domingo, 29 de julho de 2012

Vida

VIVER A VIDA

A vida passa muito rapidamente, e quando nos damos conta, já se passou o dia, o mês, o ano, muitos anos e a velhice que vem chegando de modo tão veloz e inesperado. Surge então o grande questionamento do ser humano: mas afinal, que sentido tem essa vida? Que sentido tem essa correria, essa sede de mais e mais, essa loucura desenfreada que toma conta de tanta gente?
Por mais que prolonguemos a nossa existência, graças ao avanço da ciência, a vida será sempre breve e passageira. Isso, com certeza, nos assusta, pois a constatação da morte sempre foi motivo de angústia e sofrimento para a maioria das pessoas. Os anos vão passando, os cabelos brancos surgindo, as forças desaparecendo, as dores se manifestando no corpo. A saudade então da juventude, dos tempos áureos, onde tudo parecia ser eterno. Que mistério essa nossa existência!
Diversas pessoas tentam encontrar razões para viver, e não apenas passar por essa vida. Muitos encontram na religião a resposta para suas perguntas; outros anseiam por mais e mais, o mundo material dirige suas vidas; outros ainda buscam sem cessar o poder; tem aqueles que fazem da sua existência uma busca desenfreada pelo prazer. E para você, que sentido tem essa vida?
Pessoalmente, acredito que a vida é feita de etapas, assim como as estações do ano. A primavera é o tempo do desabrochamento da vida e vai desde o nascimento até a juventude. Um período essencial para direcionar os sonhos, os projetos, a escolha profissional. Um período intenso de energia, de fôlego, onde tudo parece ser possível e realizável. O verão é o tempo da plenitude, onde os projetos se realizam, e o ser humano vive plenamente a sua vida. Tempo de brilhar, construir, escrever livros, realizar-se na sua profissão. É o período das grandes realizações da vida. Chega então o outono, tempo da colheita. Nós colhemos aquilo que plantamos, essa é a grande verdade. É o tempo da velhice, da aposentadoria, onde cada um desfruta daquilo que semeou ao longo da sua existência. Enfim, o inverno, tempo final da existência, quando nos preparamos para a partida. Tempo árduo para alguns, pois saber-se próximo do fim dessa vida, sempre é doloroso e angustiante. Para outros, pode ser um período de paz, na certeza de ter realizado o melhor ao longo da sua vida. A morte não é vista como o final de tudo, mas como o inicio de uma nova existência.
Saber viver, eis a grande questão. Acredito que ao longo de toda sua vida, torna-se fundamental para o ser humano, encarar os problemas, as adversidades, com coragem e determinação. Quando alguém, frente a uma dificuldade logo sucumbe, jamais poderá usufruir dessa curta existência. O enfrentamento, eis o grande desafio, em cada estação da nossa breve passagem por esse mundo. Quando alguém facilmente desanima diante das contrariedades, com certeza não poderá nunca fazer a experiência da vitória. Aí está, para mim, o segredo do bem viver em todas as fases da vida. Deveríamos educar e ser educados a sermos fortes interiormente, a fim de lutarmos até o fim, mesmo quando tudo parece dizer que não seremos capazes e que não vai dar certo.
Só poderá comemorar a vitória, quem soube arriscar, ousar, enfrentar e acreditar que é possível, mesmo quando tudo parece mostrar o contrário. Ao longo da história, quantas pessoas nos deram o exemplo de bravura, de galhardia e coragem, mantendo-se de pé e firmes nas horas mais árduas e dolorosas da sua existência.
Tudo que é fácil e não exige luta, não tem sentido, mas tudo aquilo que é resultado de muita persistência, perseverança, tem um gosto todo especial. E para mim, é exatamente isso que dá o brilho especial para a nossa vida.

Dr. Pe. André Marmiliez

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