sábado, 3 de agosto de 2013

Homilia dominical - 04 de agosto de 2013

 Rico insensato

Todos nós desejamos segurança, felicidade...
Mas onde a podemos encontrar?

- Muitos a procuram nas COISAS, nos bens terrenos
e, para isso, se dedicam febrilmente
em empreendimentos grandiosos e lucrativos.
Às vezes basta a simples visita de um ladrão, um fracasso nos negócios,
o desemprego, uma doença... e lá se vai o que acumularam...

- Outros buscam segurança e felicidade nas PESSOAS,
e quantas vezes acabam depois profundamente decepcionados...
Percebem que, o que este mundo oferece,
não é suficiente para estancar a sede de felicidade.
Só Deus pode nos tornar plenamente felizes...

As Leituras bíblicas aprofundam essa Verdade:

A 1a Leitura lembra a situação insuportável do povo de Deus
pela ganância dos poderosos de então.
Isso levou o autor sagrado a afirmar:
"Vaidade das vaidades, tudo é vaidade". (Ecle 1,2; 2,21-23)

* Essa afirmação é atribuída a Salomão que, apesar de ser um rei
sumamente sábio, rico e poderoso, lembrava que as coisas terrenas
são passageiras, uma "bolha" de sabão e convidava ao desapego delas.

Na 2a Leitura, Paulo nos exorta a mesma coisa:
"Se ressuscitastes com Cristo, procurai as coisas do alto...
e não as da terra... " (Cl 3, 1-5.9-11)

No Evangelho, Cristo denuncia a cobiça e
a preocupação exagerada pelos bens terrenos... (Lc 12,13-21)

- Um desconhecido pede a Jesus para resolver um problema de herança.
- Jesus se recusa, porque é difícil fazer justiça quando existe cobiça.
  E adverte: "Tomai cuidado contra todo tipo de GANÂNCIA...
   a vida de um homem não consiste na abundância de bens..."

- Para ilustrar essa verdade, conta a Parábola do RICO INSENSATO,
  que construiu grandes celeiros para armazenar a colheita abundante,
  pensando assim ter segurança para viver tranqüilamente.
  Pura ilusão: Naquela mesma noite veio a morrer...
  e se apresentou de mãos vazias diante de Deus...

- E Jesus conclui: "Assim acontece com quem
  guarda tesouros para si e não é rico diante de Deus."

* O pecado foi "acumular apenas para si".
Não agradeceu a Deus, nem partilhou com os irmãos.
A ganância pelos bens terrenos é a causa de muitos males...
- Quantas brigas e divisões em família... na divisão da herança!   
- Quantas lutas... para vencer o concorrente... e ter mais!
- Quantas fraudes, injustiças e corrupção... no desejo insaciável de bens!
- Quantas discriminações: porque as pessoas valem pelo que têm!

Pura ilusão: A fonte da vida está só em Deus... 
E a morte nos convence dessa dura realidade...

Esta parábola não se destina apenas àqueles que têm muitos bens;
mas destina-se a todos aqueles que (tendo muito ou pouco)
vivem obcecados com os bens, orientam a sua vida no sentido do "ter"
e fazem dos bens materiais os deuses,
que condicionam a sua vida e o seu agir.

+ A Palavra de Deus nos questiona.
O ensinamento de Jesus toca em cheio os cristãos encantados
com o capitalismo neoliberal e sua apologia do lucro e do acúmulo de bens.
Ficam anestesiados diante das necessidades dos irmãos.
Cristãos vivendo na riqueza, enquanto muitos irmãos na fé vivem na indigência,
sem experimentarem a solidariedade dos seus irmãos e irmãs na fé abastados.

Hoje em dia é muito comum pôr tudo no seguro...
Há seguro de vida para carros, roubos, incêndios, acidentes pessoais...
A nossa vida, que continua na eternidade, também deve ser assegurada.
Mas a vida eterna não pode ser assegurada com as riquezas desse mundo...
e sim com os tesouros reconhecidos por Deus.
O dinheiro nos dá a falsa sensação de segurança.

O único fundamento seguro de nossa existência é Deus...
E, nele, o próprio dinheiro adquire outro sentido:
Não será mais instrumento de SEPARAÇÃO entre os homens,
mas sim de COMUNHÃO, um sinal de amor...

Onde estamos depositando a nossa segurança e construindo a nossa felicidade?
Não nos esqueçamos: nosso coração foi feito por Deus,
e apenas em Deus encontrará a verdadeira e plena felicidade...

Estamos celebrando o mês vocacional.
A Vocação é um dom gratuito, um chamado, um convite, uma proposta de Deus, que se apresenta à nossa liberdade e nos pede uma tomada de decisão.
Esse chamado é um grande mistério de amor entre nós e Deus,
que conhece bem o coração de cada um.

Nesse domingo, queremos lembrar de modo especial a Vocação Sacerdotal.
Aos nossos Padres, a nossa gratidão e a nossa prece!...

                                       Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 04.08.2013

Um comentário:

  1. Fiquei impressionada com a homilia de ontem 4/8/2013 sobre a questão da herança entre dois irmãos. Porém, meu caso é semelhante. Nossa irmã mais velha, diante de uma dívida que tinha para com bancos nos anos 80/90, em que a inflação era "galopante" e não conseguíamos pagar a dívida, pois os juros aumentavam diariamente. Desta forma, os bancos ameaçaram tomar os bens deixados por nosso pai como um todo. Após o leilão dariam "as migalhas" do que sobrassem a ela e a nossa mãe. Portanto, poríamos nossa amada mãe na "rua da amargura" e a parte que cabia a esta irmã na herança também seria diminuida. Assim, ela própria ofereceu para que os bens fossem passados para o nome do marido dela até que pagássemos a dívida sem desespero. CONFIAMOS! Pagas as dívidas ela não somente não nos devolveu a mim, a meu irmão e a nossa mãe os bens que lhe transmitimos gratuitamente como disse a mim e a meu irmão que nos queria ver debaixo de uma ponte e ele "cuspindo sangue". Hoje somos idosos, porém ele não conseguiu sua aposentadoria e eu tenho uma pensão que me ajuda a comprar comida e remédios. Portanto, necessitamos do aluguel da casa comercial que foi deixada por nosso pai. Nossa mãe faleceu e não viu seus bens retornarem, embora tenhamos movido contra ela e seu marido uma ação de anulação do registro. Pasmém, nossa advogada foi subornada por ela e peticionou de forma antijurídica, não juntou as provas da simulação e perdemos na primeira instância. Esta advogada, ainda, redigiu as razões do recurso de forma estapafúrdia e não pediu a reforma da sentença e nem a anulação do feito, já que nossa mãe, que fazia parte no polo ativo do processo faleceu durante o processamento ( o processo deveria ter sido suspenso para regularização da falecida (de cujus) e isto a advogada não providenciou e entrou com o recurso em nome da falecida e filhos (sic!!!). Posteriormente soube que ela se "vendera" para minha irmã e meu cunhado para que perdêssemos todas as ações nas quais figurássemos no polo ativo quanto no passivo. A renda da loja que pertenceu a meu pai, isto é, o aluguel nos ajuda a sobreviver e minha irmã e meu cunhado querem tudo integralmente para eles e ela já disse, repito, quer nos ver debaixo de uma ponte. Ela quer nos ver na miséria. Somos pessoas simples e apenas queremos o que nos pertence por direito de herança por questão de sobrevivência.
    Peço por vossas orações, para termos ao menos uma velhice digna.

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