Teológico Pastoral

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domingo, 28 de julho de 2013

QUEM PEDE, RECEBE, QUEM PROCURA, ENCONTRA, E, PARA QUEM BATE SE ABRIRÁ
(Liturgia do Décimo Sétimo Domingo do Tempo Comum)


Neste Décimo Sétimo Domingo do Tempo Comum é impossível deixar de pensar na grandeza e no sentido da JMJ (Jornada Mundial da Juventude) que está acontecendo no Rio de Janeiro. Como disse nesses dias o Santo Padre, o Papa Francisco, o Rio de Janeiro se tornou o centro da Igreja.
São milhares de milhares de jovens que, depois de uma semana missionária riquíssima de encontros, de sinais de partilha e comunhão, de abertura ao diferente nas mais diversas expressões culturais dos mais diferentes países do Planeta, unindo-se na oração e na fraternidade, enche o mundo de esperança.
A JMJ é um daqueles eventos que põe o olhar do mundo inteiro, tanto dos que crêem como dos que não crêem em Deus, na esperança.
Todos nós temos necessidade dessa esperança, principalmente num tempo em que experimentamos duras crises e tanta falta de esperança.
É nesse contexto eclesial que a liturgia de hoje nos convida a olhar mais uma vez para Jesus, enquanto Ele reza, depois de ter-nos colocado no caminho do Bom Samaritano, exigindo de nós uma atitude de amor diante do sofrimento alheio e depois de fazer-nos “entrar” com Ele, por um momento, na casa de Marta e Maria para lembrar-nos que não existe ação, ainda que seja a mais nobre e ainda que fundamentada na caridade, que não parta da escuta da Sua Palavra, hoje o Senhor nos dá, mais uma vez, o fundamento do sentido de escutá-Lo. Trata-se da oração na esplêndida dimensão da amizade.
Todos nós experimentamos o que significa rezar. Desde os que vivem em um contínuo relacionamento com Deus, até àqueles que elevam aos Céus uma simples invocação. Todos rezam! Seja quem se lembra de rezar só nos momentos de dificuldade, ou seja quem se lembra de agradecer a Deus por tudo, todos os dias. A oração, indiferente da forma que se exprima é uma expressão essencial da nossa vida. Não podemos viver sem rezar.
Inclusive para quem não consegue e/ou não quer encontrar momentos de encontro com Deus é esquecida a dimensão profunda da oração, porque rezar é a nossa pobreza de criaturas com a sua necessidade nunca satisfeita de verdade, de amor, de beleza e de paz. Não há quem não busque, mesmo inconscientemente verdade, amor, beleza e paz! Santo Agostinho, comentando o Salmo 37, encontra esta belíssima expressão: “O teu desejo é a tua oração”.  
Cada ser humano é uma oração viva e forte. Às vezes, em forma de um grito e às vezes, em forma de um pedido de socorro.
“Senhor, ensina-nos a rezar”, os discípulos pedem a Jesus. Na verdade, este pedido não diz respeito tanto ao valor da oração, que não está em discussão, mas ao modo como se deve rezar.
Mas como deveriam rezar os discípulos de Jesus, de modo a se distinguirem dos discípulos dos outros mestres, sobretudo dos discípulos de João que, talvez, rezavam de uma forma muito mais elaborada e articulada?
Na verdade, o pedido dos discípulos a Jesus “esconde” outro desejo. Como poderiam rezar de modo que a sua experiência fosse parecida com a experiência de Jesus que, todas as vezes que entrava em oração, mesmo de noite, revelava um semblante luminoso e iluminado, como se deixasse transparecer uma alegria indescritível?
Jesus responde à pergunta dos discípulos, talvez, desapontando-os um pouco, porque a oração que lhes sugere é simples, aparentemente elementar.
Na realidade, a oração ensinada por Jesus, que se tornou um dos tesouros mais preciosos da nossa fé, encerra toda a beleza do Seu Evangelho.
O que este breve texto tem de extraordinário que nos faz a repeti-lo tantas vezes, infelizmente, nem sempre com a mesma compenetração e comoção que deveria tomar-nos cada vez que, como criaturas, “ousamos dizer” ao Criador, Pai, “papai”?
Esta é a primeira extraordinária revolução da oração do “Pai nosso”. Isto é, a confiança filial, a possibilidade de se dirigir a Deus como filhos se dirigem ao pai mais amoroso, é a verdadeira revolução no exemplo do relacionamento que Jesus tem com o Pai.
Alegrar-se com o verdadeiro rosto de Deus, o rosto do Pai é a maior graça porque, se Deus fosse um Deus terrível para nós, mais “patrão” do que Pai viveríamos debaixo de um medo incessante e de uma tristeza sem igual!
Na primeira leitura (Gn 18,20-32) vimos que Abraão já se liberta desse medo de Deus quando ousa dirigir-se a Deus “negocia” com Ele, com a confiança e a coragem de um amigo íntimo, em favor de duas cidades ameaçadas de extinção por causa de seus crimes.
Com a voz da sua oração, na verdade, Abraão está dando voz ao desejo de Deus que não é o desejo de destruir, mas de salvar; que não é de punir, mas de perdoar.
É justamente porque, não apenas em Sodoma e no AT, mas em todas as cidades em que vivemos e hoje, como também em todas as épocas da história, nunca se encontrará um homem plenamente justo.
Foi necessária a Encarnação para que houvesse entre nós um homem plenamente justo e, por isso, Deus mesmo fez-se homem.
Haverá para nós para sempre o justo, porque Ele, o Inocente, trouxe salvação ao mundo inteiro morrendo na Cruz, dando a vida a todos nós, como lembra Paulo aos Colossenses na segunda leitura (2, 12-14) “Existia contra nós uma conta a ser paga, mas ele a cancelou, apesar das obrigações legais, e a eliminou, pregando-a na cruz”.
É por isso que a oração de cada homem encontra a sua resposta. Cada uma das nossas intercessões serão sempre ouvidas, porque Jesus nos revelou o rosto do Pai. Esta é a prova do cumprimento seguro de cada oração.
Na história de amizade, narrada na parábola no Evangelho deste domingo (Lc 11, 1-13), Deus dá a quem pede, ajuda a quem procura encontrar, abre a quem bate, porque é verdade, Ele é um bom Pai.
Mas é preciso ter muito!  O Evangelho não nos diz que devemos pedir uma coisa e nos será dada. Diz apenas, “pedi e recebereis”.
Com certeza, muitas vezes, nós pedimos e não recebemos. Talvez,
Deus não tenha nos dado o que pedimos, mas, com certeza, nos surpreendeu! Basta olharmos para as nossas lutas do passado, para tudo o que já superamos para percebemos que foi Ele quem nos deu a força necessária para enfrentar as experiências difíceis. Basta prestarmos um pouco mais de atenção nas mais diversas situações da nossa vida, para perceber que Ele também nos deu forças para crescermos na fé! Deu-nos aquela esperança que vai além das maiores dores, inclusive a dor da morte de uma pessoa querida.
Jesus não nos promete a cura quando estamos doentes ou a nota máxima em um exame que fazemos na escola. Tampouco nos promete uma promoção, uma bela carreira profissional com um salário alto.
Aqui fica um alerta para evitarmos o perigo da superstição que verificamos quando percebemos que muitos pensam que basta acender uma vela ou apegar-se a qualquer devoção, para conseguiremos despertar um Deus que, caso contrário, estaria ausente ou indiferente da nossa vida e às nossas necessidades. Jesus não nos promete as coisas que queremos, mas nos promete muito mais! “(...) Quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!”.
Mas por que o Espírito Santo? Porque é o Espírito Santo que pode revelar-nos o verdadeiro rosto de Deus, rosto de um Pai que permanece ao nosso lado com a ternura que nenhum pai e nenhuma mãe seriam capazes de demonstrar ao seu próprio filho.
Nessa relação afetuosa e confiante com o Pai somos capazes também de descobrir a alegria da fraternidade. Reconhecer-nos filhos significa saber que temos irmãos. Aliás, pensando na parábola contada por Jesus, a propósito da oração, como seria bom que como irmãos, ao anoitecer de cada dia pedíssemos ao Senhor o pão da Sua presença e da Sua ternura para todas as pessoas que encontramos durante o dia, seja para as pessoas que sofrem, que se desesperam, que buscam e procuram, que rezam sem nem mesmo saber o que pedir.
Rezando com esta intenção, com certeza, receberemos também a graça de perseverar, de insistir e de tornar-nos “incômodos” mesmo, como um amigo que bate à nossa porta no meio da noite.
Deus estará sempre acordado e alerta: “Batei e vos será aberto”! É ele quem se disponibiliza a abrir a porta quando batermos, mas, na verdade, é Ele quem bate na porta do nosso coração, nos avisa a maravilhosa passagem do Apocalipse: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém escuta a minha voz e me abre a porta, entrarei e juntos faremos refeição” (3, 20).
Na verdade, só o fato de batermos à Sua porta já é um grande sinal de que nos abrimos a Ele, e este já é também um sinal de que a nossa oração já foi ouvida. O simples fato de rezar já é um fruto do dom da Sua presença.
Olhando para a multidão dos jovens no Rio de Janeiro e sustentados pela força de esperança que nesses dias está concentrada no nosso Brasil, na JMJ, reencontramos a coragem, a beleza, a dignidade, a alegria e a simplicidade da amizade com Deus que, como Pai, acolhe a nossa oração. (Frei Alfredo Francisco de Souza, SIA – Missionário Inaciano – formador@inacianos.org.br – www.inacianos.org.br).

quarta-feira, 17 de julho de 2013

AMIGOS SÃO COMO ANJOS


Como passageiros no trem da vida, tantas coisas marcam a nossa existência, comovem o nosso ser, elevam nossa alegria e nos fazem pessoas melhores. Mas nada marca tanto a nossa vida como os amigos sinceros, verdadeiros, com os quais possamos contar em todos os momentos, nos bons e nos maus. Eles estão prontos a nos socorrer, a nos auxiliar, a dar uma palavra de consolo, de conforto, de encorajamento, sobretudo na hora da dor. Nas horas alegres e festivas da vida, é muito prazeroso estar com os amigos e desfrutar da sua sempre agradável companhia. Com eles nós vivemos mais e nos sentimos mais felizes e realizados.
            Na Bíblia nós encontramos passagens que enaltecem a presença de um amigo, a ponto de dizer que quem encontrou um amigo encontrou um tesouro. E põe tesouro valioso nisso, o qual vale a pena ser guardado a sete chaves. Amigo é coisa prá se guardar no lado esquerdo do peito, como algo impagável, pois o seu valor nenhum dinheiro pode comprar. Nós compramos tantas coisas, mas o dinheiro não consegue fazer amigos, pois eles só são verdadeiros quando nascem e crescem, se desenvolvem e permanecem na gratuidade.
            Amigos são como anjos que surgem na hora certa, quando você menos espera, levantam o seu astral e fazem acreditar que é preciso continuar. Eles são um verdadeiro sustentáculo, com os quais você pode sempre contar. Eu não canso de dizer que a coisa mais linda e preciosa nesse mundo são os amigos que você vai encontrando ao longo da sua vida. Eles são tão imprevistos, e por isso, fazem toda a diferença.
            Os amigos se protegem, mesmo quando discordam de algum ponto de vista. Mas é apenas a vista de um ponto, porque nada poderá romper o ligame que une os grandes amigos. Eles podem estar longe ou perto, ficar tempo sem se ver, mas eles não morrem, porque a verdadeira amizade não morre jamais.
            Os amigos não são interesseiros no sentido de levar vantagem sobre o outro, mas o seu interesse é o bem do próximo, o seu crescimento e a sua realização. Vibramos, nos emocionamos, nos alegramos com as suas conquistas, como se fossem nossas. Choramos, sentimos a dor da derrota do amigo, como se fosse nossa derrota.
            Na vida tão passageira, o que vale mesmo são os amigos que vamos conquistando, mas sem forçar, sem obrigar, sem exigir nada em troca, pois a amizade vem da alma, da pureza do coração e só quer o bem e a felicidade do outro. Como são tristes as pessoas isoladas, fechadas em seu mundo, em seu pequeno lar, não partilhando nada com os outros. O fechamento, o isolamento, cria pessoas tristes, amargas, depressivas, sem garra e entusiasmo, porque lhes falta um ombro amigo, uma mão protetora, um abraço sincero e verdadeiro.
            Cultive os amigos que você tem, e não deixe de expressar a eles o quanto são valiosos, o quanto é bom estar com eles, o quanto é gratificante dividir a sua vida na presença deles. Tudo passará, mas a amizade profunda é eterna e permanece para sempre. Aproveite os momentos que você tem com os amigos, e ria bastante, expresse os sentimentos, diga a eles o quanto é bom desfrutar da sua presença, seja jogando canastra, saboreando um churrasco, passeando juntos ou simplesmente estando juntos.
            Que Deus abençoe os amigos e as amigas, dando-lhes a paz, a serenidade e que vivam felizes, porque os amigos são um verdadeiro presente do céu.

sábado, 6 de julho de 2013

Homilia dominical - 07 de julho de 2013

 A MISSÃO


Na realização de seus planos, Deus sempre escolhe
e envia pessoas em MISSÃO.

As Leituras falam de TRÊS ENVIOS:
um profeta anônimo, Paulo e os 72 discípulos.


Na 1ª Leitura, um profeta é enviado para proclamar o amor de Mãe,
que Deus tem pelo seu Povo: "Como Mãe que consola o filho,
virei em pessoa para vos consolar." (Is 66,10-14c)

Na 2ª Leitura, Paulo sente-se enviado como testemunha da "Cruz":
"Eu me glorio apenas na CRUZ de Cristo". (Gl 6,14-16)

No Evangelho Jesus envia os 72 discípulos. (Lc 10,1-12.17-20)

É uma catequese sobre a MISSÃO DA IGREJA.
O texto tem duas partes: O Envio para a Missão e a Volta da Missão.

1. A MISSÃO:

Destinatários: São todos os povos e raças. Ninguém é excluído...
O Número 72 é simbólico: 72 eram todos os povos conhecidos então.
 
Objetivo: "Ir à frente de Jesus, preparando a sua chegada..."
A tarefa dos discípulos não é pregar a sua própria mensagem,
mas preparar o caminho de Jesus e dar testemunho dele.
É ir à frente, como João Batista, para revelar e apontar aquele Jesus,
que embora presente no meio dos homens,
ainda não é conhecido por eles...

Método: "Enviou-os dois a dois".
O anúncio do evangelho é uma tarefa comunitária,
que não é feita por iniciativa pessoal, mas em comunhão com os irmãos.
* Muitas pastorais ainda hoje não progridem... Por que será?
   Não estará faltando espírito de equipe... de comunidade?

Qualidades necessárias em seus missionários:

- Pessoas que rezam: "Rogai... a messe é grande..."
  A Oração é a fonte da Missão...
- Pessoas que anunciam o Reino numa sociedade hostil:
  "Estou enviando vocês, como cordeiros em meio a lobos..."
- Pessoas pobres, desprendidas... sem grandes "equipamentos"...
   "Não levem bolsa, nem sacola, sandália..."
  O anúncio do Reino não depende do poder dos "instrumentos" utilizados...
- Pessoas simples que participam da vida do Povo...
  e confiam na hospitalidade : "Comei e bebei o que oferecerem"...
- Pessoas que têm uma grande confiança no Pai...
  mesmo quando os frutos não são visíveis.

Conteúdo da Mensagem:

- Anúncio do "REINO" desejado por Deus: "O Reino está próximo de vós."

- Anúncio de PAZ:
 "Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro, a Paz...”

- Gestos concretos de LIBERTAÇÃO,
  que completem o anúncio e mostrem a presença do Reino.
 "Quando entrardes numa cidade... curai os doentes...
   e dizei que o Reino de Deus está próximo..."
   O Missionário deve mostrar nos gestos, o que ele anuncia em palavras.

Um Alerta:
  "A quem não vos receber, sacudi o pó de vossas sandálias...”
  Deus respeita a liberdade de aceitar ou não...
  mas quem não o aceita, torna-se responsável pela sua recusa...

2. A VOLTA DA MISSÃO:

- Os Discípulos voltam alegres contando as realizações.
- Jesus escuta com interesse...
   * Quanta alegria em refletir e celebrar juntos
      as pequenas e grandes conquistas de cada um...
      Como é importante encontrar alguém que nos escute...

- Mas Jesus também adverte: não devem se envaidecer com o sucesso...
  "Alegrem-se antes porque seus nomes estão escritos nos céu..."
   Jesus não está preocupado com a "Pastoral de resultados".

* A qualidade dos missionários não se mede pelas estatísticas,
   nem mesmo pelas igrejas cheias...
   Para Jesus crucificado, abandonado pelos discípulos,
   porque foi fiel até a morte, a própria Cruz
   foi um grande momento de glória.

Conclusão: Uma Oração:
  "Pai, eu te louvo, porque ocultaste estas coisas aos sábios
   e as revelastes aos pequeninos...  
   SIM, PAI, porque assim foi do teu agrado.”

+ Quem são os 72 Discípulos, hoje?
A Igreja, na conferência de Aparecida,
nos envia como "Discípulos e Missionários de Cristo",
para a "GRANDE MISSÃO CONTINENTAL",
a fim de impulsionar a busca dos católicos afastados
ou dos que pouco conhecem Jesus Cristo,
para formar um continente de Vida, de Amor e de Paz.

   É importante não esquecer as instruções deixadas por Jesus aos 72.

                        Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 07.07.2013

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Formação humana

A LUTA ENTRE O BEM E O MAL

No inicio da Bíblia tem uma passagem bastante emblemática, e que nos ajuda a entender a luta que existe entre o bem o mal. É a história de Abel e Caim. Abel, um homem bom e trabalhador, agraciado por Deus, um símbolo daquilo que Deus espera de cada ser humano. Caim, pelo contrário, um homem invejoso, que não se alegra com a felicidade de seu irmão Abel e como consequência, acaba tirando a sua vida. Podemos condenar Caim pela sua atitude, mas talvez, agindo assim, estaremos condenando a nós mesmos, que tantas vezes optamos pelo mal e pela destruição do nosso irmão.
Na verdade, Caim e Abel são duas figuras que revelam o intimo de cada um de nós. O bem e o mal, Abel e Caim, estão dentro de cada ser humano, e diariamente devemos escolher a quem seguir e a quem dar mais força e poder.
Existe uma tendência inata ao mal dentro de nós, e que precisa ser enfrentada com coragem e muita persistência. Quantas vezes nos deparamos com realidades que nos deixam um tanto perplexos, tais como alegrar-se com a desgraça do outro. Falamos em amor, em compreensão, em partilha, mas de repente quando sabemos que alguém foi mal, se lascou, parece que nós gostamos e até vibramos. Anormal essa nossa atitude? Diria que não, mas o instinto venceu sobre a razão. Depois, quando paramos para refletir, percebemos o erro que fizemos. Não existe nesse mundo nenhuma pessoa que não tenha feito algo de errado, e se arrependido depois. Faz parte da nossa natureza humana, por vezes tão má e passível de destruição do outro.
Existe também, por outro lado, uma tendência inata ao bem. Mas ela é uma questão de escolha, porque o instinto do mal fala em primeiro lugar. Fazer o bem é escolher a vida, e isso requer um esforço diário, porque por natureza somos mais propensos ao mal do que ao bem. Vibramos mais com a derrota do outro do quem com a sua vitória. Eu não estou sendo trágico e nem fatalista ao falar sobre isso, mas muito realista com aquilo que faz parte da raça humana.
Escolher o bem é na verdade uma atitude que precisa ser retomada, analisada e avaliada diariamente. Requer um grande esforço, porque fazer o mal é muito mais fácil e imediato e não exige nenhuma força extra. Basta simplesmente se deixar levar pelos instintos animalescos, sem colocar a razão em movimento.
No entanto, o que realmente realiza e dignifica o ser humano, é o bem que ele semeou, plantou e realizou ao longo de sua vida. O mal causado pode ser um alivio naquele momento, mas depois se revela prejudicial e um grande problema a ser resolvido. O bem, pelo contrário, nos fortalece e nos deixa com a consciência tranquila e em paz. Talvez diante das críticas recebidas, apesar do bem que foi feito, sentimos uma espécie de arrependimento pelo que fizemos de bom, mas isso é um sentimento breve e passageiro.
Jesus passou pela vida fazendo o bem e é isso que ele quer de nós, porque ele deseja a nossa felicidade. O bem que fazemos volta para nós em dose dupla e o mal, assim como bem, também volta duplicada para quem o faz. Toda vez que praticamos um ato de amor, de bondade, sentimos dentro de nós a alegria e isso nos realiza profundamente; o mal que desejamos e realizamos contra alguém, volta também para cada um de nós, e nos torna pessoas tristes, ruins por dentro, com a sensação de ter feito algo errado provocando consequências negativas.
Viver, portanto, é escolher entre o bem e o mal, diariamente, mas se quisermos a felicidade, a realização plena, não tenhamos dúvidas de que o bem é sempre mais libertador e realizador. Jesus nos deu o exemplo, passando pela vida e fazendo o bem a todos, independentemente de raça, cor, sexo ou posição social. Sal vida foi uma entrega total em prol da realização da raça humana. Façamos o mesmo, se quisermos ser felizes.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Formação Humana

A LUTA ENTRE O BEM E O MAL

No inicio da Bíblia tem uma passagem bastante emblemática, e que nos ajuda a entender a luta que existe entre o bem o mal. É a história de Abel e Caim. Abel, um homem bom e trabalhador, agraciado por Deus, um símbolo daquilo que Deus espera de cada ser humano. Caim, pelo contrário, um homem invejoso, que não se alegra com a felicidade de seu irmão Abel e como consequência, acaba tirando a sua vida. Podemos condenar Caim pela sua atitude, mas talvez, agindo assim, estaremos condenando a nós mesmos, que tantas vezes optamos pelo mal e pela destruição do nosso irmão.
Na verdade, Caim e Abel são duas figuras que revelam o intimo de cada um de nós. O bem e o mal, Abel e Caim, estão dentro de cada ser humano, e diariamente devemos escolher a quem seguir e a quem dar mais força e poder.
Existe uma tendência inata ao mal dentro de nós, e que precisa ser enfrentada com coragem e muita persistência. Quantas vezes nos deparamos com realidades que nos deixam um tanto perplexos, tais como alegrar-se com a desgraça do outro. Falamos em amor, em compreensão, em partilha, mas de repente quando sabemos que alguém foi mal, se lascou, parece que nós gostamos e até vibramos. Anormal essa nossa atitude? Diria que não, mas o instinto venceu sobre a razão. Depois, quando paramos para refletir, percebemos o erro que fizemos. Não existe nesse mundo nenhuma pessoa que não tenha feito algo de errado, e se arrependido depois. Faz parte da nossa natureza humana, por vezes tão má e passível de destruição do outro.
Existe também, por outro lado, uma tendência inata ao bem. Mas ela é uma questão de escolha, porque o instinto do mal fala em primeiro lugar. Fazer o bem é escolher a vida, e isso requer um esforço diário, porque por natureza somos mais propensos ao mal do que ao bem. Vibramos mais com a derrota do outro do quem com a sua vitória. Eu não estou sendo trágico e nem fatalista ao falar sobre isso, mas muito realista com aquilo que faz parte da raça humana.
Escolher o bem é na verdade uma atitude que precisa ser retomada, analisada e avaliada diariamente. Requer um grande esforço, porque fazer o mal é muito mais fácil e imediato e não exige nenhuma força extra. Basta simplesmente se deixar levar pelos instintos animalescos, sem colocar a razão em movimento.
No entanto, o que realmente realiza e dignifica o ser humano, é o bem que ele semeou, plantou e realizou ao longo de sua vida. O mal causado pode ser um alivio naquele momento, mas depois se revela prejudicial e um grande problema a ser resolvido. O bem, pelo contrário, nos fortalece e nos deixa com a consciência tranquila e em paz. Talvez diante das críticas recebidas, apesar do bem que foi feito, sentimos uma espécie de arrependimento pelo que fizemos de bom, mas isso é um sentimento breve e passageiro.
Jesus passou pela vida fazendo o bem e é isso que ele quer de nós, porque ele deseja a nossa felicidade. O bem que fazemos volta para nós em dose dupla e o mal, assim como bem, também volta duplicada para quem o faz. Toda vez que praticamos um ato de amor, de bondade, sentimos dentro de nós a alegria e isso nos realiza profundamente; o mal que desejamos e realizamos contra alguém, volta também para cada um de nós, e nos torna pessoas tristes, ruins por dentro, com a sensação de ter feito algo errado provocando consequências negativas.
Viver, portanto, é escolher entre o bem e o mal, diariamente, mas se quisermos a felicidade, a realização plena, não tenhamos dúvidas de que o bem é sempre mais libertador e realizador. Jesus nos deu o exemplo, passando pela vida e fazendo o bem a todos, independentemente de raça, cor, sexo ou posição social. Sal vida foi uma entrega total em prol da realização da raça humana. Façamos o mesmo, se quisermos ser felizes.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Formação humana

A LUTA CONSTANTE ENTRE A VIDA E A MORTE 

Dentro de cada um de nós existem dois movimentos totalmente opostos, duas energias que estão numa luta constante: o thanatos, que é a morte, e o Eros, que é a vida. Em cada ser humano eles estão presentes desde o nascimento até a morte. Ninguém é sempre bom, e ninguém é sempre mau; ninguém vive o tempo todo de bom humor, e ninguém vive o tempo todo desanimado, sem vontade de viver. Oscilamos diariamente entre o desejo de viver intensamente, e a vontade de largar tudo e desistir da luta.
Essas duas energias refletem aquilo que é o ser humano em sua essência, um ser dialético, paradoxal, que tende ao bem e ao mal, quase ao mesmo tempo. Em poucos segundos somos capazes de oscilar entre um desejo profundo de amar, e uma repulsa, um ódio que nos leva a querer o mal do outro.
Dentro de cada um de nós existe uma tendência inata ao mal, e uma tendência inata ao bem. Qual das duas é a mais forte? Qual das duas está mais presente na nossa vida? Claro, é aquela que alimentamos mais.
Um cacique dizia aos seus comandados, os índios, que dentro de cada ser humano existem dois cachorros. Um é bem manso, e o outro é muito bravo. Um dos índios se levantou e perguntou qual dos dois era o mais forte, e ele respondeu; o mais forte é aquele que você alimentar mais. Se alimentar o cão bravo, ele será o vencedor; se alimentar o cão manso, esse será o ganhador.
Não existe um modo de afastar de nós essa tendência natural ao bem e ao mal. Então o que fazer para que a tendência de um seja mais forte do que do outro? Com certeza, são as escolhas que fazemos diariamente em nossa vida. Podemos escolher a morte, ou então, escolher a vida. A vida, na verdade, é feita de escolhas diárias, e mais que diárias, de escolhas momentâneas, que fazem a grande diferença.
As escolhas são pessoais e cada um deve responder por elas. Mesmo diante de situações muito difíceis, tais como a doença, eu posso escolher o que fazer com ela. Alguns, diante da dor, do sofrimento, se retraem, abandonam a luta, culpam todo mundo e não fazem nada para enfrentá-la com coragem e muita determinação. Outros, pelo contrário demonstram muita valentia, muita coragem, alto astral, mesmo quando tudo parece estar indo contra a sua pessoa.
Nós podemos escolher diariamente o que fazer com as situações inesperadas que surgem no decorrer da nossa existência. Podemos sucumbir e deixar-nos guiar pela tragédia, reclamar de tudo e de todos, ou então, podemos encontrar razões para viver mesmo diante de realidades aparentemente trágicas e sem solução.
É maravilhoso viver, e é normal que a vida seja essa luta constante entre a morte e a vida, entre a tristeza e a alegria, a coragem e o desânimo, o bem e o mal, a esperança e a depressão e assim por diante. Depende de você o modo como a vida será afrontada, encarada e decidida.
Isso tudo é bem bíblico, pois o próprio Jesus, enquanto caminhava com os seus discípulos, percebeu que no campo havia trigo e cizânia. Quando os seus quiseram que ele tirasse o joio, ele respondeu dizendo que isso faz parte da vida do campo. Os dois devem crescer juntos e serem colhidos no final dos tempos. Ao dizer isso, Jesus fazia uma menção clara ao ser humano, cuja vida é permeada pelo trigo e pelo joio, e ele deverá fazer escolhas diárias, e no final dos tempos, será julgado pelo bem que fez, ou pelo mal que escolheu.
A vida é realmente essa luta diária, mas nós somos chamados a escolher a vida, o bem, o amor, a esperança, a coragem, pois é para isso que fomos feitos por Deus. Isso tudo depende de cada um, e isso que dá valor e sentido para a nossa existência. Sê, portanto sensato, e escolhe a vida.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Formação Humana

Convite para vida plena
 
Pertencemos a Deus, nosso Criador, Redentor e Santificador. O convite a uma vida de plena comunhão com Deus é feito a todos. Ele quer que sejamos santos e sua graça nos é oferecida. Buscar a santidade é percorrer um caminho de amor, fé e humildade, olhos fitos em Jesus, acreditando que, enquanto estivermos no tempo, estamos sujeitos a tentações e quedas. Mesmo assim, podemos confiar que todas as graças nos serão oferecidas. A busca da santidade pressupõe, também, conversão.

Jesus veio mostrar que a santidade de Deus é feita de amor, compaixão, perdão e misericórdia. Permanecer com Jesus é tornar-se discípulo missionário, amorosamente atento às suas palavras e ações; é assemelhar-se a Ele nos pensamentos, sentimentos e atitudes. Quem permanece com Jesus pode também sofrer um pouco do que Ele sofreu.

O mundo precisa do nosso testemunho. Sejamos, pois, santos e originais. Cada um da forma como percebe a presença de Deus em sua vida e assimila as graças. A busca da vida em plenitude tem início na família, no tempo e atenção que damos aos assuntos e práticas de espiritualidade. Há momentos no dia que são mais favoráveis, o amanhecer e o entardecer.

O final de cada dia vem acompanhado do convite para aquietar-se, recolher-se; agradecer a Deus as bênçãos recebidas; dar tempo para conversas e partilhas de vida com a família e as pessoas a quem amamos. A noite é convidativa para as brincadeiras, as rodas em volta da fogueira, aos serões, às canções, momentos de ternura e aconchego para as famílias que não colocam a TV em primeiro lugar. Você ainda tem esse costume? Pode até parecer nostalgia, mas é uma tradição bonita e que foi cedendo lugar ao usufruto dos meios eletrônicos e da globalização.

O final de um dia de vida ou de longos anos, também é acompanhado de bênçãos. O fato de alguns viverem apenas umas horas e outros, longos anos é um mistério que podemos, em atitude de amor e fé, acolher.

Em situações de doenças prolongadas, depois de algum acidente ou daquela chuvarada, que lava e leva até casas e plantações, onde muitos vislumbram apenas destruição e morte, ainda é possível perceber a vida, nos gestos dos familiares que se unem, das pessoas que despertam para a solidariedade, nas atitudes dos atingidos que despertam para a fé.

Vivamos de tal forma que, ao final de cada dia, estejamos preparados para acolher as bênçãos do sono.

Sendo inevitável deixarmos esse mundo, é sabedoria procurar pontos de vista que nos tornem serenos e confiantes. Coloquemos nossa esperança e confiança no Senhor, como o fez a compositora, Irmã Mirian Kolling em uma de suas canções: “Segurança, felicidade, eu encontro no Senhor. É Ele a minha rocha, meu Deus e meu libertador”.

Viemos do Coração amoroso de Deus e para Ele retornaremos. Deus conduz nossa vida, aqui na Terra e nos espera, de braços abertos, na eternidade feliz. Sabendo que nada de material levaremos desta vida, usemos os bens com sabedoria, desprendimento e generosidade, como bons administradores.

Jesus deu-nos claro exemplo de desapego aos bens terrenos. Do nascimento à morte, da manjedoura ao sepulcro, muito do que usava não lhe pertencia, era emprestado. Jesus buscava ocasiões de apresentar o amor, a ternura e a bondade do Pai, de mostrar que, para Deus tudo é possível. Mesmo assim, não resolveu todas as situações de sofrimento, não curou todas as doenças. Os milagres que fez foi para revelar alguma característica de Deus. Que Jesus continue sendo nosso amigo e inspiração para nossa vida!


Ir. Zuleides M. de Andrade, ASCJ

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Formação humana



HOMENS E MULHERES DA ESPERANÇA 

            Por natureza, somos movidos pela esperança. Sem ela, a vida perde seu sentido, seu brilho, sua razão de ser e nos torna pessoas tristes, carrancudas, desanimadas, sem objetivos, como se tudo fosse uma grande perda de tempo. A esperança, pelo contrário, nos mostra que tudo na vida tem o seu encanto, a sua beleza, e nada melhor do que acreditar que é possível mudar, e que para cada problema existem inúmeras saídas.
            A esperança é fundamental, porque ela nos move em busca de algo que ainda não aconteceu, mas poderá tornar-se realidade. No momento que atingimos, alcançamos aquilo que almejamos, já não esperamos mais, pois já é real. Mas isso não nos acomoda, pois cada projeto realizado, nos abre as cortinas para outros sonhos, outros voos, numa busca interminável do ainda não, querendo sempre mais e mais. Isso sim dinamiza a vida, nos torna pessoas inconformadas, olhando sempre em frente. A esperança é exatamente essa virtude daqueles que acreditam num amanhã melhor, e por isso não fazem do passado o melhor espaço da sua vida e nem o pior. O melhor ainda está por vir, e é com essa vida que nos colocamos sempre a caminho, pois o caminho é caminhar.
            A Bíblia nos apresenta uma história de esperança em dias melhores, em um mundo mais humano, justo e fraterno, onde todos vivam com irmãos, e todos tenham o suficiente para viver com dignidade. Meditando a palavra de Deus, encontramos homens e mulheres a caminho, sempre em busca de uma vida melhor, e isso significa, construção do Reino de Deus.
            Os profetas são os homens da esperança, e aparecem exatamente naqueles momentos em que tudo parece perdido, sem saída, sem um possível amanhã, cercado de tantas dores, sofrimentos e tragédias. Ele surge então para animar, confortar, levantar aquele que está decaído pelo peso da derrota e da descrença. Existem passagens que são verdadeiras flechadas de esperança para o desanimado e para o descrente. Para mim, o profeta Isaías é o profeta da esperança por excelência, o homem que sonha um mundo novo, onde lobo e cordeiro pastarão na mesma relva, onde a criança brincará com a serpente e nada lhe acontecerá, onde haverá vinhos finos e carnes suculentas para todos. É maravilhoso ler Isaías, sobretudo nos momentos de crise, quando tudo aparece negro, confuso e sem grandes expectativas de melhora. Ele nos levanta o astral e nos faz acreditar que é possível recomeçar.
            A esperança é a virtude daqueles que tem um coração jovem, que apesar da idade, continua cheia de sonhos e de projetos. D. Helder Câmara, grande cardeal brasileiro, foi um grande profeta da esperança, um sonhador que costumava dizer, ‘quando se sonha sozinho, não passa de um sonho, mas quando começamos sonhar a dois, o sonho começa a se tornar realidade’. Com 80 anos de idade ainda demonstrava uma garra, feita de muita esperança em um novo amanhã.
            Como passageiros no trem da vida, a exemplo de tantos homens e mulheres que encontramos na Bíblia, e de tantos e tantas que passaram por essa vida, somos chamados a sermos conduzidos pela esperança. É maravilhoso encontrar pessoas que tem um olhar para frente, sempre positivo e cheio de vida. É triste ver tantas pessoas que só sabem se lamentar e reclamar do seu passado, com aquele olhar triste e cheio de desânimo.
            Sejamos sinais de esperança, em um mundo de tantas descrenças, de tantas depressões, exatamente porque perdeu o brilho e o encanto com o amanhã. Vibrantes, animados, cheios de esperança, olhemos sempre em frente, na certeza de um novo amanhecer.

domingo, 21 de outubro de 2012

Formação humana

Muitas pessoas justificam a sua baixa autoestima culpando os outros que não os entendem e achando uma série de razões externas. Não são capazes de admitir a sua própria fraqueza e deficiência e encontram sempre um bode expiatório. Para muitos é a esposa, para outros é marido, tem aqueles que acusam o chefe, outros ainda o ambiente exterior e ali vai uma ladainha de coisas para neutralizar a sua responsabilidade.
A autoestima é uma experiência interna que se manifesta socialmente. Eu reflito para fora aquilo que se manifesta no meu interior. Se eu estou integrado por dentro, agindo por mim mesmo, assumindo a vida nas próprias mãos, tendo consciência daquilo que faço e porque faço, é claro que isso se perceberá no meu jeito de ser e de viver. Quando as pessoas perguntam como eu estou, eu costumo responder: ‘do jeito que você está me vendo’. E isso é tão verdade, que o meu físico não mente, se eu realmente souber observá-lo. Ele é a mais pura manifestação do meu interior.
Existem dois tipos de pessoas que tentam enganar o seu interior, através de suas atitudes nem sempre muito claras. A principio parece que estão bem, aparentam uma coisa, mas vivem e sentem uma outra coisa totalmente diferente. Vou utilizar a imagem de duas aves para demonstrar como elas escondem, ou tentam esconder a sua realidade interna.
Em primeiro lugar, as pessoas com a imagem de avestruz. Essas pessoas aparentam humildade, mas o que vivem na verdade é uma enorme baixa autoestima. Se escondem debaixo da terra, para não ver os problemas. Essa atitude é uma negação dos gatos, da realidade, daquilo que está acontecendo ao seu redor. Elas preferem não falar sobre o assunto, como se ele não tivesse nenhuma importância, mas na verdade elas não tem coragem de olhá-lo de frente e por isso o negam. É uma atitude de pessoas fracas, que diante dos problemas silenciam, se escondem negando a realidade dolorosa. Preferem dizer que está tudo bem, que isso vai passar, que bastante reza vai ajudar na solução, mas tudo isso são claros sinais de negação. A pessoa avestruz nega um problema, não admite uma situação dolorosa e difícil. Eu sempre digo que o nosso mundo está cheio de avestruzes, incapazes de olhar a verdade de frente. É mãe que quer proteger o seu filho errado; a esposa que encobre os erros de seu marido; a Igreja que nega os erros de seus padres e assim por diante. Isso é uma enorme ilusão, porque somente olhando os problemas de frente, sem fugir deles, é que poderemos encontrar uma solução, uma saída.
Outro tipo de pessoa com atitude de baixa autoestima é a imagem do ganso. Ele sempre anda com o pescoço erguido, como se fosse o todo poderoso. No fundo, é uma defesa contra algo que possa agredi-lo ou feri-lo. A pessoa avestruz sempre anda com a cabeça alta, como se estivesse se protegendo contra os outros. É aquele tipo de pessoa que sempre sabe tudo, que conhece mais que os outros, comumente chamado de nariz empinado. É exatamente o contrário do avestruz, pois se esse se esconde para não ver os problemas, o ganso anda sempre com um olhar de soberba, de auto-suficiência, diminuindo o outro. Esse parece que não tem nada a aprender com as pessoas, pois sabe tudo, conhece tudo, e sempre está disposto a criticar e rebaixar os outros. Essa sua atitude demonstra o seu grande complexo de superioridade, que no fundo é uma defesa, para esconder o seu vazio interior e seus enormes distúrbios interiores. Muitos dizem que essa pessoa tem autoestima demais, o que é absolutamente incorreto.
Devemos buscar sempre o equilíbrio, nem ganso e nem avestruz; nem se diminuir e nem se exaltar demais. Ambas as atitudes demonstram a baixa autoestima.
Dr. Pe. André Marmilicz


terça-feira, 16 de outubro de 2012

Formação humana

A fisionomia da Autoestima

Facilmente nós podemos observar se uma pessoa está de bem com a vida, como costumamos dizer. Isso se percebe através do seu físico. A autoestima é algo interno, mas que se manifesta interiormente. Como nós não podemos ver a pessoa por dentro é o seu aspecto exterior que fala por ela.
Autoestima expressa-se no rosto, nos modos, na maneira de falar e de se mover que projetam o prazer que a pessoa sente por estar viva. Na tranquilidade em falar das próprias conquistas, ou dos defeitos de maneira direta e sincera, pois a pessoa tem uma relação amistosa com os fatos.
Muitas vezes taxamos a pessoa de orgulhosa ou de autossuficiente, quando esta manifesta abertamente os seus aspectos positivos, as suas qualidades. Falar de si mesmo com naturalidade, é sinal de que ela está de bem consigo mesmo. O orgulho surge quando eu me coloco acima dos outros, aumentando a mim mesmo e diminuindo o outro. Ai sim reside um problema de autoestima, pois existe uma defesa no sentido de ter que se autoelogiar, rebaixando o outro.
A autoestima se percebe no conforto que a pessoa experimenta ao fazer e dar elogios, expressar afeto, apreciação, ou algo semelhante. Na abertura a críticas e no tranquilo reconhecimento de seus erros. As palavras e os movimentos tendem a ter uma qualidade tranquila e espontânea, refletindo o fato de que a pessoa não está em guerra consigo mesma.
Muitas pessoas encontram dificuldades em aceitar um elogio, como se o outro estivesse zombando dela. Outras, pelo contrário, tem dificuldades enormes em aceitar uma critica e facilmente sucumbem como se não valessem nada. São duas características distintas, mas ambas denotam a baixa autoestima dessa pessoa. Claro que existem aqueles que frente a um elogio gostam então de se enaltecer ainda mais. São pessoas que se acham e quando alguém as elogia, elas simplesmente voam e se distanciam do real. A crítica, pelo contrário, as coloca em ‘parafuso’, e encontram então dificuldades enormes para integrar essa situação.
Outro fator que demonstra a fisionomia de uma boa autoestima é a curiosidade e abertura diante de ideias novas. Eu diria que essa pessoa tem sede do desafio, daquilo que empreende coragem e ousadia. Existem aqueles que sempre fogem das situações difíceis, buscando o óbvio e aquilo que não demanda grandes esforços e investimentos. A pessoa de autoestima, muito pelo contrário, está sempre em movimento, dando ideias novas e buscando criar, renovar, incentivar, dinamizar o ambiente em que se encontra. Eu costumo dizer que tais pessoas estão sempre com coceira no corpo, pois não conseguem parar e se acomodar. É maravilhoso vê-las em ação, numa busca continua de superação e de transformação. Estão sempre cheias de ideias, de projetos, de sonhos, buscando modos de realizá-los. Isso é estupendo em um ser humano, pois o coloca numa busca incessante, e jamais o acomoda frente conquistas realizadas. Cada chegada é uma partida, na certeza de que não existe nada pronto e definido, mas a vida apresenta sempre novas possibilidades e novos projetos a serem realizados.
São pessoas de alto astral, pois são capazes de viver com um bom humor, mesmo diante de situações inesperadas, difíceis e até trágicas. Sabem tirar uma lição, e isso as coloca num continuo movimento. É muito bom encontrar gente assim, pois nos levanta, nos faz acreditar que é possível seguir em frente, mesmo quando tudo parece dizer o contrário.
No físico se percebe: olhos atentos, brilhantes; rosto relaxado, com colorido natural e bom tônus na pele; queixo naturalmente posicionado e alinhado com o resto do corpo e maxilares relaxados.
Dr. Pe. André Marmilicz

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Formação humana

A sublime arte de pensar 

Uma das questões mais importantes para que se tenha uma autoestima adequada, equilibrada, é saber usar a mente para discernir, pensar, analisar, resolver os problemas. Pensar é uma arte, e quem não pensa, certamente não saberá para onde vai o barco da sua existência. Quem não pensa é facilmente direcionado pelos outros, para lugares que jamais ele iria, caso tivesse o uso normal da razão.
Dizia um grande escritor, e com propriedade: ‘pensar é um dos maiores prazeres da raça humana’. Concordo plenamente com essa afirmação, pois quando sabemos utilizar bem o nosso pensamento, acabamos tomando decisões certas, na hora certa. Já ouvi muita gente dizer, ‘se eu tivesse pensado não teria feito isso...’, porque na verdade a pessoa foi levada simplesmente pela emoção do momento. Quem age movido simplesmente pela emoção, dissociado da razão, acaba fazendo loucuras. Para mim, o uso exclusivo da emoção, sem o auxilio e complemento da razão, é como um carro desgovernado, que acaba indo para o precipício.
Muitas pessoas tem preguiça de pensar, e veem nesse ato como algo muito pesado e exigente. Para eles pensar é perder tempo, e o negócio é viver o momento, é curtir no aqui e agora, sem perspectivas de futuro. Observamos isso em tantas pessoas, que não se preocupam com o amanhã da sua existência. Não tem projetos, não tem sonhos, e acabam vivendo por viver. É realmente muito triste essa constatação, mas é a pura verdade em tantas pessoas, sobretudo naqueles mais jovens.
A razão nos faz parar, pensar, analisar, discernir, para tomar a melhor decisão. A mente é uma ferramenta indispensável para a construção de uma autoestima saudável. Não basta apenas um estar bem, um gostar de si mesmo, se este não estiver ancorado em algo mais sólido, como resultado de um bom discernimento. No fundo, o que dirige a vida de um ser humano, é a sua consciência. Para o drogado, para alguém que se deixa levar pela pura emoção, a consciência é a sua grande inimiga. Ele não quer parar para refletir, analisar a sua ação, e acaba se envolvendo em tumultos e discussões.
Hoje em dia está muito em voga a questão emocional. ‘Sinto, logo existo’, deu lugar àquilo que um grande filósofo francês definiu como o cerne do ser humano, ‘penso, logo existo’. Com certeza, nenhuma e nem outra, quando caminhando de modo unilateral, são a resposta para uma vida equilibrada. A emoção e a razão devem caminhar de mãos dadas, e não como grandes inimigas entre si.
O pensar dissociado do emocional pode criar pessoas frias, autoritárias, defensivas e calculistas. Costumamos chamar essas pessoas, como seres sem emoção e sem vibração. A emoção dissociada da mente pode criar verdadeiras desgraças no ser humano. Quem age apenas movido pela emoção do momento, sem pensar naquilo que faz, sofrerá consequências trágicas num futuro muito próximo. A emoção sem a presença da razão ela é doida, é extrema, e leva as pessoas a fazer verdadeiras loucuras. Na infância, torna-se essencial que os pais eduquem as crianças a pensar, e não a fazer todos os seus gostos e desejos. Isso terá consequências drásticas no futuro, pois uma criança que não é levada a pensar viverá uma adolescência inconsequente e terá uma vida adulta totalmente desequilibrada.
Tenho observado que essa é uma das áreas mais complicadas da sociedade atual, tão propensa a deixar que as pessoas sejam apenas movidas pelos seus impulsos, por seus instintos, sem o auxilio necessário e fundamental da razão. Autoestima apenas como um sentir-se bem, dissociada de um ato de consciência, é uma verdadeira mentira. Poderá ser algo prazeroso no momento, com consequências desastrosas no futuro. Portanto, não existe uma autoestima saudável sem o uso apropriado da razão. Na próxima edição continuaremos a nossa conversa sobre a autoestima. Grande abraço.
Dr. Pe. André Marmilicz

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

formação humana

Cada ser humano é importante

Todo ser humano é importante, só pelo fato de existir. Ninguém veio a esse mundo por acaso, mas como um projeto de Deus para a construção de um mundo melhor. Quem não fizer a sua parte, certamente deixará um grande vazio, pois não terá comprido a sua missão, a qual é única e irrepetível.
Ser importante não quer dizer ser insubstituível, pois se eu não fizer algo, outro fará em meu lugar. Mas isso não quer dizer que eu não seja necessário e não tenha nenhuma importância. Eu sou chamado simplesmente a fazer o que me compete, e da melhor maneira possível. Não sou insubstituível no sentido de ser maior do que o outro, mas se eu não fizer a minha parte, ninguém a fará por mim. Dizia Einstein para aqueles que se consideram insubstituíveis, ‘o cemitério está cheio de pessoas insubstituíveis’, e apesar disso, a vida segue em frente. Somos importantes, e Deus quer contar com cada um de nós, mas não somos maiores do que ninguém.
Nesse sentido, cada pessoa tem a sua importância, e deverá deixar suas marcas únicas por onde passar. Quando quero me comparar com os outros, ou me coloco na atitude diminutiva, deixo de ser quem eu sou. Ou então, quando me coloco acima dos outros, também deixo de viver a minha originalidade. Eu não sou maior e nem menor do que ninguém, mas simplesmente devo viver aquilo que sou.
A pessoa que se coloca abaixo dos outros, demonstra a sua baixa autoestima, e vive se comparando. A comparação, com toda a certeza, é sinal de fraqueza e distanciamento de si mesmo. Quando me comparo, deixo de ser eu mesmo, único, especial, com um jeito próprio de ser e de viver.
Tem pessoas que olham para o outro, e sentem inveja das suas qualidades, dos seus valores, daquilo que transmite, e se sentem injustiçadas pois não tem os mesmos dotes e capacidades. Isso é sinal de que essa pessoa precisa voltar-se mais para dentro de si mesmo. Não é porque alguém é artista, jogador de futebol, famoso, conhecido, que é maior do que eu. Muito pelo contrário, quantas pessoas buscam valer por aquilo que representam e não por aquilo que são. O grande segredo de uma boa vivência, é a busca incessante de si mesmo, essa volta continua para o interior, a fim de viver a felicidade plena, e não ser superficial, movido pela fama e pelo sucesso.
A importância não advém do outro, dos seus elogios, embora seja bom um retorno para saber se estou no caminho certo ou não. É sempre bom ouvir os outros, sentir aquilo que eles tem a nos dizer, mas isso não pode ser fator determinante. Não são os outros o parâmetro do meu sucesso e da minha realização. Quantas pessoas dependem dos outros para viver, para seguir em frente, e quando são criticadas, sentem-se abaladas e por vezes desanimam da luta.
A verdadeira segurança provém de dentro, da experiência pessoal de sentir-me importante e necessário para esse mundo ser melhor. Quando a minha consciência me deixa em paz, é sinal de que estou no caminho certo. Ouço os comentários dos outros sobre a minha pessoa, mas eles não são determinantes. O que determina a minha vida é o encontro com o meu profundo, com a minha consciência e ela é que me deixa em paz.
Tem pessoas que se sentem tão inúteis, sem valor, sem importância, a ponto de quererem tirar a sua própria vida. Ou então, se colocam numa atitude depressiva, sem gosto para lutar e viver. Isso sim é sinal de que alguma coisa não está funcionando interiormente. A mudança vai depender da própria pessoa, pois ninguém dá a autoestima para ninguém, pois ela é uma experiência exclusivamente pessoal.
Cada um é importante, porque é diferente, e na diferença que está o sentido da criação divina. Caso fossemos todos iguais, seria uma verdadeira desgraça. Sou único, tenho a minha identidade, exatamente porque sou diferente. Seja feliz, e até a próxima.
Dr. Pe. André Marmilicz

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Formação humana

A construção da Autoestima

Como podemos definir a autoestima? Seguindo os escritos e análise de Natanael Branden, podemos dizer que a autoestima é: “a disposição para experimentar a si mesmo como alguém competente para lidar com os desafios básicos da vida e ser merecedor de felicidade”.
Vejamos então as partes essenciais dessa definição: disposição é a palavra que dá início àquilo que é fundamental na autoestima. Alguém que se coloca fechado para a mudança, jamais poderá entendê-la. Além disso, o sistema de defesa que toma conta de muitas pessoas não permite o crescimento de uma saudável autoestima.
Disposição é uma atitude interna de quem quer realmente crescer, se conhecer, avançar no seu autoconhecimento. Quem se fecha à sua realidade, e não se dispõe a um olhar interior, jamais fará o processo de construção de uma vida saudável.
Ela não é algo mágico, que se adquire da noite para o dia, como se fosse algo rápido e imediato. Como diz o nome ‘construção’, determina um processo que não termina nunca, mas um caminho que se faz ao longo de toda a história.
Vivemos numa sociedade onde as pessoas buscam respostas rápidas, soluções imediatas e não querem fazer muito esforço para que essas metas sejam atingidas. É a lei do menor esforço e que seja para sempre, sem necessidade de ter que retomar as coisas já decididas, rever ou reavaliar.
A autoestima é uma necessidade básica de todo ser humano. De onde vem essa necessidade? Qual é a sua origem? Podemos afirmar que ela é resultado de dois fatores básicos, ambos intrínsecos à nossa espécie. O primeiro é que dependemos do uso apropriado de nossa consciência e para sobreviver e dominar com sucesso o meio ambiente; nossa vida e nosso bem-estar dependem da nossa capacidade de pensar. O segundo é que o uso correto de nossa consciência não é automático, não é programado pela natureza. Para ajustar sua atividade há um elemento crucial de escolha – portanto, de responsabilidade pessoal. Um desserviço prestado às pessoas quando se lhes oferece a noção de autoestima é ‘sentir-se bem’, divorciados das questões da consciência, da responsabilidade e da escolha moral.
A essência humana é a nossa capacidade de raciocinar, o que significa compreender os relacionamentos. É dessa capacidade – em última instância – que depende a nossa vida. Mente é tudo aquilo por meio do qual percebemos o mundo e o apreendemos. Tudo exige um processo mental – tudo exige um processo de pensamento, de conexão racional. Mas a nossa mente não nos leva automaticamente a agir segundo nosso melhor, mais racional e informado entendimento. A natureza deu-nos uma extraordinária responsabilidade: a opção de aumentar ou diminuir o alcance da lanterna da consciência. Nosso livre arbítrio diz respeito à escolha que fazemos quando ao funcionamento de nossa consciência numa determinada situação.
Portanto, dois elementos são essenciais para que a autoestima possa se desenvolver: 1. Utilizar bem a nossa consciência, que é com certeza determinante para uma vida conduzida de modo saudável; 2. Fazer as escolhas certas e responder por elas. Quem não é capaz de falar por si mesmo e assumir a vida em suas mãos, jamais poderá conduzir a sua vida no caminho da realização pessoal. Nos próximos artigos darei continuidade a essa temática tão pertinente e essencial para nossas vidas. Aguardem
Dr. Pe. André Marmilicz
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