Teológico Pastoral

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domingo, 30 de dezembro de 2012

Liturgia - janeiro de 2013

Mãe de Deus

A Liturgia de hoje comemora várias realidades:

- Celebra-se a solenidade da MÃE DE DEUS:
  aquela que, com o seu Sim ao projeto de Deus,
  nos ofereceu Jesus, o nosso libertador.
- Celebra-se o DIA MUNDIAL DA PAZ:
  em 1968, o papa Paulo VI quis que, neste dia, os cristãos rezassem pela paz.
- Celebra-se o PRIMEIRO DIA DO ANO CIVIL:
  é o início de uma caminhada que desejamos percorrer com a Bênção de Deus.

As leituras bíblicas evocam esses fatos...

A 1ª Leitura sublinha a presença contínua de Deus em nossa caminhada,
como BÊNÇÃO que nos proporciona a vida em plenitude. (Nm 6,22-27)

É uma linda oração de Bênção do Antigo Testamento,
sugerida pelo próprio Deus sobre o seu povo:
"Eis como abençoar os filhos de Israel: dizei-lhes:
O Senhor te abençoe e te guarde.
O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face,
e se compadeça de ti. O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz.
Assim invocarão o meu nome, e eu os abençoarei..."

* PEDIR A BÊNÇÃO: é uma maneira de reconhecer
a nossa dependência de Deus em todos os dias do novo ano.
A Felicidade verdadeira só é possível em comunhão com Deus...

A 2ª Leitura afirma que Cristo vem ao mundo, nascido de uma MULHER,
com a missão de libertar os homens do jugo da Lei e torna-los "filhos",
com o direito de chamar a Deus "abba" (papai). (Gl 4,4-7)

É o único lugar em que Paulo faz referência à mãe de Jesus.
Por isso, Maria é chamada verdadeiramente "Mãe de Deus",
como o celebramos na festa de hoje.

O Evangelho: nos apresenta Maria plenamente feliz,
recebendo a visita dos pastores... (Lc 2,16-21)

Lucas apresenta Jesus como o LIBERTADOR,
que veio ao mundo com uma mensagem de salvação para todos,
especialmente para os pobres e marginalizados:

1. Os Pastores, pobres e marginalizados,
    são os primeiros a receberem a notícia e
    dirigem-se "apressadamente ao encontro do menino.

* Sublinha a ânsia com que os pobres esperam a ação de Deus.
  
2. A Reação dos pastores:
   Glorificam e louvam a Deus por tudo o que tinham visto e ouvido.
* É a alegria pela libertação, que se converte em ação de graças a Deus.
   Tornam-se assim porta-vozes do anúncio libertador,
    provocando admiração dos que escutavam o seu testemunho.

3. A Atitude de Maria:
   Ela "conservava todas estas palavras, meditando-as no seu coração".

* A atitude "meditativa" de Maria,
   que interioriza e aprofunda os acontecimentos,
   complementa a atitude "missionária" dos Pastores,
   que proclamam a ação salvadora de Deus,
   manifestada no nascimento de Jesus.    
   Duas atitudes que deveriam existir em todos nós...

* Qual é a nossa Atitude?
- Como os Pastores, alegres e agradecidos pelo que estamos vendo e ouvindo,
  felizes em poder anunciar a boa nova aos outros?
- Como Maria, atentos aos sinais de Deus,
  conservando e meditando a Palavra de Deus em nosso coração?

+ Hoje também é o Dia Mundial da Paz.
A Igreja quer nos lembrar desde o primeiro dia do ano,
que a paz anunciada pelos anjos em Belém é possível  
e devemos nos esforçar dia a dia para construí-la.
Paz que é antes de tudo obra da justiça e fruto do amor...
PAZ no coração... PAZ na família... PAZ na vizinhança... PAZ na comunidade...
PAZ no trabalho...  INSTRUMENTOS DE PAZ...

"Bem-aventurados os obreiros da paz"
Com esse lema, o Papa dirigiu sua mensagem para o dia Mundial da Paz.
E nos lembra que "a paz é dom de Deus e obra do homem. A paz envolve
o ser humano na sua integridade e supõe o empenho da pessoa inteira:
é paz com Deus, vivendo conforme à sua vontade; é paz interior
consigo mesmo, e paz exterior com o próximo e com toda a criação.
Obreiros da paz são aqueles que amam, defendem e promovem a vida na sua integridade... Devemos construir o bem da paz através de um novo modelo
de desenvolvimento e de economia. E fala do papel da família e das instituições
na educação para uma cultura da paz...

+ Que planos temos para ANO NOVO?

Que tal... COMEÇAR O ANO...
com renovada FÉ, renovada ESPERANÇA e renovado AMOR?

- E, a exemplo de MARIA, Mãe de Deus e Rainha da Paz,
  SEMEAR PAZ, ao redor de nós,
  para que esse ano novo seja mais humano, mais fraterno e mais cristão!...

* É O QUE DESEJO PARA TODOS NÓS!...

                                   Pe. Antônio Geraldo Dalla

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Santíssimo Sacramento

A Festa de Corpus Christi é a celebração em que solenemente a Igreja comemora a instituição do Santíssimo Sacramento da Eucaristia; sendo o único dia do ano que o Santíssimo Sacramento sai em procissão às nossas ruas.

Propriamente é a Quinta-feira Santa o dia da instituição, mas a lembrança da Paixão e Morte do Salvador não permite uma celebração festiva. Por isso, é na Festa de Corpus Christi que os fiéis agradecem e louvam a Deus pelo inestimável dom da Eucaristia, na qual o próprio Senhor se faz presente como alimento e remédio de nossa alma. A Eucaristia é fonte e centro de toda a vida cristã. Nela está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, o próprio Cristo.

A Festa de Corpus Christi surgiu no séc. XIII, na diocese de Liège, na Bélgica, por iniciativa da freira Juliana de Mont Cornillon, (†1258) que recebia visões nas quais o próprio Jesus lhe pedia uma festa litúrgica anual em honra do sacramento da Eucaristia.

Aconteceu, porém, que quando o padre Pedro de Praga, da Boêmia, celebrou uma Missa na cripta de Santa Cristina, em Bolsena, Itália, aconteceu um milagre eucarístico: da hóstia consagrada começaram a cair gotas de sangue sobre o corporal após a consagração. Alguns dizem que isto ocorreu porque o padre teria duvidado da presença real de Cristo na Eucaristia.

O Papa Urbano IV (1262-1264), que residia em Orvieto, cidade próxima de Bolsena, onde vivia S. Tomás de Aquino, informado do milagre, então, ordenou ao Bispo Giacomo que levasse as relíquias de Bolsena a Orvieto. Isso foi feito em procissão. Quando o Papa encontrou a Procissão na entrada de Orvieto, teria então pronunciado diante da relíquia eucarística as palavras: “Corpus Christi”.

Em 11 de agosto de 1264 o Papa emitiu a bula "Transiturus de mundo", onde prescreveu que na quinta-feira após a oitava de Pentecostes, fosse oficialmente celebrada a festa em honra do Corpo do Senhor.

São Tomás de Aquino foi encarregado pelo Papa para compor o Ofício da celebração. O Papa era um arcediago de Liège e havia conhecido a Beata e percebido a luz sobrenatural que a iluminava e a sinceridade de seus apelos.

Em 1290 foi construída a belíssima Catedral de Orvieto, em pedras pretas e brancas, chamada de "Lírio das Catedrais". Antes disso, em 1247, realizou-se a primeira procissão eucarística pelas ruas de Liège, como festa diocesana, tornando-se depois uma festa litúrgica celebrada em toda a Bélgica, e depois, então, em toda o mundo no séc. XIV, quando o Papa Clemente V confirmou a Bula de Urbano IV, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial.

Em 1317, o Papa João XXII publicou na Constituição Clementina o dever de se levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas.

A partir da oficialização, a Festa de Corpus Christi passou a ser celebrada todos os anos na primeira quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade. A celebração normalmente tem início com a missa, seguida pela procissão pelas ruas da cidade, que se encerra com a bênção do Santíssimo.

Todo católico deve participar dessa Procissão por ser a mais importante de todas que acontecem durante o ano, pois é a única onde o próprio Senhor sai às ruas para abençoar as pessoas, as famílias e a cidade.

Em muitos lugares criou-se o belo costume de enfeitar as casas com oratórios e flores e as ruas com tapetes ornamentados, tudo em honra do Senhor que vem visitar o seu povo. Tudo isto tem muito sentido e deve ser preservado.

Começaram assim as grandes procissões eucarísticas e também o culto a Jesus Sacramentado foi incrementado no mundo todo através das adorações solenes, das visitas mais assíduas às Igrejas e da multiplicação das bênçãos com o Santíssimo no ostensório por entre cânticos cada vez mais admiráveis.

Surgiram também os Congressos Eucarísticos, as Quarenta Horas de Adoração e inúmeras outras homenagens a Jesus na Eucaristia. Muitos se converteram e todo o mundo católico.

O culto eucarístico não começou no século XIII, pois começou desde o Cenáculo, quando Jesus instituiu a sagrada Eucaristia. Mas faltava, porém, uma festa especial para agradecer ao "Prisioneiro dos Sacrários" esta presença inefável que o faz contemporâneo de todas as gerações cristãs.

Era necessário, realmente, uma data distinta para que se manifestasse um culto especial ao Corpo e Sangue de Cristo, atraindo d’Ele novas graças e bênçãos para os que caminham neste mundo. 
 
Irmã Analice Rocha Amorim - ASCJ -
Coordenadora do GFASC/SP

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Liturgia

Ministérios a serviço do povo

Ministérios a serviço do povo Siga as orientações para inovar e renovar sua equipe de liturgia
POR MÁRCIO ANTÔNIO DE ALMEIDA
Quem já não se flagrou fazendo constatações apressadas sobre o povo que participa das celebrações nas comunidades? Selecionamos alguns exemplos de frases que se ouvem em reuniões de equipes de liturgia ou mesmo em encontros formação: “o povo não vai entender”; “o povo não vai participar”; “o povo não canta”; “o povo chega em cima da hora”; “o povo não está nem aí”. Estas afirmações podem revelar uma “terceirização” de responsabilidades pastorais, uma carência formativa dos agentes e um desconhecimento da própria definição de Igreja, povo de Deus, e da natureza da liturgia trazida pelo Concílio do Vaticano II.
A liturgia é fonte e cume da ação da Igreja (cf. SC n. 10). Por meio dela, o povo convocado se reúne em assembleia e animado pelos ministérios litúrgicos, escuta a Palavra e partilha do mesmo pão, do mesmo cálice. Ao fazer memorial da Páscoa de Cristo, renova-se a Aliança de amor com o Deus da vida. É páscoa de Cristo na páscoa do povo e páscoa do povo na páscoa de Cristo (cf. CNBB, Doc. 43, n. 300). Esse povo que celebra, mesmo sem um conhecimento litúrgico mais elaborado, expressa a fé no Deus da vida por meio de gestos e ações simbólicas, rituais.
O que fazer?
Antes de afirmar que o povo não vai entender, cabe às equipes estarem convencidas sobre o sentido da ação simbólica a ser realizada. Vale lembrar que a participação consciente, ativa e plena do povo (cf. SC 14) está relacionada ao nível de iniciação litúrgica das equipes de celebração e à qualidade do exercício ministerial. Os ministérios, à imagem do Cristo servidor, cumprem sua função e a comunidade dos fiéis, o povo, expressa sua adesão ao mistério celebrado e seu compromisso com a Boa Nova do Reino.
Neste sentido, há alguns pequenos detalhes a serem observados pela equipe que prepara as celebrações. Por exemplo, equipes “ruidosas” no celebrar tendem a perturbar a participação do povo, pois a movimentação de pessoas, gestos, sinais ou qualquer imprevisto, podem desviar a atenção da assembleia. Por isso, a consciência dessa limitação, por parte da equipe, é urgente e necessária para um serviço qualificado ao povo de Deus. Lembremo-nos que os ministérios brotam do meio do povo e se espera, no mínimo, que a dignidade do serviço prestado corresponda às expectativas desse povo.
Como fazer?
Queremos silêncio? Silenciemos. Na medida certa e no momento devido, o silêncio é capaz de preencher-nos do sentido do mistério.
Queremos respostas claras do povo? Sejamos claros naquilo que oramos, cantamos, proclamamos etc. A liturgia é um fazer objetivo que atinge em profundidade os sujeitos celebrantes. Por isso, durante as motivações, evitem-se comentários e explicações sobre o óbvio. É necessário “limpar” o supérfluo para que o rito possa se expressar com clareza e simplicidade por meio de seus sinais sensíveis.
Queremos a voz e a vez do povo? Que tal nos empenhar na preparação das celebrações da comunidade levando em conta o mistério celebrado no tempo litúrgico, na vida da comunidade, as pessoas concretas e os ministérios litúrgicos?
Aos poucos se descobre o valor das equipes de acolhida. Convém, no conjunto das pastorais, buscar um modo mais integrado de colocar em ação este serviço ao povo. Há casos de equipes que se desdobram na acolhida, mas o animador, ou mesmo quem preside, não tem a sensibilidade devida para conduzir o processo de acolher. Toda a comunidade se acolhe mutuamente, transparecendo a alegria do Ressuscitado. Nas celebrações da comunidade, acolher é servir, é deixar à vontade, trazer para perto, conduzir, direcionar, amar…
A equipe de celebração e os ministros do povo de Deus devem estar convencidos de suas atribuições (cf. SC 28-28). O povo vai celebrar convicto, “antenado” e comprometido se perceber que nossas ações se revestem de sentido teológico-espiritual, que se alcança por meio de um processo equilibrado de formação litúrgica aliado à experiência celebrativa. Assim sendo, o processo de seduzir o povo, de estimulá-lo à participação, de encantá-lo ao redor do Mistério Pascal é um desafio significativo para que a liturgia seja, de fato, o hoje da salvação.
Márcio Antônio de Almeida é Liturgista e Musicólogo. Agente de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo. Membro da Rede Celebra e da Equipe de Reflexão de Música Litúrgica da CNBB.
Contato: almajm@ig.com.br

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