santificação. É por meio do corpo que o cristão dá glória a Deus. Por isso, o corpo de toda pessoa humana precisa ser respeitado, já que toda pessoa é habitação do Espírito Santo.
Leitor 2: “Quando o Espírito Santo estabelece sua morada no homem” – lê-se num grande mestre espiritual do século VII – “este último nunca deixa de orar, porque o Espírito jamais deixa de orar nele. Seja dormindo, seja velando, a oração nunca abandona sua alma. Ele não ora apenas em períodos determinados, mas de maneira contínua” (Isaac de Nínive, Tratados, XXXV).
Pausa para reflexão pessoal
Canto:
Oração Final
T: Vinde, ó Espírito Santo, Santificador onipotente, Deus de amor. Vós, que cumulastes de graças a Virgem Maria, transformastes prodigiosamente os corações dos Apóstolos e dotastes de extraordinário heroísmo a todos os mártires, vinde santificar-nos. Iluminai a nossa inteligência, fortalecei a nossa vontade, purificai a nossa consciência, retificai o nosso juízo, tomai posse do nosso coração e preservai-nos da desgraça de resistir às vossas inspirações. Amém.





Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus
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NOVENA DE PENTECOSTES 2014

5º DIA: VIVER SEGUNDO O ESPÍRITO
Dirigente: Sabemos quais são as coisas certas a fazer, mas acabamos praticando o que é errado. Conhecemos quais são os vícios que precisamos corrigir, no entanto, não os abandonamos. Nesta novena, a Palavra de Deus vai nos ajudar a buscar as coisas de Deus, a viver segundo o Espírito Santo.
Um canto ao Espírito Santo
Leitura bíblica: Gl 5,16-25
Reflexão
Leitor 1: Viver segundo o espírito é seguir a inspiração do Espírito Santo, a orientação do amor, que faz a pessoa ser altruísta, voltar-se para as necessidades do outro. Viver segundo os instintos egoístas é fechar-se em si mesmo, servir a si mesmo.
Leitor 2: Muitas vezes o ser humano busca seguranças falsas, que só lhe trazem frustração. Somente a confiança em Deus pode levar a pessoa a viver e agir com serenidade
Dirigente: Que lições podemos aprender da Palavra de Deus? Dentre os frutos do Espírito Santo, quais são mais urgentes para a boa convivência na comunidade?

Pausa para reflexão pessoal
Canto:

Oração Final
T: Vinde, ó Espírito Santo, Santificador onipotente, Deus de amor. Vós, que cumulastes de graças a Virgem Maria, transformastes prodigiosamente os corações dos Apóstolos e dotastes de extraordinário heroísmo a todos os mártires, vinde santificar-nos. Iluminai a nossa inteligência, fortalecei a nossa vontade, purificai a nossa consciência, retificai o nosso juízo, tomai posse do nosso coração e preservai-nos da desgraça de resistir às vossas inspirações. Amém.



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Vice-Província Centro-Norte do Brasil
NOVENA DE PENTECOSTES 2014
6º DIA: O ESPÍRITO SANTO DOADOR DE DONS

Dirigente: Algo que nos conforta é saber que todos recebemos de Deus muitos dons. Pode ser que uma pessoa tenha dons que ainda não percebeu. Hoje pode ser uma ocasião para descobrirmos, em nós, a riqueza de dons que o Espírito Santo não cessa de distribuir, para o bem de todos.
Um canto ao Espírito Santo
Leitura bíblica: 1 Cor 12,7-11
Reflexão
Leitor 1: Dom quer dizer algo dado, doado, presenteado. O Espírito Santo enriquece toda a Igreja evangelizadora também com diferentes carismas. São dons para renovar e edificar a Igreja. Não se trata de um patrimônio fechado, entregue a um grupo que o guarde; mas são presentes do Espírito integrados no corpo eclesial, atraídos para o centro que é Cristo, de onde são canalizados em um impulso evangelizador.
Leitor 2: As diferenças entre as pessoas e as comunidades por vezes são incômodas, mas o Espírito Santo, que suscita esta diversidade, de tudo pode tirar algo de bom e transformá-lo em dinamismo evangelizador que atua por atração. A diversidade deve ser sempre conciliada com a ajuda do Espírito Santo; só Ele pode suscitar a diversidade, a pluralidade, a multiplicidade e, ao mesmo tempo, realizar a unidade.
Pausa para reflexão pessoal
Canto:
Oração Final
T: Vinde, ó Espírito Santo, Santificador onipotente, Deus de amor. Vós, que cumulastes de graças a Virgem Maria, transformastes prodigiosamente os corações dos Apóstolos e dotastes de extraordinário heroísmo a todos os mártires, vinde santificar-nos.
            Iluminai a nossa inteligência, fortalecei a nossa vontade, purificai a nossa consciência, retificai o nosso juízo, tomai posse do nosso coração e preservai-nos da desgraça de resistir às vossas inspirações. Amém.


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Vice-Província Centro-Norte do Brasil
NOVENA DE PENTECOSTES 2014
7º DIA: O ESPÍRITO SOCORRE NOSSA FRAQUEZA
Dirigente: À medida que vamos conhecendo o Espírito Santo, também nos tornamos mais dóceis e nos deixamos guiar por ele. Pois o Espírito Santo conhece a nossa realidade e está disposto a nos ajudar. Santo Agostinho, em suas Confissões, descreve-nos sua luta para libertar-se do pecado da sensualidade. Houve um momento em que implorava a Deus dizendo: “Concede-me castidade e continência... mas – acrescentava no íntimo uma voz – não já!” Até que chegou o momento em que ele gritou a si mesmo: “Por que amanhã, amanhã? Por que não agora?”. Bastou dizer esse “Basta!” para que ele se sentisse livre.
Um canto ao Espírito Santo
Leitura bíblica Rm 8, 26-30
Reflexão
Leitor 1: Em nossa vida acontece o mesmo que na natureza. Vêem-se às vezes velhas oliveiras com o tronco completamente seco, mas que, apesar disso, mantêm no alto, ramos verdes e carregados de azeitonas, quando é o tempo. Por algum lugar, em meio à madeira seca passa uma “veia” de madeira viva que se funde na terra e permite que a árvore continue viva.
 Leitor 2: Assim ocorre às vezes com a má planta do pecado que há em nossa vida. Ela deveria estar completamente morta e improdutiva a partir do momento em que não queremos o pecado, depois de tê-lo confessado e recusado tantas vezes, e não obstante, continua a produzir seus frutos. Por quê? A razão é que também em nós permanece algum “raminho verde” que finca suas raízes na terra viva de nossa liberdade.
Leitor 1: O que tememos que nos seja tirado? O que, sem confessá-lo, defendemos? O que  mantemos em nível inconsciente e não exibimos a estímulos da consciência?
Todas:  Senhor, tu conheces bem a minha fragilidade, bem mais que eu a conheço. Confiando, por isso, apenas na tua graça e na tua fidelidade, digo-te que quero abandonar o pecado. Entre mim e o pecado – esse pecado que conheces – tudo acabou. Digo “basta!” Ajuda-me com teu Espírito.
Pausa para reflexão pessoal
Canto:
Oração Final
T: Vinde, ó Espírito Santo, Santificador onipotente, Deus de amor. Vós, que cumulastes de graças a Virgem Maria, transformastes prodigiosamente os corações dos Apóstolos e dotastes de extraordinário heroísmo a todos os mártires, vinde santificar-nos. luminai a nossa inteligência, fortalecei a nossa vontade, purificai a nossa consciência, retificai o nosso juízo, tomai posse do nosso coração e preservai-nos da desgraça de resistir às vossas inspirações. Amém.


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NOVENA DE PENTECOSTES 2014
8º DIA: O ESPÍRITO SANTO É LIVRE

Dirigente: O Espírito Santo é livre para conceder seus dons a quem quer e quando quer; não se deixa capturar nem manipular por ninguém, e é livre também para nos fazer boas surpresas.
Um canto ao Espírito Santo
Leitura bíblica: At 20,22-24
Reflexão
Leitor 1: Paulo, um gigante missionário de Cristo, compreendeu a linguagem do Espírito. Não se rebela contra ele, ao contrário, cheio de confiança, entrega-se e deixa-se levar por ele, mesmo desconfiando que enfrente perigos de toda sorte.
Leitor 2: No Pentecostes, o Espírito faz os Apóstolos saírem de si mesmos e transforma-os em anunciadores das maravilhas de Deus, que cada um começa a entender na própria língua. Além disso, o Espírito Santo infunde a força para anunciar a novidade do Evangelho com ousadia, em voz alta e em todo tempo e lugar, mesmo contracorrente.
Dirigente: Invoquemo-Lo, hoje, bem apoiados na oração, sem a qual toda ação corre o risco de ficar vã, e o anúncio, no fim das contas, carece de alma. Jesus quer evangelizadores que anunciem a Boa-Nova, não só com palavras, mas, sobretudo, com uma vida transfigurada pela presença de Deus.

Pausa para reflexão pessoal
Canto:
Oração Final
T: Vinde, ó Espírito Santo, Santificador onipotente, Deus de amor. Vós, que cumulastes de graças a Virgem Maria, transformastes prodigiosamente os corações dos Apóstolos e dotastes de extraordinário heroísmo a todos os mártires, vinde santificar-nos.
            Iluminai a nossa inteligência, fortalecei a nossa vontade, purificai a nossa consciência, retificai o nosso juízo, tomai posse do nosso coração e preservai-nos da desgraça de resistir às vossas inspirações. Amém.



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NOVENA DE PENTECOSTES 2014

9º DIA: A MISSÃO DO ESPÍRITO SANTO NA IGREJA
Dirigente: Terminada a obra que o Pai confiou ao Filho, o Espírito Santo foi enviado no dia de Pentecostes a fim de santificar continuamente a Igreja e, por Cristo, no único Espírito, terem os fiéis, acesso junto ao Pai. Ele é o Espírito da vida, a fonte de água que jorra para a vida eterna. Por ele, o Pai dá vida aos homens mortos pelo pecado, até ressuscitar em Cristo seus corpos mortais.

Um canto ao Espírito Santo
Leitura bíblica 1 Jo 5,1-12
Reflexão
Leitor 1: O Espírito Santo habita na Igreja e nos corações dos fiéis como em um templo. Neles ora e dá testemunho da adoção de filhos conduz a Igreja ao conhecimento da verdade total, unifica-a na comunhão e nos ministérios, ilumina-a com diversos dons e enriquece-a com seus frutos.
Leitor 2: Por meio dos sacramentos e ministérios, o Espírito Santo não apenas santifica e conduz o povo de Deus e o adorna com virtudes, mas ainda distribui a cada um seus dons conforme quer, e concede também graças especiais aos fiéis de todas as condições. A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum.
Pausa para reflexão pessoal
Canto:
Oração Final
T: Vinde, ó Espírito Santo, Santificador onipotente, Deus de amor. Vós, que cumulastes de graças a Virgem Maria, transformastes prodigiosamente os corações dos Apóstolos e dotastes de extraordinário heroísmo a todos os mártires, vinde santificar-nos.
            Iluminai a nossa inteligência, fortalecei a nossa vontade, purificai a nossa consciência, retificai o nosso juízo, tomai posse do nosso coração e preservai-nos da desgraça de resistir às vossas inspirações. Amém.



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