Teológico Pastoral

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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Por que o Ano da Fé?
São muitas as razões que motivaram o Papa Bento XVI promulgar o Ano da Fé. Nosso Papa tem uma visão global da realidade da Igreja, no mundo, desde o Concílio Vaticano II até nossos dias. Seus trabalhos no coração da Santa Sé, sua experiência e colaboração no pontificado do Beato João Paulo II, suas viagens e encontros com as Conferencias Episcopais nos diversos Continentes, os encontros sinodais, as visitas dos Bispos do mundo inteiro a Roma, proporcionaram-lhe um real e vasto conhecimento da realidade da Igreja.
Vamos aqui focalizar algumas razões para a promoção do Ano da Fé, nos escritos e ensinamentos do Papa Bento.
1-A desertificação. Há um deserto interno e externo que assola a humanidade e a Igreja. O deserto interno se concretiza pela negação de Deus, pelo indiferentismo, pela secularização, pelo individualismo. Confusão doutrinal, ignorância religiosa, afastamento dos fiéis da Igreja, a “ditadura do relativismo” são expressões da desertificação interior. O Papa nos convida a uma peregrinação nestes desertos para transforma-los em jardins e oásis. Eis a necessidade da fé. Os desertos exteriores são as desigualdades sociais, a violência, as migrações, a depredação da natureza, entre outros.
2-A descristianização. Nossa sociedade e cultura não são mais religiosas, mas, secularizadas e indiferentes à dimensão religiosa. Vivemos numa realidade pluralista, tecnológica, antropocêntrica onde os valores religiosos contam muito pouco. Por outro lado, esta mesma sociedade é altamente destrutiva desde a cultura da morte até à desestruturação da família, o avanço do câncer, a corrupção generalizada, fome no mundo, o flagelo das drogas. É desde “caos globalizado” que emerge a saudade e o desejo de Deus, os valores do reino de Deus e a procura de respostas para o vazio existencial. A fé  quer ser resposta para estas e outras perguntas de homem moderno.
3-A mudanização dos ambientes cristãos. O consumismo, a vida urbana, o poder da mídia invadem os espaços e os corações dos cristãos e assim caímos na “mundanização da Igreja”, diz o Papa. No sínodo sobre a nova evangelização vários padres sinodais alertaram para a necessidade da purificação, conversão, santificação dos bispos, sacerdotes, religiosos(as), seminaristas. Há como que um “envenenamento do pensamento” afirma Bento XVI. É preciso redescobrir a fé no âmbito interno da Igreja.
4-A superação da pastoral da conservação e da manutenção, é outra razão para o Ano da Fé. Precisamos passar da sacramentalização, para uma consciência da missão, para uma pastoral missionária que venha desinstalar os católicos do comodismo, da mesmice, do cansaço, da rotina. É hora de implantar um catolicismo bíblico, uma opção fundamental pela Palavra de Deus, uma catequese de iniciação cristã, uma pedagogia das pequenas comunidades e a prática da visitação permanente. Todas estas urgências pastorais encontram inspiração, força, dinamismo a partir da fé. “Se não crerdes, não podereis subsistir” (Is. 7,9).
5-A desumanização. Crescemos economicamente e teologicamente, mas, involuimos ética e espiritualmente. Eutanásia, aborto, assaltos, mortes no trânsito, maus tratos e crianças, idosos, mulheres, assassinato de jovens, discriminação e exclusão de índios, negros e pobres, caracterizam a desumanização atual.
O Ano da fé quer ser uma resposta, uma luz e bússola para estes e outros problemas e crises da Igreja e da sociedade. A fé abre novos horizontes, aponta caminhos, oferece soluções para as pessoas, as comunidades e a sociedade.
Dom Orlando Brandes
Folha de Londrina, 9 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Ano da Fé

Marco para o Ano da Fé

O ano da fé começou! Este é o ano em que o Papa Bento XVI escolheu para, mais uma vez[1], chamar os cristãos a se aprofundarem e degustarem um pouco mais a própria fé. Para entendermos mais sobre esse ano da fé voltemos ao ano de 1961 quando o Papa João XXIII, em sua bula papal “Humanae salutis” convoca o Concílio Vaticano II. Ele, que era um homem de pouca expressão teológica e foi eleito para um papado de transição teve coragem e, obviamente, guiado pelo Espírito Santo convocou esse concílio para renovar a Igreja, pensar uma nova forma de explicar teológica e pastoralmente a doutrina da Igreja. Quanta coragem!
No dia 11 de outubro de 1962, na Praça São Pedro, este homem corajoso faz o discurso de abertura do Concílio Vaticano II que só terminaria no dia 08 de dezembro de 1965. Este concílio deixou para a Igreja grandes questionamentos, apresentou uma Igreja muito mais perto dos fiéis, um Reino feito para os seus fiéis. Nasceram do CVII quatro grandes documentos chamados Constituições, são elas: Dei Verbum (sobre a Revelação Divina), Lumen Gentium (sobre a Igreja), Sacrosanctum Concilium (sobre a Sagrada Liturgia) e Gaudium et Spes (sobre a Igreja no Mundo Atual).
O Concílio Vaticano II chamou o povo a romper as barreiras e “entrar” na vida da Igreja, uma Igreja do povo, um “Povo de Deus”. Especialmente no coração dos bispos reunidos no Sínodo de comemoração dos 20 anos de encerramento do Concílio Vaticano II, em 1985, o CVII despertou um desejo profundo de apresentar ao povo a doutrina da Igreja Católica e, presidido pelo então cardeal Joseph Ratzinger, formou-se uma comissão que, em 11 de outubro de 1992, entregou à comunidade o Catecismo da Igreja Católica.
Hoje, comemorando 50 anos de abertura do Concílio Vaticano II e os 20 anos de lançamento do Catecismo da Igreja Católica todos nós somos chamados atravessar a porta da fé e ir como a samaritana ao poço e beber na fonte onde jorra água viva.[2] Beber da água viva é o fundamento para redescobrirmos o caminho da fé e fazermos brilhar a alegria e o renovado entusiasmo de encontro com Cristo. Esse é o caminho da Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã.[3]
A experiência do encontro com Cristo é o elemento central da espiritualidade, para tanto se faz necessário o desejo. O encontro com Cristo precisa ser objeto de desejo e não de necessidade, um desejo gerador da fé. A fé gerada cresce quando é vivida como experiência de um amor recebido, um único amor, o Amor de Deus, o qual devemos comunicar como experiência de graça e de alegria.
Ter fé é acreditar em uma certeza não mensurável, muito menos demonstrável, mas crer que podemos pedir e receberemos, buscar e encontraremos. (Mt 7,7). É ter confiança que a vida tem uma finalidade, por mais complicada que possa parecer. É pela fé que discernimos nos acontecimentos, nas aspirações a presença de Deus.[4] É ter a certeza de que pela fé nos sentimos salvos. Essa é a fé que a Igreja nos chama a redescobrir nesse ano, uma fé que nos torna fecundos e nos impele a evangelizar.
Para que nossa fé não seja como palha seca, mas que realmente incendeie nossos corações e, consequentemente os corações daqueles ao nosso redor, precisamos redescobrir os conteúdos da fé que professamos, celebramos, vivemos e rezamos. Esse conhecimento pode ser encontrado em um subsídio precioso, o Catecismo da Igreja Católica. Ele [catecismo] apresenta o desenvolvimento da fé, a construção da fé e sua relação com o cotidiano do homem.
Por tudo isso a Congregação da Doutrina da Fé em sua nota com indicações para o Ano da Fé propõe a nós fiéis, que vejamos o ano da fé como uma oportunidade de nos tornarmos capazes de indicar a “porta da fé”, portanto, aproveitemos o ano fé e, especialmente a Jornada Mundial da Juventude que acontecerá no Rio de Janeiro, para oferecermos aos nossos jovens o conhecimento dos conteúdos da nossa fé.[5]

 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

ANO DA FÉ


INDULGÊNCIA PLENÁRIA NO ANO DA FÉ



Com o inicio do Ano da o Santo Padre Bento XVI concederá a indulgência plenária aos fiéis durante o Ano da Fé, a qual é válida a partir de hoje  data abertura (11 de outubro de 2012) até a data de encerramento (24 de novembro de 2013), conforme consta em decreto, com a assinatura do cardeal Manuel Monteiro de Castro, penitenciário-mor, e do bispo Krzysztof Nykiel, regente da Penitenciaria Apostólica. 
"No dia do cinquentenário da abertura solene do concílio Vaticano II”, lê-se no decreto, “o Sumo Pontífice Bento XVI estabeleceu o início de um ano especialmente dedicado à profissão da verdadeira fé e à sua correta interpretação, através da leitura, ou melhor, da meditação piedosa dos Atos do Concílio e dos artigos do Catecismo da Igreja Católica".
"Uma vez que se trata principalmente de desenvolver a santidade de vida no mais alto grau possível nesta terra, e de conquistar assim o mais alto grau de pureza da alma, será de muita valia o grande dom das indulgências, que a Igreja, em virtude do poder conferido a ela por Cristo, oferece a todos aqueles que, com as disposições necessárias, satisfazem os requisitos especiais para alcançá-las".
"Ao longo de todo o Ano da Fé, anunciado para começar em 11 de outubro de 2012 e durar até findo o dia 24 de novembro de 2013, poderão ganhar a indulgência plenária da pena temporal pelos próprios pecados, concedida pela misericórdia de Deus, aplicável em sufrágio às almas dos fiéis defuntos, todos os fiéis verdadeiramente arrependidos, devidamente confessados, em comunhão sacramental, que rezarem pelas intenções do Sumo Pontífice:
a) Sempre que participarem de pelo menos três momentos de pregação durante as Santas Missões, ou de pelo menos três palestras sobre os atos do concílio Vaticano II e sobre os artigos do Catecismo da Igreja Católica, em qualquer igreja ou local adequado;
b) Sempre que visitarem, na forma de peregrinação, qualquer basílica papal, uma catacumba cristã, uma catedral, um lugar sagrado designado pelo ordinário local para o Ano da Fé (por exemplo, entre as basílicas menores e os santuários dedicados à Santíssima Virgem Maria, aos santos apóstolos e aos santos padroeiros) e ali participarem de qualquer função sagrada ou, pelo menos, dedicarem um tempo adequado de recolhimento para orar e meditar piedosamente, terminando com a oração do pai-nosso, o credo em qualquer forma legítima, as invocações à Virgem Maria e, conforme o caso, aos santos apóstolos ou padroeiros;
c) Sempre que, nos dias determinados pelo ordinário local para o Ano da Fé (por exemplo, nas solenidades do Senhor, da Santíssima Virgem Maria, nas festas dos santos apóstolos e padroeiros, na Cátedra de São Pedro), assistirem, em qualquer lugar sagrado, a uma celebração solene da eucaristia ou à liturgia das horas, acrescentando a profissão de fé em qualquer forma legítima;
d) um dia, livremente escolhido, durante o Ano da Fé, para a visita piedosa do batistério ou de outro local em que tenham recebido o sacramento do Batismo, desde que renovem as suas promessas batismais em qualquer fórmula legítima.
Os bispos diocesanos ou e paroquiais, e aqueles que no direito são equiparados a eles, no dia mais apropriado deste tempo, em ocasião da celebração principal (por exemplo, 24 de novembro de 2013, Solenidade de Cristo Rei, com a qual será encerrado o Ano da Fé), poderão conceder a bênção papal com a indulgência plenária, que pode ser obtida por todos os fiéis que devotamente a receberem.
O decreto termina recordando que todos os fiéis que, "devido a razões de doença ou por causa de graves motivos", não puderem sair de casa, poderão ganhar a indulgência plenária "se, unidos em espírito e em pensamento com os fiéis presentes, particularmente nos momentos em que as palavras do Sumo Pontífice ou dos bispos diocesanos forem transmitidas pela televisão ou pelo rádio, recitarem o pai-nosso em sua casa ou no local onde se acharem devido aos motivos de força maior que ali os retêm, bem como ainda recitarem a profissão de fé em qualquer forma legítima e as outras orações conformes com os objetivos do Ano da Fé, fazendo oferecimento dos seus sofrimentos e das dificuldades da própria vida.

ANO DA FÉ

 

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Ano da fé é tempo propício
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O Papa Bento XVI decidiu proclamar um Ano da Fé. Todos nós, os católicos, devemos participar desse ano com "todo seu coração, com toda sua alma e com todo seu entendimento" (Mt 22,37). Mas qual é o sentido do Ano da Fé? A fé ainda tem espaço em nossa cultura secularizada? Em um mundo cheio de misérias, fome, guerras, onde Deus parece não ter lugar e nem vez, não seria uma alienação proclamar um Ano da Fé? Para que serve a fé?
Esses e outros interrogantes são propostos aos cristãos. Respondê-los se faz necessário para todos os que desejam viver sua fé com consciência, e não apenas como uma herança de seus pais e avós, esquecida e guardada em um canto perdido da própria vida, e que não possui nenhuma incidência concreta no modo de viver, pensar, ser e relacionar-se.
O cristão diante dessa problemática não se cala e nem deve se calar. Devemos descobrir na oração os desígnios de Deus e dar respostas adequadas. Gostaria de convidá-los a percorrer comigo um itinerário que nos leve a descobrir o significado, importância e necessidade do Ano da Fé.
O Ano da Fé significa agradecer
O ser humano, em seu estado natural, possui inteligência e vontade com potencialidades infinitas. A beleza que surge das mãos dos homens é um reflexo da beleza que surge das mãos do Criador. No entanto, não quis Deus que o homem permanecesse apenas em seu estado natural e nos deu o dom da fé.
O dom da fé e da graça eleva o homem ao estado sobrenatural, somos filhos de Deus (1Jo 3,1). Neste estado podemos dizer como São Paulo: "Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim" (Gal 2,20). O estado sobrenatural não está em conflito com o estado natural. A graça não destrói a natureza, a supõe, eleva e aperfeiçoa.
A fé nos eleva a uma condição superior, mas não de superioridade. É na vivência profunda da fé que o homem se encontra completamente consigo mesmo e com o outro, e realiza plenamente a vocação a que foi chamado.
Cristo é nosso Senhor e nos convida a contemplar o mundo e seus irmãos com novos olhos. A fé, bem acolhida e cultivada, nos oferece uma lente que permite perceber a realidade com o coração de Deus. Por isto, o cristão não é indiferente aos assuntos do mundo. O sofrimento e a dor que assolam a humanidade devem ser sentidos, sofridos e compadecidos com maior intensidade por aqueles que se declaram apóstolos de Cristo. É com o amor de Deus que amamos o mundo.
A fé não é alienação, ao contrário, é trazer ao mundo um pouco do divino, é lapidar a beleza da criação muitas vezes escondida pela nuvem do pecado. A verdadeira alienação é não acolher, cultivar e promover o dom da fé. A busca de infinito que permeia o coração humano encontra nela seu porto seguro, pois somente através desse magnífico dom descobrimos quem realmente somos. Como dizia Santo Agostinho: "Fizeste-me para Ti, Senhor, e o meu coração inquieto está enquanto não descansa em Ti" (Confissões, l.1, n.1). Elevemos todos uma oração de agradecimento a Deus pelo dom da fé que nos enriquece, fazendo-nos mais humanos e filhos de Deus.
No Ano da Fé é necessário dar razões
São Pedro, em sua epístola, nos convida a dar razões de nossa esperança. "Estai sempre prontos a responder para vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança, mas fazei-o com suavidade e respeito." (1Pe. 3,15)
Não basta celebrar. A verdadeira ação de graças ao Senhor exige que desenvolvamos o dom recebido. A fé é a resposta que o coração humano naturalmente anseia encontrar. No entanto, o dom da fé não exclui a necessidade de utilizar o dom da razão para compreender melhor os mistérios revelados por Deus, de fazê-los compreensíveis e acessíveis ao homem em cada momento histórico. Existe a inteligência da fé que deve ser, unida à luz da graça, desenvolvida, a fim de que cada cristão possa aderir com maior liberdade às verdades reveladas.
Só a partir de uma livre, consciente e renovada adesão à própria fé haverá plena responsabilidade na vivência e testemunho desse dom. É aqui onde dom e resposta, graça divina e liberdade humana devem se dar as mãos para que a fé possa cair em terra fértil, semear e dar frutos em abundância.
Esforcemo-nos por conhecer profundamente a fé que professamos. Criemos grupos de estudos e reflexão, estudemos nossa história.
Possuímos um instrumento maravilhosamente privilegiado para esta finalidade: o Catecismo da Igreja Católica, que se apresenta também no formato de compêndio e no formato para jovens, o YouCat, lançado na Jornada Mundial da Juventude em Madri. Todos são fontes riquíssimas para alimentar nossa alma e nossa inteligência. Temos também o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, os documentos do Concílio Vaticano II, as encíclicas papais e, acima de tudo, a Sagrada Escritura.
Utilizemos as ferramentas que a sociedade moderna nos oferece para nos atualizarmos, conhecermo-nos e encontrarmo-nos. É louvável a iniciativa de diversos grupos de jovens que, na impossibilidade de encontrar-se fisicamente com frequência, utilizam os bate-papos, os grupos que as diversas mídias sociais oferecem. Desejo, vivamente, que estes grupos se multipliquem. É importante que estejam guiados por uma pessoa ou que tenham um moderador ou consultor com conhecimentos filosóficos e teológicos, que iluminem e ajudem a entender melhor a própria fé.
Pelo batismo, somos, desde já, cidadãos do Céu, mas devemos ser conscientes dessa tão alta dignidade. Não devemos nos acanhar diante dos desafios que o mundo apresenta. A Igreja não possui apenas dois mil anos de história, mas ela e, consequentemente cada um de nós que estamos em comunhão com a Igreja, possuímos a assistência do Logos Divino, da sabedoria eterna, que nos é dada através dos dons do Espírito Santo. Não devemos ter medo de dialogar com o mundo contemporâneo. É nossa missão evangelizar a cultura. Como afirma Bento XVI, "a Igreja nunca teve medo de mostrar que não é possível haver qualquer conflito entre fé e ciência autêntica, porque ambas, embora por caminhos diferentes, tendem para a verdade."(Porta Fidei, nº 12). Sejamos os promotores da Verdade na caridade, e da caridade na Verdade.
No Ano da Fé é importante proclamar
Bento XVI, com muita sabedoria, alerta que muitos cristãos sentem "maior preocupação com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária" (Porta Fidei, nº 2). Diante dos desafios que nos apresentam a sociedade secularizada, nossa primeira reação é lançar-nos a fazer algo.
Desejamos, justificadamente, e nos esforçamos, com boas intenções, por unir pessoas, grupos e entidades para combater aquilo que consideramos como nocivo ao cristianismo e à humanidade.
Considero importantes todas as iniciativas que visam promover nossa fé e incidir positivamente na sociedade, e que contenham o avanço do mal que se alastra em nossa cultura. Mas, o que seriam dessas iniciativas de luta e de força, de combate e embate sem a fé? Não vejo os primeiros cristãos se conjurando para dominar as instituições através da força e do poder. A ação mais importante e fecunda de nossos primeiros irmãos foi, a partir da experiência que nasce do encontro pessoal com Cristo, testemunhar com a própria vida que Deus existe. Os pagãos se sentiam atraídos pela beleza da fé católica e pela caridade com que viviam os primeiros cristãos, e chegavam a exclamar: "Vede como se amam" (Tertuliano, Apol., nº 39).
É na caridade, na alegria, no entusiasmo e na felicidade da vivência de nossa fé que iremos permear o mundo da esperança e do amor cristão. É no respeito, no diálogo aberto, sincero e inteligente que construiremos pontes entre a fé e o mundo contemporâneo. Já existem muitos muros!
Aprendamos a difícil arte de escutar, entender, compreender e defender sem medo nossa fé, com serenidade e respeito.
A evangelização e nossas ações sociais só produzirão efeito a partir do momento em que cada cristão tiver um encontro pessoal com Cristo.
Nossa fé não é fruto de uma decisão, mas de um encontro, e só a partir desse encontro nossa evangelização será uma luz que atrai por sua beleza divina.
Onde se realiza esse encontro? Não se é cristão sozinho. O ser humano é um ser social por natureza. É na comunidade de fé e na Igreja, como custódia dos sacramentos de Cristo, que encontraremos, renovaremos e promoveremos nossa fé. Só podemos nos dizer plenamente cristãos se encontrarmos nossos irmãos na oração, na eucaristia e na reconciliação.
Sem comunidade não há família cristã. É através do mistério do Corpo Místico de Cristo onde toda a Igreja se encontra. É na liturgia e nos sacramentos que toda ação tem sentido. "Sem a liturgia e os sacramentos, a profissão de fé não seria eficaz, porque faltaria a graça que sustenta o testemunho dos cristãos" (Porta Fidei, nº 11).
É na vivência comunitária de nossa fé que encontramos o amor de Cristo. "Caritas Christi urget nos - o amor de Cristo nos impele" (2 Cor 5, 14). O Papa afirma que "é o amor de Cristo que enche os nossos corações e nos impele a evangelizar. Hoje, como outrora, Ele envia-nos pelas estradas do mundo para proclamar o seu Evangelho a todos os povos da Terra (cf. Mt 28, 19)" (Porta Fidei, nº 7).
O amor de Deus cria! A palavra criação possui a mesma raiz grega da palavra poesia (poietés). Assim, Deus é o verdadeiro poeta e nós somos um poema de Deus. Por isso, é impossível não ficar admirando, contemplando o sol que nasce no horizonte, ou a lua cheia que cresce por trás dos montes. A natureza são versos divinos que nos remetem a Deus. Aqui, em nossa Cidade Maravilhosa, temos o momento e local para aplaudir o pôr do sol. No entanto, afirmo que não há maior milagre e poesia mais bela do que o olhar e o sorriso de um cristão que vive no mundo com coerência, simplicidade e entusiasmo a sua fé.
O católico tocado pela fé é uma das provas e evidências mais fortes da existência de Deus. Quando conheço um cristão coerente, vejo um milagre da criação. Vejo Deus na Terra e percebo que não há trevas que possam invadir um mundo dominado pela luz da fé, pelo sal do testemunho e pelo bálsamo da caridade. Em cada um de nós, de certo modo, se realizam de maneira plena as palavras de Cristo: "Eu estarei convosco todos os dias, até o fim dos tempos (Mt 28,20).
Peçamos a Jesus a graça de viver nossa fé com toda nossa alma, com todo nosso coração e com todo nosso entendimento. Só assim seremos o que temos de ser e transformaremos o mundo. Só em Cristo, por Cristo e com Cristo conseguiremos transmitir os tesouros de nossa fé e incidir positiva e efetivamente na sociedade. Não tenhamos medo de falar daquilo que preenche nosso coração; não tenhamos medo de falar d'Aquele que dá um sentido último às nossas vidas. Subamos nos telhados e nos preparemos para anunciar com amor que o amor existe, se fez carne e habita em nós e está entre nós.
Preparemo-nos, através da oração, da adoração, da eucaristia, da reconciliação e da missão pessoal e comunitária para o Ano da Fé, que coincidirá, para o nosso júbilo, com a preparação e a realização da JMJ Rio 2013!
Dom Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo do Rio de Janeiro

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Dúvidas sobre o Ano da Fé?




O Site ZENIT, em virtude da proximidade da abertura no Ano da Fé, publicou um artigo contendo 9 perguntas e respostas sobre este importante evento de nossa Igreja.

Vale a pena conferir! Fique por dentro!
 
9 perguntas sobre o Ano da Fé

1. O que é o Ano da Fé?
O Ano da Fé "é um convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo" (Porta Fidei, 6).

2. Quando se inicia e quando termina?
Inicia-se a 11 de outubro de 2012 e terminará a 24 de novembro de 2013.

3. Por que nessas datas?
Em 11 de outubro coincidem dois aniversários: o 50º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II e o 20º aniversário da promulgação do Catecismo da Igreja Católica. O encerramento, em 24 de novembro, será a solenidade de Cristo Rei.

4. Por que é que o Papa convocou este ano?
Enquanto que no passado era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes setores da sociedade, devido a uma profunda crise de fé que atingiu muitas pessoas". Por isso, o Papa convida para uma "autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo". O objetivo principal deste ano é que cada cristão "possa redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo".

5. Quais meios assinalou o Santo Padre?
Como expos no Motu Proprio "Porta Fidei": Intensificar a celebração da fé na liturgia, especialmente na Eucaristia; dar testemunho da própria fé; e redescobrir os conteúdos da própria fé, expostos principalmente no Catecismo.

6. Onde terá lugar?
Como disse Bento XVI, o alcance será universal. "Teremos oportunidade de confessar a fé no Senhor Ressuscitado nas nossas catedrais e nas igrejas do mundo inteiro, nas nossas casas e no meio das nossas famílias, para que cada um sinta fortemente a exigência de conhecer melhor e de transmitir às gerações futuras a fé de sempre. Neste Ano, tanto as comunidades religiosas como as comunidades paroquiais e todas as realidades eclesiais, antigas e novas, encontrarão forma de fazer publicamente profissão do Credo".

7. Onde encontrar indicações mais precisas?
Numa nota publicada pela Congregação para a doutrina da fé.

Aí se propõe, por exemplo:

- Encorajar as peregrinações dos fiéis à Sede de Pedro;
- Organizar peregrinações, celebrações e reuniões nos principais Santuários.
- Realizar simpósios, congressos e reuniões que favoreçam o conhecimento dos conteúdos da doutrina da Igreja Católica e mantenham aberto o diálogo entre fé e razão.
- Ler ou reler os principais documentos do Concílio Vaticano II.
- Acolher com maior atenção as homilias, catequeses, discursos e outras intervenções do Santo Padre.
- Promover transmissões televisivas ou radiofônicas, filmes e publicações, inclusive a nível popular, acessíveis a um público amplo, sobre o tema da fé.
- Dar a conhecer os santos de cada território, autênticos testemunhos de fé.
- Fomentar o apreço pelo patrimônio artístico religioso.
- Preparar e divulgar material de caráter apologético para ajudar os fiéis a resolver as suas dúvidas.
- Eventos catequéticos para jovens que transmitam a beleza da fé.
- Aproximar-se com maior fé e frequência do sacramento da Penitência.
- Usar nas escolas ou colégios o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica.
- Organizar grupos de leitura do Catecismo e promover a sua difusão e venda.

8. Que documentos posso ler por agora?
- O motu proprio de Bento XVI "Porta Fidei"
- A nota com indicações pastorais para o Ano da Fé
- O Catecismo da Igreja Católica
- 40 resumos sobre a fé cristã

9. Onde posso obter mais informação?
Visite o site annusfidei.va

(Fonte: http://www.opusdei.org.br/art.php?p=50231)

Fonte: http://www.zenit.org/article-31424?l=portuguese

terça-feira, 28 de agosto de 2012

ANO DA FÉ

Mergulhou na eternidade

O filme “Homens e Deuses” (Xavier Beauvois, 2010) conta os últimos dias de sete monges trapistas, assassinados em Tibhirine (Argélia). Na última cena, os mártires, custodiados por seus algozes, caminham para a morte, até perder-se de vista na escuridão da noite. O filme ganhou a palma d’ouro no festival de Cannes do ano 2010.
A morte dos mártires é sempre uma reedição da morte de Jesus. Sua glorificação, na terra, é um testemunho da nossa fé na ressurreição do Senhor. Como Jesus passou do horror da Cruz à luz da Ressurreição, assim também os mártires passam da escuridão da noite para a glória do martírio.
A história de Jesus poderia terminar com o relato de sua morte e ressurreição. Mas São Lucas, autor do livro dos Atos dos Apóstolos, previu que as crianças, na catequese, perguntariam: “Que aconteceu depois? Para onde foi Jesus? E onde está agora?” Então, Lucas acrescentou uma bela página à história de Jesus, contando o mistério da Ascensão do Senhor.
O símbolo apostólico diz que Jesus subiu aos céus e está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso. “Quarenta dias” após a Ressurreição, Jesus reuniu os discípulos no monte das Oliveiras e “elevou-se à vista deles”, até que uma nuvem o ocultou (At 1,9). Lucas já tinha contado a Ascensão de Jesus no seu evangelho (Lc 24,51), e até Marcos, no final do seu, tinha dito que o Senhor Jesus, depois de falar com os discípulos, “foi levado ao céu” (Mc 16,19).
O mistério da Ascensão não deve ser entendido como um “acontecimento geográfico”. Os textos bíblicos e a tradição da Igreja expressam o mistério com linguagem simbólica: “Subir ao céu”, “elevar-se” e ser ocultado pela “nuvem” são belas imagens. Mas nós poderíamos expressar o mesmo mistério com outras imagens: Jesus mergulhou na eternidade, entrou na vida que não terá fim, desceu até o abismo inefável do amor de Deus.
Quanto à frase “está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso”, muitos padres e até alguns folhetos litúrgicos evitam chamar a Deus de “eterno” e “todo-poderoso”. Preferem dizer “Deus de bondade”, “Pai misericordioso”, etc. Na verdade, a “onipotência divina” consiste na força infinita do seu amor, capaz de atrair nosso coração, mas respeitando sempre a nossa liberdade. Deus é todo-poderoso, sim, mas com a suavidade infinita do seu amor. Pela sua Ascensão, Jesus mergulhou neste mistério de amor eterno e todo-poderoso.
Pe. Luis González-Quevedo, sjluisquevedosj@gmail.com

ANO DA FÉ

Ele ressuscitou

No Símbolo Apostólico, confessamos que Jesus, morto e sepultado, “desceu à mansão dos mortos” e “ressuscitou ao terceiro dia”.
Para os antigos israelitas, o Sheol, a “morada dos mortos”, era um abismo sombrio, onde já não se podia louvar o Senhor, nem fazer o bem. Os salmistas suplicam ao Criador que não os deixe cair nessa região tenebrosa: “acaso criaste para nada todos os homens? Quem é que pode viver e não ver a morte? Quem pode livrar sua alma do poder do abismo?” (Sl 89[88], 48-49).
Também os gregos acreditavam que ninguém poderia escapar do Hades, o equivalente grego do Sheol. Por isso, riram de Paulo quando ele lhes falou da ressurreição dos mortos (At 17,32). Paulo transmitiu o que ele mesmo tinha recebido: “que Cristo morreu pelos nossos pecados (...) foi sepultado e, ao terceiro dia, foi ressuscitado” (1Cor 15,3-4). Tal é o centro da mensagem cristã. Acreditando nesse kerygma, viveram e morreram, ao longo dos séculos, , ao longo dos séculos os apóstolos, os mártires, as virgens e os confessores da fé cristã.
A ressurreição do Senhor Jesus é atribuída a Deus Pai. Só a onipotência divina poderia fazer passar a carne humana, corruptível, para a vida eterna incorruptível. Mas, como o Espírito Santo é mediador de toda a obra da salvação, pode também ser-lhe atribuída a ressurreição (cf. Rm 8,11).
Se Cristo não tivesse ressuscitado, a nossa fé não teria fundamento. Todas as gerações cristãs teriam vivido e morrido à toa, engolidas para sempre pelo “buraco negro” da morte. Mas, “Cristo ressuscitou dos mortos” – proclama Paulo – “primícias dos que morreram” (1 Cor 15,20).
Para todos os pagãos, de ontem e de hoje, a morte é mais forte do que a vida. Ela acabaria vencendo sempre. Para nós, cristãos, não é a vida que é engolida pela morte, mas a morte a que foi tragada pela vitória do Ressuscitado. Paulo confirma: “onde está, ó morte, a tua vitória, onde está, ó morte, o teu aguilhão?” O aguilhão da morte é o pecado (1 Cor 15,54-56).
O pecado consiste em querer-viver-só-para-si, fechando-se ao Outro e aos outros. Na vida e na morte de Jesus, por amor, a carne humana aprendeu a sair-de-si e a viver e morrer para algo ou Alguém, que vale mais do que esta vida terrena.
O teólogo von Balthasar escreveu que, a partir da morte e da ressurreição de Jesus, tudo o que é humano, a nossa vida e a nossa morte, está envolvido e abrigado numa vida que já não conhece limites.
Pe. Luis González-Quevedo, sj

ANO DA FÉ


Paixão de Amor

Jesus Cristo, nascido da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado. Antes de ser objeto de nossa fé, a morte de Jesus na cruz foi um fato histórico brutal, testemunhado por historiadores romanos e judeus. Mas por que teve que sofrer tanto o “Bom Jesus”?
A resposta de nossa fé é conhecida: Cristo morreu para nos salvar. Lembro-me de um motorista de praça que, sabendo que eu era padre, perguntou-me “qual é o maior santo?” Eu respondi: “O maior santo é Jesus”. Ele comentou: “Sim, porque morreu por nós!”
O comentário do motorista conserva o essencial da fé da Igreja apostólica: o kerigma, isto é, a “mensagem” cristã primitiva. Por volta do ano 56 da era cristã, São Paulo escreve aos coríntios: “Eu vos transmiti o que eu mesmo recebi: Cristo morreu por nossos pecados” (1 Cor 15,3).
O homem e a mulher de nossos dias, imersos em uma cultura secularizada têm dificuldade em aceitar que Jesus Cristo morreu por causa deles. No início deste ano, o Papa disse que "em grandes regiões do mundo a fé corre o risco de se apagar como uma chama que já não encontra alimento. Estamos enfrentando uma profunda crise de fé, uma perda do sentido religioso, que é o maior desafio para a Igreja hoje”.
A preparação do Ano da Fé é um momento propício para aproximar a fé cristã dos homens e mulheres de hoje. Como? De que maneira? Sem dúvida pela experiência do amor de Deus, que nos foi revelado por Jesus Cristo, crucificado e ressuscitado. Com efeito, Deus se encarnou e veio à terra para que todo ser humano se saiba amado. As pessoas, hoje, não menos do que ontem, têm necessidade de saber que alguém as ama. A mensagem cristã vem ao encontro desta necessidade humana.
“Tanto amou Deus o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crê não morra, mas tenha vida eterna” (Jo 3,16). Jesus, “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1), até o extremo de entregar a própria vida. Ele morreu, para que nós vivamos uma vida nova, eterna, sem fim.
A palavra “paixão” tem dois sentidos: a) sofrimento, padecimento; b) amor apaixonado. Na Paixão de Cristo convergem os dois sentidos: Cristo padeceu a mais cruel das mortes, por amor à humanidade. Eu faço parte desta humanidade pecadora. Logo Cristo morreu por mim, pelos meus pecados.
Um padre da Igreja antiga disse que, em Jesus Crucificado, “Deus sofre uma paixão de amor” (Orígenes).
Pe. Luis González-Quevedo, sj

ANO DA FÉ


Nasceu da Virgem Maria

A grande tradição católica (tanto no Oriente como no Ocidente) cunhou a expressão: “a sempre Virgem Maria”. Santo Agostinho diz que Maria “permaneceu Virgem ao conceber seu Filho, Virgem ao dá-lo à luz, Virgem ao carregá-lo, Virgem ao alimentá-lo no seu seio, Virgem sempre”.
Pelo contrário, as igrejas protestantes, em geral, não aceitam a virgindade de Maria. Elas invocam a expressão “os irmãos e as irmãs de Jesus”, como prova de que Maria teria tido outros filhos, além de Jesus. Ora, essa expressão, que aparece nos Evangelhos, pode ser entendida, no contexto semítico, como designando os parentes próximos de Jesus.
O biblista Frei Carlos Mesters diz que tanto os católicos como os protestantes têm argumentos tirados da Bíblia e da tradição de suas respectivas Igrejas, mas diz também que não adianta discutir a questão só com argumentos racionais. Trata-se de convicções profundas, que têm a ver com a fé e com os sentimentos religiosos de cada um: “Argumento só de cabeça não consegue desfazer uma convicção do coração! Apenas irrita e afasta!”
Respeitemos, pois, a opinião dos nossos irmãos protestantes, mas exijamos que eles respeitem a nossa fé. E não permitamos ofensas à Virgem Maria, como o chute que um infeliz pastor deu na imagem de N. Sra. Aparecida, Padroeira do Brasil.
Em lugar de brigar entre si, todos os cristãos (católicos, ortodoxos e protestantes) deveriam se unir em defesa da vida, da justiça e da paz. O próprio Jesus, Filho de Maria, rezou a Deus, seu Pai, para “que todos sejam um (...) a fim de que o mundo creia que Tu me enviaste” (Jo 17,21).
A partir do Concílio Vaticano II, de cuja abertura este ano celebraremos o 50º aniversário, a Igreja Católica assumiu uma atitude “ecumênica”, de bom relacionamento com as Igrejas cristãs não católicas. Mas, o mesmo Concílio, na sua Constituição dogmática sobre a Igreja, proclamou que a Santíssima Virgem Maria ocupa o primeiro lugar na Igreja, por ser, de maneira eminente e singular, Virgem e Mãe (LG, 63). Veneremos Maria, Mãe de Cristo, Mãe da Igreja e nossa Mãe.

Pe. Luis González-Quevedo, sj

ANO DA FÉ

Creio em Jesus Cristo

Depois de afirmar nossa fé em Deus Pai, o Símbolo Apostólico acrescenta: “... E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor”. Aqui costumamos inclinar a cabeça, em sinal de respeito e de adoração diante do mistério. Deus se tornou homem.
Nos primeiros séculos da Igreja, houve muitas discussões sobre Jesus Cristo, até que o Concílio de Calcedônia definiu que em Jesus há duas naturezas (divina e humana), mas uma única Pessoa. Todavia, hoje, os teólogos nos apresentam diversas imagens de Jesus.
Segundo uma visão tradicional, Jesus é Deus que “desceu do Céu”. Daí o nome que se dá a essa corrente teológica de “cristologia descendente”. O Filho de Deus teria vivido nesta terra só para nos dar exemplo de humildade e de amor. Desde criança, sabia tudo e podia tudo, mas quis sofrer e morrer numa cruz, para nos salvar. Uma heresia radical chegou a dizer que Jesus, por ser Deus, não podia sofrer, apenas “parecia que sofria”. A Igreja condenou esta heresia, porque Jesus era Deus, mas era também verdadeiro homem.
Outros teólogos preferem uma “cristologia ascendente”. Segundo esta outra visão, Jesus é plenamente humano, “tão humano, tão humano que assim só podia ser Deus”. Ao “Cristo da fé”, contrapõem o “Jesus histórico”, plenamente inserido na história humana. No entanto, temos que evitar cair no extremo contrário ao anterior: Jesus teria sido um homem comum, que só no momento do Batismo recebeu o Espírito Santo e “se tornou Deus”. Não! Jesus é verdadeiro homem, mas também é verdadeiro Deus.
Afinal, qual é o verdadeiro Jesus, em quem os cristãos acreditamos? O “Jesus manso e humilde de coração” ou o “Jesus revolucionário”, com jeito de Chê Guevara?
Anos atrás, um grupo de jovens me pediu que lhes falasse de Jesus, mas do “Jesus espiritual”, não do “Jesus político”. Disse-lhes que Jesus é só um. Mas temos diversas imagens ou retratos d’Ele. A Igreja só aceita, como inspirados, quatro “retratos-falados” de Jesus: os que nos deixaram Mateus, Marcos, Lucas e João.
Nos quatro Evangelhos encontramos as lembranças de Jesus que a primeira geração cristã guardou, com fé e amor. E com fé e amor devem ser lidos e meditados, hoje, por nós. Só assim poderemos nos tornar verdadeiros cristãos, isto é, seguidores de Jesus.
Seguir Jesus supõe aderir à sua causa, identificar-se com o seu projeto, que os Evangelhos sinóticos chamam de “Reino de Deus”. Para isso, temos que entrar em um processo contínuo de “conversão”, isto é, de mudança de vida.
Padre Luis González-Quevedo, sjluisquevedosj@gmail.com

ANO DA FÉ

SUBSÍDIOS E TEXTOS
ANO DA FÉ


Creio em Deus, Creio no Amor

A quem nos perguntasse “em que acreditais os cristãos?”, nós poderíamos dizer as palavras do “Creio” ou “Símbolo Apostólico”: Creio em Deus Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra... E se nos replicassem: “Mas quem é o vosso Deus e por que o chamais de ‘Pai’, sem tê-lo visto nunca”, responderíamos: “Deus é amor (1Jo 4,8.16), e nós o chamamos de ‘Pai’, porque foi assim que Jesus nos ensinou a chamar a Deus: Abba, Papai”.
Mas como explicar que Deus seja “todo-poderoso” ou “onipotente”? “Se é ‘todo-poderoso’, por que não impede as catástrofes que acontecem neste mundo? E por que não aparece para defender a causa dos pobres, das vítimas da violência e da injustiça, das pessoas que sofrem abusos sexuais, etc.?” Quem faz tais perguntas nunca entendeu o respeito que Deus tem pelas leis da natureza, nem a liberdade que concedeu aos seres humanos.
Deus é todo-poderoso, mas escondeu seu poder na fragilidade de um recém-nascido, na humildade de Nazaré, na desolação de Getsêmani, na impotência da Cruz, no silêncio e na imensidão do Universo.
Acostumados a que os grandes deste mundo dominem os outros, fazendo-lhes sentir seu poder (cf. Mt 20,25), custa-nos entender que Deus, sendo o Criador de tudo quanto existe, seja tão humilde e discreto.
Os filósofos perguntam: por que existimos? Que sentido tem esta vida? Em que podemos acreditar? Os cientistas constatam que o mundo em que vivemos começou com uma imensa explosão (o Big Bang). Mas, o que existia antes dessa explosão e por que aconteceu? Os nossos conhecimentos científicos não podem responder a todas nossas perguntas.
A ciência explica os fenômenos, mas não a causa primeira ou o sentido final de tudo o que existe. A fé judaico-cristã afirma que este universo imenso em que habitamos foi criado por um Deus que nos ama e quer a nossa felicidade. A ciência e a fé, bem entendidas, não se contrapõem, mas se complementam. “A ciência sem religião está manca. A religião sem ciência está cega” (Einstein).
O único que pode dar um sentido total à existência humana é o amor de Deus. Existir é ser amado por Deus. Cada um de nós, na sua pequenez e fragilidade, é uma pequena faísca da imensa obra criadora de Deus. “Nós não somos o produto casual e sem sentido da evolução. Cada um de nós é o fruto de um pensamento de Deus. Cada um de nós é querido, cada um de nós é amado, cada um é necessário” (Bento XVI).
Luís González-Quevedo, sj
<luisquevedosj@gmail.com>

terça-feira, 21 de agosto de 2012

ANO DA FÉ

SUBSÍDIOS E TEXTOS
ANO DA FÉ


Crer, confiar e amar...

A Igreja realizará um “Ano da Fé”, entre os dias 11 de outubro deste ano e 24 de novembro de 2013. O anúncio foi feito por Bento XVI em um encontro organizado pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização.
O Ano da Fé comemorará o 50º aniversário da abertura do Concílio Vaticano II. “Será um momento de graça – disse o Papa - e de compromisso por uma conversão a Deus cada vez mais plena, para reforçar a nossa fé n’Ele e para anunciá-lo com alegria aos homens e mulheres de nosso tempo”.
O Concílio Vaticano II nos deixou a renovada consciência de que a Igreja somos todos os batizados. Todos nós somos responsáveis pela evangelização do mundo, que é a principal tarefa ou missão da Igreja. Mas muitos batizados parecem ter esquecido seu dever de evangelizar. Por isso, o próximo Sínodo dos Bispos, a realizar-se este ano em Roma, terá por tema a “Nova Evangelização”. Já João Paulo II tinha falado da necessidade de anunciarmos o Evangelho com “novo ardor missionário”.
O Ano da Fé será uma boa ocasião para examinarmos e fortalecermos a nossa fé. Comecemos por esclarecer o que entendemos por “fé”. A fé cristã, em sentido objetivo, é um conjunto de proposições, resumidas no “Creio” ou “Símbolo Apostólico”. Mas a fé, em sentido subjetivo, é uma particular atitude diante da vida, do mundo e da história.
A fé consiste em uma atitude de confiança amorosa. É a atitude da criança que, sabendo-se amada por seus pais, confia plenamente na palavra deles. Jesus disse que “quem não receber o Reino de Deus como uma criança não entrará nele” (Lc 18,17). Mas, será que é justo e até possível que um adulto tenha a confiança de uma criança, neste mundo tão injusto? Confiar assim nos homens, não é possível, mas em Deus, sim!
Sim, nós cremos nas verdades contidas no Símbolo Apostólico, não porque confiemos nos homens, que tantas vezes nos decepcionaram, ao longo da história da Igreja. Nós cremos no conteúdo da fé cristã, porque confiamos em Deus, no Deus que se nos revelou em Jesus Cristo. Cremos, porque confiamos em Deus; e confiamos em Deus, porque sabemos que Ele nos ama e merece todo o nosso amor.
Na minha infância, aprendi do meu pai um ato de fé, de esperança e de caridade, que ainda hoje gosto de repetir: “Senhor, creio em Vós, porque sois a Verdade absoluta; espero em Vós, porque sois fiel às vossas promessas; e vos amo, porque sois infinitamente digno de ser amado”.

Luís González-Quevedo, sjluisquevedosj@gmail.com


14/05/2012 - 10:54

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Ano da Fé - parte 4



QUEM É DEUS?

Aristóteles: "o homem é um ser religioso".

"Eu Sou Aquele que Sou" - Iahweh

Sl 102,27-28 - "Eles perecem, mas tu permaneces; todos ficam gastos como a roupa... mas tu existes, e teus anos jamais findarão!"

Tg1,17 - "Nele não há mudança, nem sombra de variação".

Papa Pio XII: "A inteligência humana, na aquisição destas verdades, encontra dificuldades tanto por parte dos sentidos e da imaginação como por parte das más inclinações, provenientes do pecado original. Donde vemos que os homens em tais questões, facilmente procuram persuadir-se de que seja falso ou ao menos duvidoso aquilo que não desejam que seja verdadeiro". (Humani Generis, DS 3875).

Joseph de Maistre: "Ninguém afirma: 'Deus não existe' sem antes ter desejado que Ele não exista".

A EXISTÊNCIA DE DEUS

São Tomás de Aquino - Pode-se chegar a Deus pelo uso da razão. (Suma Teológica I, q.2, a.a 1, 2, 3 e 4),

Pelas "mensagens" das criaturas e pela voz de nossa consciência podemos ter a certeza da existência de Deus, causa e fim de tudo.

"O que se pode conhecer de Deus é manifesto entre eles, pois Deus lho revelou. Sua realidade invisível - seu eterno poder e sua divindade - tornou-se inteligível desde a criação do mundo através das criaturas" (Rm 1,19-20).

O Concilio Vaticano I (1869-1870), sob Pio IX (1846-1870), declarou: "A Santa Mãe Igreja sustenta e ensina que Deus, princípio e fim de todas as coisas, pode ser reconhecido com certeza pela luz natural da razão humana partindo das coisas criadas." ( Dz 1785).

Santo Agostinho: "Interroga a beleza da terra, interroga a beleza do mar, interroga a beleza do ar que se dilata e se difunde, interroga a beleza do céu... interroga todas estas realidades. Todas elas te respondem: olha-nos, somos belas. Sua beleza é um hino de louvor. Essas belezas sujeitas à mudança, quem as fez senão o Belo, não sujeito à mudança?" (Sermão 241,2).

"Quando eu estiver inteiramente em Vós, nunca mais haverá dor e provação; repleta de Vós por inteiro, minha vida será verdadeira"  (Confissões - 10,28,39).

Concílio IV do Latrão (1215):  "entre o Criador e a criatura não se pode notar uma semelhança, sem que se deva notar entre eles uma ainda maior dessemelhança" (DS 806)

São Tomás de Aquino: "não podemos apreender de Deus o que ele é, mas apenas O que ele não é e de que maneira os outros seres se situam em relação a ele" (Suma contra os gentios, 1,30).

Sem o Criador, a criatura se esvai" (GS 36)

São Tomás de Aquino: "quanto mais o homem se afasta de Deus, mais se aproxima do seu nada".

ALGUNS ATRIBUTOS DE DEUS

 Deus é Infinito, também o são as suas faculdades.

"Mas, será verdade que Deus habite sobre a terra? Se o céu e os céus dos céus não vos podem conter quanto menos esta casa que edifiquei!" (1Rs 8,27).

"O Altíssimo, porém, não habita em casas construídas por mãos humanas. Como diz o profeta: 

"O céu é o meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés. Que casa me edificareis vós?, diz o Senhor. (Is 66,1s.)"?

DEUS É ÚNICO

Tertuliano (?220): "O Ser Supremo e Excelentíssimo precisa ser único, e não pode haver igual a Ele, porque se não for assim, Ele não seria o Ser Supremo, e como Deus é o Ser Supremo, com razão diz nossa verdade Cristã: Se Deus não é o Único, não há nenhum Deus".

Concílio Vaticano I (1870) declarou: "A Santa Igreja Católica Apostólica e Romana, crê e confessa que existe um único Deus Verdadeiro" (DZ. 1782).

"Mas, para nós, há um só Deus, o Pai, do qual procedem todas as coisas e para o qual existimos" (1 Cor 8,6).

"Ao Deus único, Salvador nosso, por Jesus Cristo, Senhor nosso, sejam dadas glória, magnificência, império e poder desde antes de todos os tempos, agora e para sempre. Amém"  (Jd 1,25).

"Há um só Deus e Pai de todos, que atua acima de todos, por todos e em todos" (Ef 4,6).

 "Ao Rei dos séculos, Deus único, invisível e imortal, honra e glória pelos séculos dos séculos! Amém". (I Tm 1,17)

DEUS É UM ESPÍRITO PERFEITÍSSIMO E ETERNO

Deus possui todas as perfeições em grau infinito.

"Deus é espírito, e os seus adoradores devem adorá-lo em espírito e verdade" (Jo 4,24).

São Tomas de Aquino afirmava a eternidade de Deus por sua absoluta imutabilidade e Sua plenitude absoluta que exclui toda sucessão (S.Th. I,10,2-3).

Deus não teve principio e não terá fim;

 Incriado, sempre existiu e sempre existirá.

Concílio IV de Latrão(1215) disse: "A Santa Igreja Católica, Apostólica Romana crê e confessa que existe um único Deus Verdadeiro, Vivo, Eterno, Imenso, Incompreensível, Infinito em Seu entendimento e vontade e em toda perfeição" (Dz. 1782).

DEUS É TODO PODEROSO, ONIPOTENTE

"Teu grande poder está sempre a teu serviço, e quem pode resistir à força de teu braço?" (Sb 11,21).

"Ele faz tudo o que quer" (Sl 115,3)

 "O Senhor Deus realiza tudo o quer tanto no céu como na terra" (Sl 134,6).

"Reconheço que tudo podes e que nenhum dos teus desígnios fica frustrado" (Jó 42,2).

"Antes que os montes, a terra e o universo tivessem sido criados, Tu existias desde a eternidade até a eternidade" (Sl 89,2).

"Para Deus nada é impossível" (Lc1, 37)

"Graças te damos, Senhor, Deus Dominador, que és e que eras, porque assumiste a plenitude de teu poder real (Ap 11,17).

DEUS É ONIPRESENTE E ONISCIENTE

"Sabeis tudo de mim, quando me sento ou me levanto. De longe penetrais meus pensamentos. Quando ando e quando repouso, vós me vedes, observais todos os meus passos. A palavra ainda me não chegou à língua, e já, Senhor, a conheceis toda. Vós me cercais por trás e pela frente, e estendeis sobre mim a vossa mão. Conhecimento assim maravilhoso me ultrapassa, ele é tão sublime que não posso atingi-lo. Para onde irei, longe de vosso Espírito? Para onde fugir, apartado de vosso olhar? Se subir até os céus, ali estareis; se descer à região dos mortos, lá vos encontrareis também" (Sl 138,2-7).

"Poderá um homem se ocultar de tal modo que eu o não veja? - oráculo do Senhor. Porventura não enche minha presença o céu e a terra? - oráculo do Senhor (Jr 23,24).

Karl Rahner:  "Deus é um instante que não passa".

Nada lhe é oculto; conhece todas as nossas realidades passadas, presentes e futuras. Tudo é presente diante dos seus olhos.

Mas não exista o destino. A onisciência de Deus não elimina nosso livre arbítrio.

"Com efeito, o Espírito do Senhor enche o universo, e ele, que tem unidas todas as coisas, ouve toda voz" (Sb 1,7).

DEUS É O CRIADOR DE TUDO

Paulo VI - Profissão de Fé: "Cremos em um só Deus - Pai, Filho e Espírito Santo - Criador das coisas visíveis - como este mundo, onde se desenrola nossa vida passageira -, Criador das coisas invisíveis - como são os puros espíritos, que também chamamos anjos -, Criador igualmente, em cada homem, da alma espiritual e imortal". (CPD, 8)

"No princípio, Deus criou os céus e a terra" (Gn 1,1).

"Respondeu-lhes Jesus: Não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher". (Mt 19,4)

 "O meu socorro virá do Senhor, criador do céu e da terra"(Sl 123,8)

"Mas o criador do mundo, que formou o homem na sua origem e deu existência a todas as coisas, vos restituirá, em sua misericórdia, tanto o espírito como a vida, se agora fizerdes pouco caso de vós mesmos por amor às suas leis'. (II Mac 13,14)

PRÊMIOS NOBEL E A VIDA

Dr. Adolf Butenandt, Prêmio Nobel em Química, em 1938, por seu trabalho sobre os hormônios sexuais: "Com o átomos de um bilhão de estrelas, o acaso cego não conseguiria produzir sequer uma proteína útil para a vida".

Dr. Marshall W. Nirenberg, Prêmio Nobel de Fisiologia - Medicina em 1968 pela interpretação do código genético e sua função na síntese das proteínas: "Todo ser vivo possui o próprio programa gravado em fitas DNA, mediante a qual se autoconstrói e a seguir funciona. Desvenda-se assim o segredo da vida. Não existe maior maravilha."

Dr. George Wald, Premio Nobel de Fisiologia - Medicina em 1967 pelas descobertas referentes aos processos visuais fisiológico e químico  no olho: "As maravilhas de nossa técnica estão a nível de brinquedos infantis, se comparadas com as da natureza."

Dr. Francis Compton Crick, Premio Nobel de Fisiologia - Medicina em 1962, por suas descobertas referentes à estrutura molecular dos ácidos nucléicos e seu significado para a transferência de informação em material vivo: "Se as fitas DNA de um homem - de um só - fossem unidas linearmente, poderiam circunscrever todo o Sistema Solar."

Dr. George Beadle, Premio Nobel de Fisiologia - Medicina, em 1958, por suas descobertas que os genes agem regulando definidos eventos químicos: "A programação nas fitas DNA ativa a célula como se fosse uma microscópica fábrica ultra automatizada e cibernética. Movimenta-a de maneira inconcebivelmente exata, veloz e bem organizada.

Dr. Jacques Monod, Prêmio Nobel, em 1965 por suas pesquisas sobre as células da vida: "Chegou-nos uma mensagem dos abismos do tempo".

Do livro: "A Criação não é um mito" , Domenico E. Ravalico, Ed.Paulinas, SP, 1979

Dr. Francis Collins, Diretor o Projeto "genoma humano" e Diretor do Instituto Nacional Americano de Pesquisa do Genoma Humano, afirma que: "o ateísmo é a opção mais irracional" (VEJA, Edição 1992 de  24/01/2007)

DEUS É SANTO E JUSTO

"Estes animais tinham cada um seis asas cobertas de olhos por dentro e por fora. Não cessavam de clamar dia e noite: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Dominador, o que é, o que era e o que deve voltar" (Ap 4,8)

DEUS É AMOR

"Deus amou tanto o mundo, que entregou seu Filho único" (Jo 3,16).

"Mas no meu eterno amor, tenho compaixão de ti" (Is 54,8).

"Eu te amei com um amor eterno, por conservei por ti o amor" (Jr 31,3).

"Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor" (1Jo 4, 7-8).
DEUS É MISERICORDIOSO

"O Senhor passou diante dele, exclamando: "Javé, Javé, Deus compassivo e misericordioso, lento para a cólera, rico em bondade e em fidelidade, (Ex 34,6).

"Se voltardes para o Senhor, vossos irmãos e vossos filhos acharão misericórdia diante daqueles que os levaram para o cativeiro e voltarão à sua terra, pois o Senhor Deus é generoso e misericordioso e não desviará os olhos de vós, se voltardes para ele" (2 Cr 30,9).

"Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso" (Lc 6,36).

"Mas Deus, que é rico em misericórdia, impulsionado pelo grande amor com que nos amou, quando estávamos mortos em consequência de nossos pecados, deu-nos a vida juntamente com Cristo - é por graça que fostes salvos!" (Ef 2, 4-5)

DEUS É A VERDADE E A VIDA

"Celebro teu nome por teu amor e verdade" (Sl 138,2).

"O princípio de tua palavra é a verdade, tuas normas são justiça para sempre" (Sl 119,160).

"Sim,  Senhor Deus, és tu que és Deus, tuas palavras são verdade" (2Sm 7,28).

"E o testemunho é este: Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho. Quem possui o Filho possui a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida." (1Jo 5, 11-12).

"Jesus lhe respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida" (Jo 14,6).

"Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá" (Jo 11,25).

"Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida" (Jo 6, 47-48).

"Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia" (Jo 6,54).

sexta-feira, 20 de julho de 2012

ANO DA FÉ - parte 3 - PAPA BENTO XVI

TEMA: DOGMAS DA FÉ
"Porque meu povo se perde por falta de conhecimento." (Os 4,6)

"Os fiéis, lembrando-se da palavra de Cristo a seus apóstolos: "Quem vos ouve a mim ouve" (Lc 10,16), recebem com docilidade os ensinamentos e as diretrizes que seus Pastores lhes dão sob diferentes formas". (§87)

Agostinho, escrevendo a um discípulo:
"Deus te livre de supor que Ele odeia em nós precisamente aquela virtude pela qual nos elevou acima dos seres. Não agrada a  Deus que a fé nos impeça de procurar e de encontrar as causas. Com toda  a tua alma, esforça-te por compreender" (Rops, vol II, pg.41).

"O Magistério da Igreja empenha plenamente a autoridade que recebeu de Cristo quando define dogmas, isto é, quando, utilizando uma forma que obriga o povo cristão a uma adesão irrevogável de fé, propõe verdades contidas na Revelação divina ou verdades que com estas têm uma conexão necessária". (§88)

"Há uma conexão orgânica entre nossa vida espiritual e os dogmas. Os dogmas são luzes no caminho de nossa fé que o iluminam e tornam seguro. Na verdade, se nossa vida for reta, nossa inteligência e nosso coração estarão abertos para acolher a luz dos dogmas da fé". (§89)

 PAPA  BENTO XVI:
"Numa visão subjetiva da teologia, o dogma é muitas vezes considerado como uma camisa-de-força intolerável, um atentado à liberdade do estudioso, individualmente considerado. Perdeu-se de vista o fato de que a definição dogmática é , ao contrário, um serviço à verdade, um dom oferecido aos crentes pela autoridade querida por Deus. Os dogmas, disse alguém, não são muralhas que nos impedem a visão, mas ao contrário, janelas abertas que dão para o infinito."
("A Fé em Crise?  J. Ratzinger/ V. Messori; Ed. Pedagógica e Universitária LTDA; E.P.U.; 1985, pg. 49/50)

PAPA SÃO GREGÓRIO VII (1073-1085), NO "DICTATUS PAPAE"
"A Igreja romana nunca errou, e segundo o testemunho das Escrituras nunca cairá no erro." (n.22)
"Ninguém deve ser considerado católico se não estiver de pleno acordo com a Igreja Católica." (n.26)

(Registrum Gregorii VII,MGH, Ep.Sel. II, n. 55ª; (História da Igreja, Roland Frohlich)

João Paulo II - " A Igreja não precisa de reformadores, mas de santos".


PE. LEONEL FRANÇA - (1893-1948), Fundador e reitor da primeira Universidade Católica do Brasil; PUC-RJ):

"...Quem não tem um conceito exato, uma percepção viva da infinita, absoluta e inefável majestade de Deus, na inviolabilidade soberana dos seus direitos, não pode entender a intransigência dogmática da Igreja Católica. A Igreja não é autora de um sistema humano, filosófico ou religioso, é depositária autêntica de uma revelação divina. Cristo ensinou-nos uma doutrina celeste: "A doutrina que eu vos ensinei é d'Aquele que me enviou". " (São João, 7,16; 12,49)

"A Igreja Católica tem, pois, promessa divina de imortalidade e infalibilidade. Não foi, não será nunca infiel à sublimidade da sua missão. Quando a sinagoga, alarmada com os prodígios que sancionavam o cristianismo nascente, prendeu os apóstolos e lhes impôs um silêncio criminoso, Pedro respondeu aos sinedritas um sublime "non possumus" (não podemos)".

"Deus quer a salvação de todos pelo conhecimento da verdade. A salvação está na verdade" (§ 851).
"Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade" (1Tm 2,4).
 "A Igreja é a coluna e o fundamento da verdade" (1Tm 3,15).

SÃO VICENTE DE LERINS (?450),  dizia que:
"O que todos em toda parte e sempre acreditaram, isso é verdadeira e propriamente católico"(Communitorium).
A
PROCLAMAÇÃO DE UM DOGMA
1. É necessário que ele fale "ex-cathedra", isto é, de maneira decisiva, como Pastor e Mestre dos cristãos, e não apenas de modo particular. Ele não é obrigado a consultar algum Concílio e alguém, embora possa fazê-lo, e quase sempre o faz.

2. A matéria a ser definida se refira apenas à fé e à moral; isto é, se relacione com a crença e o comportamento dos cristãos.

3. Que o Sumo Pontífice queira proferir uma sentença definitória e definitiva, irrevogável, imutável, sobre o assunto em questão.

Somente a sentença final é objeto da infalibilidade, e não os argumentos e as conclusões derivadas da sentença proclamada. E não há uma fórmula única de redação para a definição dogmática. Os termos normalmente usados pelos Papas são: "pronunciamos", "definimos", "decretamos", "declaramos", etc.

SÍMBOLOS DA FÉ - "A regra de doutrina" (Rm 6,17).
Símbolo dos Apóstolos Credo Niceno- Constantinopolitano (325-381)
Símbolo "Quicumque", de Santo Atanásio (?373)
"Fides Damasi" de São Dâmaso (366-384)
Profissão de Fé do Papa Paulo VI, O Credo do Povo de Deus (1967)
Profissões de fé de alguns Concílios (Toledo; Latrão; Lião; Trento)


São Cirilo de Jerusalém (315-386):
"Esta síntese da fé não foi elaborada segundo as opiniões humanas mas da Escritura inteira recolheu-se o que existe de mais importante, para dar, na sua totalidade, a única doutrina da fé. E assim com a semente de mostarda contém em um pequeníssimo grão um grande número de ramos, da mesma forma este resumo da fé encerra em algumas palavras todo o conhecimento da verdadeira piedade contida no Antigo e no Novo Testamento" (Cathecheses illuminandorum, 5,12; Cat. §286).


Santo Ambrósio (340-397)  disse do Credo:
 "Ele é o símbolo guardado pela Igreja Romana, aquela onde Pedro, o primeiro Apóstolo, teve sua Sé e para onde ele trouxe comum expressão de fé (sententia communis = opinião comum)" (Expl. Symb.,7 ; Cat. § 194)

"Nenhum dos símbolos das diferentes etapas da vida da Igreja pode ser considerado como ultrapassado e inútil. Eles nos ajudam a tocar e a aprofundar hoje a fé de sempre através dos diversos resumos que dela têm sido feitos."(Cat.§ 193)

PAPA JOÃO PAULO II AOS BISPOS EM SANTO DOMINGO 12/10/92, durante o IV CELAM:
"...recentemente aprovei o Catecismo da Igreja Católica, o melhor dom que a Igreja pôde fazer aos seus Bispos e ao Povo de Deus. Trata-se de um valioso instrumento para a Nova Evangelização onde se compendia toda a doutrina que a Igreja deve ensinar" (DSD,9)

.Papa Bento XVI falando de Teologia:
"Muita teologia parece ter esquecido que o sujeito que faz teologia não é o estudioso individual, mas a comunidade católica no seu conjunto, a Igreja inteira. Desse esquecimento do trabalho teológico como serviço eclesial deriva um pluralismo teológico que, na realidade, é frequentemente um subjetivismo, um individualismo que pouco tem a ver com as bases da tradição comum.
Cada teólogo parece agora querer ser ´criativo´. Mas a sua tarefa autêntica é aprofundar, ajudar a compreender e anunciar o depósito comum da fé, e não a de ´criar´. Caso contrário a fé se fraciona em uma série de escolas e correntes frequentemente contraditórias, com grave prejuízo para o desorientado povo de Deus." (Messori, A fé em crise?, 1985, pg 49).







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