segunda-feira, 30 de maio de 2016

Novena do Coração de Jesus

SOLENIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS
NOVENA EM PREPARAÇÃO
TEMA GERAL: O SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS E A MISERICÓRDIA DIVINA
1º dia: Tema: O abraço da misericórdia de Deus
Invocação ao Espírito Santo
Introdução: Queridas Irmãs, com grande alegria, iniciamos hoje a novena em preparação à solenidade do Coração de Jesus, nosso Patrono, centro e inspiração de toda pessoa. E nossa alegria se apoia também no momento histórico que vive nossa Igreja, nosso Instituto e, cada uma de nós: É o Jubileu Extraordinário da Misericórdia; Estamos nos preparando para celebrar o 17º Capítulo Geral que tem como tema “Reavivar no mundo a chama da misericórdia de Cristo”.  Estes dias de oração se apoiam neste grande contexto do Amor Misericordioso do nosso Deus. Seja Ele nossa Luz, Guia e Forte Inspirador em toda a nossa vida!
A Misericórdia de Deus! Como é bela essa realidade da fé para a nossa vida! Como é grande e profundo o amor de Deus por nós! É um amor que não falha, que sempre segura a nossa mão, nos sustenta, levanta e guia!” (Papa Francisco).
Na grande graça do “Jubileu Extraordinário da Misericórdia”, voltamo-nos para o Coração de Jesus, o Rosto da Misericórdia, nesta preparação de sua solenidade, para sempre mais a Ele nos unirmos e mais profundamente nos associarmos aos seus sentimentos e ações, neste momento histórico de nossas vidas. Que Ele nos inflame sempre mais do seu infinito amor.
Voz 1 – “Precisamos sempre contemplar o mistério da misericórdia. É fonte de alegria, de serenidade e de paz. É condição da nossa salvação“. Contemplar a misericórdia significa vê-la impressa no rosto de Cristo, que está vivo e realmente presente no mistério da santíssima Eucaristia.
Voz 2 – Cada vez que a Igreja celebra os sacramentos, não faz mais que tornar sempre viva e presente a misericórdia do Pai, que age através do Filho e transforma o coração dos inquietos, e a matéria dos sacramentos em graça eficaz para a nossa salvação. A obra da graça do Espírito Santo, com o poder transformador da sua ação, torna forte o que é fraco.
Voz 3 – Na Bula Misericordiae Vultus, o Papa Francisco nos lembra: “Há momentos em que somos chamados, de maneira ainda mais intensa, a fixar o olhar na misericórdia, para nos tornarmos nós mesmos sinal eficaz do agir do Pai” (MV,3). Contemplar o Coração do Filho é um momento privilegiado para poder descobrir e deixar-se fascinar pelo rosto misericordioso do Pai.
Voz 4 – No Evangelho de São João, o apóstolo Tomé experimenta precisamente a misericórdia de Deus, que tem um rosto concreto: o de Jesus, de Jesus Ressuscitado. Tomé não confia nos demais apóstolos, quando lhe dizem: ”Vimos o Senhor”; para ele, não é suficiente a promessa de Jesus que havia anunciado: no terceiro dia ressuscitarei. Tomé quer ver, quer colocar a mão no sinal dos cravos e no peito.
Voz 5 – Como reage Jesus? Com a paciência. Jesus não abandona Tomé relutante na sua incredulidade; dá-lhe uma semana de tempo, não fecha a porta, espera. E Tomé acaba por reconhecer sua própria pobreza, sua pouca fé. “Meu Senhor e meu Deu” – Com essa invocação simples, mas cheia de fé, responde à paciência de Jesus. Deixa-se envolver pela misericórdia divina, vê-a a sua frente, nas feridas das mãos, dos pés e do lado aberto, e readquire a confiança: é um homem novo, já não incrédulo, mas crente.
Leitura – João 20, 19-28 – Momento de reflexão.
Podemos rezar o Salmo 25:
A ti, Senhor, minha alma se eleva. / Meu Deus, em ti ponho minha confiança, que eu não fique decepcionado. / Que meus inimigos não cantem vitória sobre mim. / pois aqueles que em ti confiam não ficam decepcionados. /  ( ... ) Faze-me conhecer, Senhor, os teus caminhos/, ensina-me as tuas estradas  ...) Ensina-me que tu és o meu Deus e o meu Salvador. / Em ti espero todos os dias / Lembra-te, Senhor, da tua compaixão e da tua lealdade, pois elas duram para sempre. ( ...)









2º dia: tema:  O Rosto da  Misericórdia – Jesus
Invocação ao Espírito Santo
Introdução: A solenidade da festa do Coração de Jesus designa o próprio mistério de Cristo, a totalidade do seu ser, a sua pessoa considerada no núcleo mais íntimo e essencial: o Filho de Deus, sabedoria incriada, princípio de salvação e de santificação para toda a comunidade. O Coração de Jesus é Cristo, Verbo encarnado e Salvador, intrinsicamente voltado, no Espírito, com infinito amor divino-humano para o Pai e para os homens, seus irmãos.
Voz 1 – Contemplando o Rosto da Misericórdia, recordemos o caso de Pedro: por três vezes renega Jesus, precisamente quando Lhe devia estar mais unido. E quando chega ao fundo, encontra o olhar de Jesus que, com paciência e sem palavras lhe diz: “Pedro, não tenhas medo da tua fraqueza, confia em Mim”. E Pedro compreende, sente o olhar amoroso de Jesus e chora... Como é belo esse olhar de Jesus! Quanta ternura! Que jamais percamos a confiança na paciente misericórdia de Deus!
Voz 2 – Continuemos nossa oração e, voltemo-nos para os discípulos de Emaús: o rosto triste, passos vazios, sem esperança. Mas Jesus não os abandona; percorre juntamente com eles a estrada. E não só; com paciência, explica as Escrituras que a Si se referiam e para na casa deles, partilhando a refeição. Este é o estilo de Deus: não é impaciente como nós, que muitas vezes queremos tudo imediatamente, mesmo quando se trata de pessoas.
Voz 3 – Deus é paciente conosco, porque nos ama; e quem ama compreende, espera, dá confiança, não abandona, não derruba as pontes, sabe perdoar. Recordemos na nossa vida: Deus sempre espera por nós, mesmo quando nos afastamos. Ele nunca está longe e, se voltarmos para Ele, está pronto para nos abraçar.
Voz 4 – Continua causando grande impressão a releitura da parábola do pai misericordioso; impressiona pela grande esperança que sempre provoca. Pensemos no filho mais novo, que estava na casa do pai, era amado; e, todavia, deseja sua parte da herança; abandona a casa, gasta tudo, chega ao nível mais baixo, mais distante do pai; e, quando tocou o fundo, sente saudades do calor da casa paterna e regressa.
Voz 1 – E o pai? Teria esquecido o filho? Não! Está lá, avista-o ao longe; tinha esperado por ele todos os dias, todos os momentos: como filho sempre esteve no seu coração, apesar de tê-lo deixado e gasto todo o patrimônio, isto é, sua liberdade. Com paciência e amor, com esperança e misericórdia, o pai não tinha deixado nem um instante sequer de pensar nele, e logo que o vê, ainda longe, corre ao seu encontro e o abraça com ternura - ternura de Deus – sem uma palavra de censura: voltou! Isso é a alegria do pai; naquele abraço ao filho, está toda essa alegria: voltou! Deus sempre espera por nós, não se cansa. Jesus mostra-nos essa paciência misericordiosa de Deus, para sempre reencontrarmos confiança, esperança.
Voz 2 - Pensemos ainda:  a paciência de Deus deve encontrar em nós a coragem de regressar a Ele, qualquer que seja o erro, o pecado na nossa vida. Jesus convida Tomé a colocar a mão em suas chagas. Nós também podemos entrar nas chagas de Jesus, podemos tocá-lo realmente; isso acontece todas as vezes que recebemos, com fé, os sacramentos. É justamente nas chagas de Jesus que vivemos seguros; nelas se manifesta o amor imenso do seu coração. É importante a coragem de me entregar à misericórdia  de Jesus, confiar na sua paciência, refugiar-me sempre  nas feridas do seu amor.
Voz 3 - O que estamos rezando nos leva a perceber o papel da fé. A luz da fé possui um caráter singular: ilumina toda existência humana. Isto mostra seu caráter singular: sua origem é Deus. A fé nasce do encontro com o Deus vivo que nos chama e revela seu amor. Transformados por esse amor, recebemos olhos novos e experimentamos que há Nele uma grande promessa de plenitude e nos abre a visão do futuro.
Voz 4 - Queridas Irmãs, não nos fechemos à novidade que Deus quer trazer à nossa vida. Muitas vezes sucede que nos sentimos cansadas, desiludidas, tristes; sentimos o peso dos nossos pecados... Não nos fechemos em nós mesmas, não percamos a confiança, não nos demos jamais por vencidas; não há situação que Deus não possa mudar; não há pecado que não possa perdoar, se nos abrimos a Ele.
Leitura: “Correu-lhe ao encontro, lançou- se- lhe ao pescoço e o beijou”. Lc 15,20  (reflexão)
Rezemos o Sl 41:
Feliz quem cuida do explorado. / O Senhor o protegerá e lhe preservará a vida, / a fim de que tenha felicidade na terra, / e não deixará aos caprichos do inimigo. (...) Eu disse: “Senhor, tem piedade de mim! Cura minha alma, pois pequei contra ti!”. (...) Seja bendito o Senhor, o Deus de Israel, / desde agora e para sempre! Amém

3º dia - Tema: O amor do Pai: fonte da Misericórdia
Introdução:
Invocação ao espírito santo
“Gostamos de pensar no amor do Pai como uma fonte inesgotável de água puríssima, cristalina, que jorra sem cessar Seu Amor de forma incondicional, plena, infinita e gratuita.
Os padres da Igreja chegaram a apresentar, nesta imagem, o mistério de Deus Pai, Filho e Espírito Santo – Trindade de Amor e Misericórdia Infinita. Eles vêm o Pai como fonte de água pura – fonte e origem eterna do Amor Infinito. Enxergam o Filho como o rio que desta fonte nasce e que, descendo, nos alcança, sem cessar, até o fundo do abismo da nossa miséria. Visualizam o Espírito Santo como a água, o mar imenso do Amor do Pai, no qual somos mergulhados, fecundados, regenerados. “Considerai o Pai como fonte de vida; o Filho como rio que nasce; o Espírito Santo como mar, pois a fonte, o rio, o mar têm a mesma natureza”. (S. João Damasceno).
Voz 1 – Esse mistério é tão alto, e ao mesmo tempo tão simples! De fato, o nosso Deus é infinitamente “Amor”! “Deus é amor, quem está no amor está em Deus e Deus está nele” (cf 1Jo 4, 16). Mistério tão profundo que nunca terminaremos de contemplar e compreender.
Voz 2 – Toda a Bíblia, toda a história da salvação é a história do Amor de Deus que nos precede. É a história da nossa miséria, do nosso pecado e das contínuas e inumeráveis intervenções do Amor Misericordioso do Pai que não cansa de nos perdoar. É em Jesus, porém, que se manifesta o cume deste Amor, a plenitude desta aliança de misericórdia, a realização da Promessa: “Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. (Jo 3, 16).
Voz 3 – Disse Jesus a santa Faustina: “Minha filha, escreve que quanto maior é a miséria de uma alma, tanto mais direito tem à Minha misericórdia, e que todas a almas confiem no inconcebível abismo da Minha misericórdia, porque desejo salvá-las todas”. O Papa Francisco nos recorda que “Deus nunca se cansa de nos perdoar, nós é que nos cansamos de pedir Sua Misericórdia”.
Voz 4 – Olhando para Cristo, manifestação encarnada do Amor do Pai e termo que a nosso ver, melhor expressa este Amor é o Seu abaixamento, o descer de Cristo até o abismo de nossa miséria. De fato, Jesus desceu até o inferno para livrar-nos do inferno que nosso pecado merecia. Desceu do céu no seio de uma criatura, assumindo a limitação da carne, da história, da cultura, do tempo, do espaço, assumindo nossas enfermidades, nosso pecado, carregando no seu Corpo nossas misérias e nossas chagas (Is. 53, 1 ss).
Voz 1 – Na Eucaristia, Ele se fez “coisa”, alimento para nós, para tornar-nos filhos de Deus. Desceu no meio dos pecadores no rio Jordão para ser batizado, desceu no meio dos excluídos, leprosos, endemoninhados, doentes... fez-se servo dos seus discípulos  lavando -lhes os pés... Só subiu na Cruz, onde no cume do abandono, da dor manifestou-se como Misericórdia: “Pai, perdoa-lhes! Não sabem o que fazem!” (Lc 23,34).
Leitura:
“De fato, Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele” (Jo 3, 16-17).
Voz 2 – Como vivermos esta palavra? Deixando-nos alcançar, primeiramente, pelo perdão de Cristo, deixando-nos lavar pelo Sangue e pela água que correm do Seu Lado aberto. Também, desçamos com Cristo até os “porões da existência humana”, em que jazem tantos irmãos que ainda não conhecem o Amor de Deus. O convite é voltarmos ao primeiro amor Misericordioso que alcança a miséria humana.
Rezemos o Sl 42: “Assim como a cervo suspira pelas águas correntes, assim minha alma suspira por Vós, ó Deus ! / Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: / quando terei a alegria de ver a face de Deus ? (...) Porque você está triste, minha alma, gemendo dentro de mim ? / Espere em Deus, e eu ainda o louvarei (...). /  Digo a Deus, a Ele que é o meu rochedo: Por que te esqueces de mim? (...) Espere em Deus, e eu ainda o louvarei; “Meu Deus, salvação da minha face”.







4º dia: Tema: Misericórdia: um mistério sem medida
Introdução: Invocação ao Espírito Santo
A Misericórdia do Senhor é um mistério sem medida, pois ela é, como diz Jesus a Santa Faustina, “o maior atributo de Deus”. Mistério é algo que nunca poderíamos compreender por nós mesmos. É algo que precisa ser revelado por iniciativa divina e que, mesmo assim nunca poderíamos compreender totalmente, porque supera nossa capacidade humana.
Deus, “que é Amor” por sua natureza (cf  1Jo 4,8) revela-se misericordioso na história do homem, que caiu num abismo de miséria por causa do pecado original! É a Misericórdia divina que transfigura a história do pecado humano em história de salvação.
Voz 1 - O Senhor relacionava-se com Moisés, com quem “falava face a face, como alguém que fala com seu amigo (cf Ex 33,11), revelando-se como “Deus Misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel, que conserva a Misericórdia por mil gerações e perdoa culpas, rebeldias e pecados” (cf Ex.34,6). Esta Palavra é uma das revelações mais significativas da Misericórdia na manifestação de Deus, para com Moisés, na história da libertação do povo de Israel da terra da escravidão.
Voz 2 - Deus se apresenta a Moisés como Aquele que vê a opressão do seu povo, que ouve seu grito de aflição, que conhece seus sofrimentos, que desce até o fundo da sua escravidão para libertá-lo e fazê-lo sair para a terra prometida, terra de liberdade e prosperidade plena! (cf Ex 3, 7...). Misericórdia é, então, o descer do Amor de Deus no “inferno” da nossa existência, ferida pelo pecado.
Voz 3 – Misericórdia, então, expressa o sentimento pelo qual a miséria do outro toca e entra no coração de Deus, ou no nosso coração. O nosso Deus é, então, um Deus que não fica indiferente perante a humanidade. Ele desce na história humana, deixa-se ferir e sofre conosco. Esta revelação encontrará, em Cristo, e Cristo crucificado por causa dos nossos pecados, a sua plena manifestação.
Leitura: “Desci a fim de libertá-lo da mão dos egípcios, e para fazê-lo subir a uma terra boa e vasta, terra que mana leite e mel” (cf Ex 3,8). Olhando para a história de Israel e para a nossa história pessoal, poderemos entender algo desta divina Misericórdia que continuamente nos surpreende r nos comove.
(Breve pausa e reflexão)
Voz 4 -  O Senhor deseja manifestar a Sua Misericórdia através de cada um de nós. Ele que, como diz o Salmo 14, “se inclina para olhar” e “ergue da poeira o indigente e do lixo levanta o pobre, para fazê-lo assentar-se entre os príncipes do seu povo”. O chamado que recebemos é um carisma belíssimo: sermos instrumentos, canais da Misericórdia para o mundo! É um privilégio sem medida termos sido “escolhidas” como Apóstolas, o que não é mérito pessoal, mas, sim, uma fascinante responsabilidade.
Voz 1 – Hoje o Senhor repete para nós, como para Moisés: “Vai! Eu te envio a Faraó para fazer sair do Egito o meu povo, os filhos de Israel”.  Quantas vezes nos sentimos incapazes, fracas e pobres perante a grandeza da missão! Quantas vezes dissemos como Moisés: “Quem sou eu para ir ao Faraó e fazer sair do Egito os filhos de Israel?”
Voz 2 – Mesmo assim podemos testemunhar a fidelidade de Deus em nossa vida. Assemelhando-se ao que disse e fez com Moisés, Ele nos diz continuamente: “Eu estarei contigo” (ex 3,12).  Quantas vezes o Senhor tem se manifestado e sido presente “na providência”, “nas curas”, nas “conversões”, nos dando o cêntuplo que Ele promete para os que O seguem, juntamente com as provações, que também não faltarão, e a vida eterna? (cf Mc 10,29).
Voz 3 – Esse é realmente o sentido do misterioso nome com que o Senhor se revela a Moisés: “Eu sou aquele que é” (cf Ex 3,14). Ele nos revela: “Eu, o Eterno, sou Aquele que se faz presente na tua história, no teu presente”. Ele, o Infinito, entrou na finitude do nosso viver para nos dizer: “Eu te amo sem cessar, independente dos teus pecados, eu te amo! Eu sou Amor, Aquele que é sempre, unicamente, infinitamente, incondicionalmente Amor!”.
Voz 4 – Como corresponder a este Amor? Acolhendo-o, deixando-nos alcançar até o fundo de nossas limitações para nos tornarmos sinais da Sua Misericórdia. Deixemos esta água correr como rio de água viva, e deixemo-la transbordar e descer, através de nós, para alcançar nossos irmãos nas suas grandes necessidades. “Quem tem sede venha e beba... e de seu peito jorrarão rios de água viva !” ( Jo 7,37). Vem, espírito de Misericórdia, desce sobre nós e sobre toda a fraqueza deste nosso mundo!
Rezemos o Salmo 43:
Julga-me, ó Deus, defende a minha causa / contra uma nação sem piedade! Por que me rejeitas? / Envia tua luz e tua verdade: / elas me guiarão e me levarão ao teu monte santo, ao teu santuário / Irei até o altar de Deus, / ao Deus da minha alegria e júbilo / (...) Espere em Deus, e eu ainda o louvarei: Meu Deus, salvação da minha face!.”

5º dia: Tema: O bom Pastor e a ovelha perdida
Introdução: Invocação ao Espírito Santo
Alegrai-vos comigo! Encontrei a ovelha que estava perdida!” (Lc 15,6). Este é um trecho da parábola do Bom Pastor, uma das mais conhecidas de todo o Evangelho. O próprio Jesus é este Pastor que deixa as noventa e nove ovelhas para procurar a que se perdeu.  Esta manifestação do Amor é a Boa Nova da Misericórdia de um Deus que, apaixonado pelo homem, dá Sua própria vida, ama até o desprezo de si, tornando-se servo obediente até a morte, e morte de Cruz (cf Fl 2,7).
Voz 1 – Santo Agostinho diz que existem, fundamentalmente duas formas de viver: amar a Deus até o desprezo de si, no serviço dos outros; ou amar a si mesmos até o desprezo de Deus, servindo-se dos outros. Este segundo “amor” é a causa de todos os males sociais.
Voz 2 – O capítulo 15 do Evangelho de S. Lucas é uma única parábola em três episódios. Aparentemente as três parábolas repetem o mesmo esquema: o Bom Pastor, a mulher com a dracma perdida e o Pai misericordioso. Os três estão em busca de algo e, quando encontram, fazem festa.
Voz 3 – Na tradição bíblica, a repetição tem o sentido de chamar a atenção sobre a importância da mensagem dada, tão essencial que vale a pena repetir. Da mesma forma que é essencial comermos para manter a vida, na caminhada espiritual devemos meditar diariamente sobre a Misericórdia do Senhor para manter-nos vivos! Esta Misericórdia é que nos dá forças e nos enche de entusiasmo, na certeza de que “Ele me  ama e não desiste de mim!”
Voz 4 – Meditar e mergulhar na Misericórdia de Deus é uma experiência que não cansa, que nos dá força para recomeçar todas as vezes que caímos; é viver a vida como uma festa sem fim, pois  “haverá alegria entre os anjos de Deus por um pecador que se converte” (cf Lc 15,10). É alegrar-se com Deus pelos pecadores convertidos, buscar incansavelmente, com o Senhor, as ovelhas perdidas, lembrando que a Igreja é uma família de pecadores transformados pelo Amor do Pai, que revela o tesouro precioso de cada homem. “Tu és precioso aos meus olhos, és digno de estima, pois Eu te amo!” (cf Is. 43,4).
Dirigente – “Alegrai-vos comigo! Encontrei a ovelha que estava perdida!” (Lc 15,6). Jesus insiste nessas três parábolas sobre a Misericórdia, pois Ele sabe que a tentação do homem após o pecado original é como a de Adão: fugir de Deus por medo da sua própria culpa. Por isso o Senhor se apresenta como Pai de ternura e compaixão que sempre nos espera, nunca desiste e não nos acusa, mas apenas nos acolhe num abraço de amor e de perdão.
Voz  1 – Jesus se apresenta como Filho, Bom Pastor, que não veio para condenar, mas para salvar o mundo e buscar os que estavam perdidos. Ele se apresenta como Espírito Santo, expressão do Amor materno da mulher que varre a casa em busca da moeda perdida. Um Deus que enxerga o tesouro precioso de cada filho, além da impureza do pecado, pois como Jesus disse a Santa Faustina “pois, mesmo que seus pecados fossem mais numerosos que os grãos de areia da terra, ainda assim seriam submersos no abismo da Minha Misericórdia”.
Voz 2 – Na parábola da moeda perdida, as ações da mulher refletem exatamente o Espírito Santo em nossa vida:
1.    Acende a luz: O Espírito santo é a luz que ilumina nossa consciência, revela-nos o Cristo e o amor do Pai que nunca desiste de nós!
2.    Varre a casa: O espírito nos dá discernimento para reconhecer o mal que em nós habita (cf Jo 16,8), e assim separar o pecado da graça preciosa aos olhos do Pai, que é meu coração de filho!
3.    Encontra a moeda: O espírito, vitória da Misericórdia do Senhor na Cruz que nos justifica do pecado, pelo preço precioso do Seu Sangue. Vitória que venceu o mundo e “destruiu pela morte o autor da morte, Satanás” (cf Hb 2, 14).
Voz 3 – É maravilhoso ler as parábolas da Misericórdia sob essa luz trinitária: o amor do único Deus revela, na particularidade de cada pessoa, as diferentes ações da mesma Misericórdia. O Filho que busca a ovelha perdida; o Pai que nunca desiste do filho pródigo e deixa-nos livres para sair de casa e depois voltar ao seu Coração, que nunca deixa de nos amar; o Espírito Santo que gera luz e ordem em nossa vida, varrendo o que é lixo e resgatando o valor precioso da nossa morada: o preço da jornada terrena que JESUS pagou por nós.
Voz 4 - Como viver esta palavra? Tornando-nos instrumentos do Espírito Santo, que sabe reconhecer o tesouro de inestimável valor que é a vida de cada pessoa, preço do resgate na Cruz, de Jesus. Não por acaso as parábolas são ambientadas ao redor da mesa, nos banquetes, nas festas e na casa dos pecadores (cf Lc15,2). Jesus revela-nos Seu Amor e quer nos “arrastar” com Ele neste movimento de saída, procurando aqueles que estão perdidos. “Sede misericordiosos como vosso Pai é Misericordioso” (cf Lc 6,36).
Procuremos descobrir em cada pessoa e com nossa própria vida os dons, as graças e os talentos preciosos que, mesmo às vezes escondidos debaixo de limites, podem ser resgatados, revelados e frutificados para a glória do Pai.  Sejamos expressão viva da criativa Misericórdia do Espírito Santo. Senhor que dá a vida!
Rezemos o Sl 51: Tem piedade de mim, ó Deus, conforme a tua misericórdia! / Por tua infinita compaixão, apaga a minha culpa! / Lava-me completamente da minha falta, / e purifica-me do meu pecado! (...)























6º dia: Tema: O Pai  Misericordioso: um Amor que não se cansa nem descansa
Introdução:
Nesta terra, Jesus quis mostrar a Misericórdia que o Pai tem por nós, pecadores. Ele sabia que não poderíamos  voltar ao Pai sem que primeiro Ele se oferecesse como sacrifício por nós. Fez-se homem para se tornar um entre nós, filhos que, pelo pecado, desobedecemos ao Pai. Assumiu todos os nossos pecados, sem se tornar pecador. Entregou-se voluntariamente na cruz e, com Suas palavras e gestos, curas e milagres, revelou o Pai Misericordioso, que ama cada ser humano desde toda a eternidade.
A parábola do Filho Pródigo é um exemplo deste amor misericordioso (cf Lcl5,11-32). Teólogos preferem afirmar que, na verdade, esta é a “parábola do Pai Misericordioso”, pois o personagem principal não e o filho  que deixa a casa do pai, nem o filho maior que se revolta contra Ele, mas o Pai que é misericórdia, perdão e acolhida perante os dois filhos.
Voz 1 – “Meu Pai, dá-me a parte da herança que me cabe. O pai então repartiu entre eles os bens.” (cf Lc 15,12). Neste ato de dar a herança ao filho, Jesus quis revelar uma verdade a Seus discípulos e a nós. A lei proibia uma pessoa ainda viva de entregar sua herança aos filhos. Este pai vai além da lei. Para ele a lei  é  o amor, amor que dá liberdade ao outro. Podemos afirmar que é o Amor do Pai do céu, que não quer guardar nada para si, mas deseja dar tudo para cada um de nós. Ele nos dá a herança, todos os Seus bens, capacidade e riquezas. Fez o homem à sua imagem e semelhança e o Seu único desejo é que usufruamos bem de tudo o que Lhe pertence.
Voz 2 – Já somos os herdeiros de tudo. Poderíamos experimentar a glória do Pai, mas preferimos, muitas vezes, ser como o filho pródigo, buscando tudo com nossas próprias forças, sem tomarmos consciência dos limites e pecados que afetam nossa mente e nosso coração. Ficamos cegos e surdos, buscamos as coisas que passam e abandonamos a vida na casa do Pai.
Voz 3 - O pai correu ao encontro do filho, aparentemente acabado e sem forças; abraçou-o, vestiu-o de novo e colocou um anel em seu dedo.  O Pai nos espera, a cada momento. Ele olha para mim e espera que eu volte. Não importa se estamos “sujos dos pecados” cometidos, acabados, cansados, perdidos, envergonhados. Ele corre ao nosso encontro e cobre-nos com vestes reais. Deseja somente que voltemos à Sua casa. Ele vê em nós a Sua imagem e semelhança; se interessa e se importa com nossa vida. Para o Pai, o amor vai além dos pecados cometidos. Ele me ama assim como sou.
Voz 4 – A parábola conta que o pai ordenou que matassem um novilho gordo para celebrar a volta do filho.  No tempo de Jesus, uma família que tivesse um novilho gordo era símbolo de riqueza. O novilho gordo era um animal que geraria mais novilhos, ou seja, multiplicaria a riqueza.  O que fez o pai? Ofertou sua riqueza, aquilo que tinha de melhor, um novilho gordo. Neste gesto podemos ver a doação total do Pai do céu que, para nos receber de volta em Sua casa, entrega Seu Filho Único por amor a nós. Amor sem limites!
Voz 1 – “Estava ainda longe quando seu pai o viu e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro (...)”. Ele se comoveu.  É o que vive Jesus na comunhão recíproca com o Pai e o Espírito Santo. Quando Jesus se entrega ao Pai por amor, para nos dar vida em plenitude, Ele vive nossos sofrimentos e chagas, carrega sobre si nossas enfermidades. Éramos perdidos, sem forças, não conseguíamos mais voltar ao Pai somente com nossas forças... “Correu-lhe ao encontro, lançou- se -lhe ao pescoço e o beijou”.
Voz 2 - O Pai permitiu que Seu Filho vivesse o drama da humanidade. E Jesus, como Filho, disse: “Pai, em Tuas mãos entrego meu espirito” (cf Lc 23,46). Com esse grito, o Pai se comove. Vive a dor do Filho, dor da distância e da solidão daquele que se fez homem. Une-se e entrega o Seu Amor infinito, movendo-se pelas fraquezas e sentimentos de abandono na Cruz, que por amor quer doar-se a Si mesmo pelos pecados da humanidade. Esse é o agir de Deus, que vive as dores como a mãe no parto, para gerar uma nova humanidade. O grito de dor se torna sinal de amor. Jesus conclui dizendo: “tudo está consumado”.
Voz 3 – A Misericórdia do Pai tem essa marca: viver para que outros recebam vida. Somos chamados a viver o kenosis, o esvaziamento, a morrer como o Pai no Filho até o sepulcro, onde o relacionamento une a vida dos que amam até a morte, lugar de silêncio e mistério. É o mistério do Pai misericordioso que, no sepulcro vê o Filho morto e entregue completamente a Ele. Mas, o ressuscita na força do Espírito que é o amor que une Seus corações.
Voz 4 – Em Jesus, o Pai nos dá uma vida nova, oferece-nos a nova terra e o novo céu. Meditemos esta parábola, para bem vivermos nosso ideal de cristãs, consagradas ao Reino do Senhor. Ele nos permitirá ser o filho que volta ao Pai. E se em algum momento nos sentirmos como o filho maior, por que não podemos nos decidir definitivamente a mudar nossas atitudes?
Rezemos o Salmo 57:
Tem piedade de mim, ó Deus, tem piedade de mim, / pois em ti me refugio / à sombra de tuas asas me abrigo / até que passe a calamidade. / Clamo ao Senhor Deus Altíssimo / ao Deus que me faz tudo de bom / Dos céus me enviará a minha salvação / me enviará seu amor e sua felicidade! Meu coração está firme, ó Deus! Cantarei e tocarei! Desperta, glória minha! / Eu irei despertar a aurora! / Vou louvar-vos entre os povos, Senhor!























7º dia: Tema: Misericordiosos como o Pai
Introdução:
Na bula “O rosto da Misericórdia”, o Papa Francisco nos convida a aproveitar este tempo favorável para contemplar o mistério do amor misericordioso que é “fonte de serenidade e paz; é condição da nossa salvação; é o ato supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro; é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa; é o caminho que une Deus e o homem” (MV).
Voz 1 – Aproveitar este tempo favorável significa não apenas acolher a Misericórdia que o Pai nos oferece, mas, sobretudo, “sermos misericordiosos como o Pai” e fazer desta Palavra nosso programa de vida, porque viver a misericórdia para com os irmãos “é o critério para diferenciar, discernir quem são os seus  verdadeiros filhos” (MV, 9).
Voz 2 – No livro do Levítico, encontramos: “Sede santos porque eu, o SENHOR, sou santo” (Lv 119,2). Isto implicava uma série de normas e práticas, bem determinadas e severas, que definiam quem era puro ou impuro e que excluíam os considerados pobres pecadores.
No Evangelho de Lucas, Jesus introduz uma novidade revolucionária: identifica a santidade de Deus, que parecia inalcançável, com a Misericórdia do Pai. Deus é santo porque é Misericórdia.
Voz 3 – Mergulhada na misericórdia, a própria miséria é objeto de um amor maior, porque no mal se revela a gratuidade, o amor absoluto. Assim, Jesus não nos pede a perfeição, mas para sermos misericordiosos, para amarmos nossos irmãos com um amor maternal, que “sai das entranhas”.  A santidade mal entendida poderia colocar-nos acima dos outros, enquanto a misericórdia nos coloca do lado dos últimos da sociedade, das pessoas marginalizadas e excluídas, dos pecadores.
Voz 4 – Para Jesus, a semelhança com o Pai, a santidade, não se realiza tanto através da observância de normas religiosas, mas pelo amor, que derramado gratuitamente nos nossos corações nos leva a estar  próximos de quem sofre, repartindo com eles nossa vida, em Cristo.
Voz 1 – Ser misericordioso é anunciar a Misericórdia do Senhor com nossa vida. Este é o programa que Jesus nos propõe. Ele quer que nos tornemos como Ele: o rosto misericordioso do Pai. Este é um objetivo acessível a todos, porque Ele nos enviou o Espirito que é amor. “O Espírito do Senhor está sobre mim”. Espírito que nos acompanha nesta missão fundamental e é acessível porque Deus nos amou primeiro; se doou por primeiro, conquistando-nos, transformando-nos e tornando-nos testemunhas deste amor que chegou a aniquilar-se na Cruz, por nós.
Voz 2 – O Pai nos ama gratuitamente. Onde há misericórdia, todo limite se torna lugar de acolhida; toda miséria se torna lugar de misericórdia; todo mal se torna lugar de perdão, e todo abismo de maldade  é absorvido, preenchido por um abismo de Amor infinito. “Onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5,20).
Voz 3 – É no perdão, em particular, que Deus manifesta sua Misericórdia. Se entendermos a Misericórdia, não podemos deixar de praticá-la para com os irmãos. Aceitar o outro em seu limite, suas falhas, é maior do que qualquer ato heroico  e nos eleva mais que qualquer experiência mística. Acolher o outro assim como ele é, amá-lo sem julgar e condenar, absolvê-lo mesmo quando é culpado, doar nossa vida sem quere nada em troca... é a mais sublime ascese, porque é amor sem condições.
Voz 4 – A Misericórdia é o Amor que surpreende o mundo, que fala ao coração dos homens do nosso tempo. Como viver esta mensagem?  “A Misericórdia de Deus não é uma ideia abstrata, mas uma realidade concreta”, fala-nos o Papa Francisco. A Palavra nos convida à conversão, colocando em prática  os passos concretos no relacionamento com os irmãos: não julgar; não condenar; perdoar e doar-se sem medida. Temos certeza de que o Senhor nos surpreenderá. Este é o tempo favorável. Deixemo-nos surpreender por Deus!
Rezemos o Salmo 92: - É bom celebrar o Senhor / e fazer músicas em teu nome, ó Altíssimo; / anunciar pela manhã a tua graça / e a tua fidelidade pela noite / com a lira de dez cordas / e com arranjos da harpa. / (...) Como são grandes, ó Senhor, as tuas obras / e os teus planos, como são insondáveis!(...) O justo florescerá como a palmeira, / crescerá como o cedro que há no Líbano / Plantado na casa do Senhor, / florescerá nos átrios de nosso Deus. / Mesmo no tempo da velhice darão frutos, / (...) para anunciar que o Senhor é retidão, / Ele é meu rochedo, e nele não existe injustiça.





8º dia – Tema:  Aproximar-se de quem sofre: um gesto de Misericórdia
Introdução:
Uma das mais conhecidas parábolas da Bíblia é, certamente, a famosa parábola do Bom samaritano (cf Lc 10, 25-37). Pela sua “riqueza”, ela estará nos acompanhando também no dia de hoje, nessa nossa preparação à solenidade do Coração de Jesus, quando somos convidadas a entrar, cada vez mais, no mistério da Sua Misericórdia. (fazer a leitura da parábola – Lc 19, 25-37 ).
Nesta parábola, a reflexão parte de uma citação do Levítico: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração. De toda a tua alma, com toda a tua força e de todo o teu entendimento; e a teu próximo como a ti mesmo” Esta é a chave para obter a vida eterna: Faze isso e viverás!”.
Voz 1 – Com esta parábola, Jesus quer nos chamar a atenção sobre duas verdades:
1.    A salvação nos vem, não apenas do conhecimento, mas do cumprimento de Sua Palavra: “O que está escrito na Lei? Como é que lês? (...) Faze isso e viverás”.
2.    Na prática, nos é “fácil amar a Deus que não vemos”, enquanto temos dificuldade para amar “o irmão que vemos” (cf 1Jo 4,20).
Voz 2 – Os Padres da Igreja sempre viram, neste “Bom Samaritano”, o próprio Senhor que, de fato, nos carregou como Bom Pastor; carregou nossas feridas e pagou o preço da nossa salvação. Claramente, esta passa a tornar- se nossa missão como cristãos/ãs. Somos chamadas a perpetuar, no tempo, a presença do Senhor no meio dos homens, a manifestar na nossa carne a Misericórdia do Pai que se revelou plenamente em Cristo Jesus.
Voz 3 – Jesus muda nossa perspectiva perante a vida e perante os irmãos: se queremos alcançar a vida eterna, a nossa pergunta não deve ser mais: “Quem é o meu próximo?”, mas “De quem eu me tornei próximo”?  Tornar-me próximo é chegar perto do meu irmão, é mover-me para conhecê-lo: conhecer seus gostos, seus dons, também seus limites... e amá-lo na  sua totalidade.
Voz 4 – O Bom Samaritano se faz próximo e vê. “Ver” é a primeira característica do amor. O sacerdote e o levita também “enxergaram” o pobre homem  ferido, mas de longe; não se aproximaram, porque para eles era um desconhecido. Os dois eram religiosos e esperava-se que fossem praticantes da Palavra de Deus. Eles, de fato, não “viram de verdade”, pois ver é trazer dentro do coração o sofrimento do outro, e fugiram frente às aparências.
Dirigente: Nesta parábola encontramos uma pedagogia do amor concreto, verdadeiro. De fato, o Amor não é apenas sentimento, é vida! O Samaritano não apenas viu, não só compadeceu-se. Ele cuidou de suas chagas derramando óleo (cuidados humanos) e vinho (cuidado espiritual).  Carregou-o no seu próprio animal e o levou à hospedaria. A hospedaria representa a Comunidade, a Igreja. Sim, a Igreja é a hospedaria, a comunidade-família que acolhe a todos, principalmente os feridos pela vida; cuida das feridas da alma, protegendo dos perigos e salvando da morte.
Voz 1 – O Samaritano cuidou do pobre até o fim: pagou do próprio bolso, envolveu outros (o dono da hospedaria) e voltará, preocupando-se como uma mãe se preocupa com o próprio filho, porque o amor exige tempo. Não é impulso de um momento, exige partilha de bens. O próximo é aquele que usou de Misericórdia, que se aproximou do outro primeiro, sem interesses pessoais, descobrindo que o irmão é a “porta do céu” a “Casa de Deus”, “a escada de Jacó” que nos leva para o céu.
Voz 2 – Em nossa vivência, vamos fazer o exercício contínuo da “proximidade”, perguntando-nos como tornar-me próximo de todos? De quem preciso me aproximar mais? Aproximamos dos irmãos através de gestos concretos, gastando nosso tempo, partilhando nossos bens, orando e cuidando de quem precisa. Assumimos a vida do outro com sentimento ( não sentimentalismo ), amando com todo nosso coração, com toda alma e forças, para que a Palavra de Deus e Sua Misericórdia se tornem vida em nossa vida.
Rezemos o Salmo 103 -  Bendiga o Senhor, ó minha alma / e não esqueça de nenhum de seus favores!? Ele perdoa todas as suas  culpas / Ele cura todas as suas enfermidades. / Ele resgata a sua vida da sepultura / Ele o coroa com seu amor e compaixão. / (...) O Senhor é compassivo e clemente, / lento para a cólera e repleto de amor .







9º dia: Tema: Um Pentecostes de Misericórdia
Introdução:
Jesus também tinha Sua “carteira de identidade”. Quando Ele quis revelar-se ao mundo, após Seus trinta anos de vida oculta e submissa em Nazaré, o fez através das Palavras do profetas Isaias, que proclamou na sinagoga da sua cidade:  “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me consagrou pela unção para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos  presos e,  aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor” (cf Lc 4, 18-19). Terminada a leitura, disse solenemente: “Hoje se cumpriu aos vossos ouvidos essa passagem da Escritura” (cf Lc 4,21).
Voz 1 – Jesus tinha clareza desta Sua identidade de servo do Senhor, de servo sofredor. Seu nome expressa o rosto do Pai Misericordioso, Deus salva. Por isso Ele se manifesta  logo, também no Evangelho de João, como Misericórdia do Pai: “Pois  Deus amou tanto o mundo que entregou seu Filho único, para que todo o que Nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou seu Filho ao mundo para julgar o mundo , mas para que o mundo seja salvo por Ele” ( jo 3,16-17).
Voz 2 – Neste sentido Ele pode afirmar, com toda autoridade para Filipe: “Quem me vê, vê o Pai” ( Jo 14,9). E o Papa Francisco nos convida a contemplar no Cristo a plena revelação do Pai. “Ele é o resplendor da Glória do Pai, a expressão do seu ser ( Hb 1,3).” Ele é a imagem do Deus invisível” ( Col 1, 15 ).  O Deus que os judeus esperavam, como “Rei todo poderoso”, para libertar Israel do poder dos pagãos e levar seu povo escolhido a dominar sobre o mundo inteiro, se apresenta como servo sofredor, fraco, “em tudo semelhante aos irmãos”.
Voz 3 - Talvez por isso o próprio João Batista ficou perplexo, num determinado momento da sua vida, enquanto estava preso , na escuridão da prisão e da noite espiritual  e mandou perguntar se era mesmo Jesus aquele Messias que ele tinha anunciado. A resposta de Jesus foi clara. Ele afirmou: “Ide contar a João o que vedes e ouvis: os cegos recuperam a vista, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciado o Evangelho; e feliz aquele que não se escandaliza a meu respeito ( Lc 7, 23 ).
Voz 4 -  O Espírito, o Paráclito, que responde ao grito , ao clamor dos que sofrem, revela a Missão do Senhor como uma chuva de graça sobre a humanidade pecadora, um novo dilúvio, não mais para eliminar a humanidade pecadora, mas para eliminar o pecado, transformando pela Sua graça  os pecadores em santos e testemunhas da Sua Misericórdia.
Voz 1 – Desde sua concepção, o Senhor surpreendeu e contradisse as expectativas do povo de Israel. Ele sempre “desceu” - desceu do céu no seio de uma virgem; desceu numa gruta no meio de animais; desceu em Nazaré, onde esteve submisso; desceu no rio Jordão; desceu no meio de pecadores, pobres, marginalizados; doentes; desceu tornando-se “coisa” nas nossas mãos na Eucaristia...
Voz 2 – É próprio de Deus usar de Misericórdia, e nisto se manifesta de modo especial a Sua onipotência. Hoje, certamente, o Senhor voltará a surpreender-nos, como o foi no tempo de sua encarnação. Acreditamos que o Senhor prepara a humanidade para um novo “Pentecostes de Misericórdia”, do qual já vislumbramos as primícias. Deus é Amor! Ele é Pai e, se permitir alguma purificação, cremos que seja para a nossa correção, pois quem ama corrige.
Voz 3 – Este é o tempo favorável, é o tempo da Salvação. Não por acaso o Papa Francisco proclamou este ano como Jubileu da Misericórdia. 2017 será a comemoração dos cem anos de Fátima, e os trezentos anos de Aparecida. Tudo isso, temos certeza coincidirá com o tempo do “Pentecostes da Misericórdia”. Este é o tempo favorável! E como podemos vivê-lo? Trata-se de descer com Jesus, com gestos concretos de amor, com aquela criatividade do Espírito para uma nova evangelização. Os homens do nosso tempo querem ainda “ver Jesus” e nós podemos torná-lo visível, deixando viver em nós os traços da sua identidade.
Voz 4 – Descemos com Cristo, para mostrar o Cristo não pelas palavras, e sim pelo Seu Amor Misericordioso, compassivo, paciente, como fez Madre Teresa de Calcutá quando um muçulmano lhe disse: “Agora sei que Jesus é vivo; eu o vi no amor com que suas mãos cuidaram das feridas da minha lepra!” Ele  é fiel! Que sua Misericórdia viva e se revele  em nós !
Rezemos o  Salmo 136: Celebrem o Senhor, porque Ele é bom / Porque eterno é o seu amor! /  (...) Só Ele fez grandes maravilhas / porque eterno é seu amor (...) Ele se lembrou de nós na humilhação, / porque eterno é seu amor (...) / Celebrem o Deus dos céus / porque eterno é seu amor.




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