segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Por que o Ano da Fé?
São muitas as razões que motivaram o Papa Bento XVI promulgar o Ano da Fé. Nosso Papa tem uma visão global da realidade da Igreja, no mundo, desde o Concílio Vaticano II até nossos dias. Seus trabalhos no coração da Santa Sé, sua experiência e colaboração no pontificado do Beato João Paulo II, suas viagens e encontros com as Conferencias Episcopais nos diversos Continentes, os encontros sinodais, as visitas dos Bispos do mundo inteiro a Roma, proporcionaram-lhe um real e vasto conhecimento da realidade da Igreja.
Vamos aqui focalizar algumas razões para a promoção do Ano da Fé, nos escritos e ensinamentos do Papa Bento.
1-A desertificação. Há um deserto interno e externo que assola a humanidade e a Igreja. O deserto interno se concretiza pela negação de Deus, pelo indiferentismo, pela secularização, pelo individualismo. Confusão doutrinal, ignorância religiosa, afastamento dos fiéis da Igreja, a “ditadura do relativismo” são expressões da desertificação interior. O Papa nos convida a uma peregrinação nestes desertos para transforma-los em jardins e oásis. Eis a necessidade da fé. Os desertos exteriores são as desigualdades sociais, a violência, as migrações, a depredação da natureza, entre outros.
2-A descristianização. Nossa sociedade e cultura não são mais religiosas, mas, secularizadas e indiferentes à dimensão religiosa. Vivemos numa realidade pluralista, tecnológica, antropocêntrica onde os valores religiosos contam muito pouco. Por outro lado, esta mesma sociedade é altamente destrutiva desde a cultura da morte até à desestruturação da família, o avanço do câncer, a corrupção generalizada, fome no mundo, o flagelo das drogas. É desde “caos globalizado” que emerge a saudade e o desejo de Deus, os valores do reino de Deus e a procura de respostas para o vazio existencial. A fé  quer ser resposta para estas e outras perguntas de homem moderno.
3-A mudanização dos ambientes cristãos. O consumismo, a vida urbana, o poder da mídia invadem os espaços e os corações dos cristãos e assim caímos na “mundanização da Igreja”, diz o Papa. No sínodo sobre a nova evangelização vários padres sinodais alertaram para a necessidade da purificação, conversão, santificação dos bispos, sacerdotes, religiosos(as), seminaristas. Há como que um “envenenamento do pensamento” afirma Bento XVI. É preciso redescobrir a fé no âmbito interno da Igreja.
4-A superação da pastoral da conservação e da manutenção, é outra razão para o Ano da Fé. Precisamos passar da sacramentalização, para uma consciência da missão, para uma pastoral missionária que venha desinstalar os católicos do comodismo, da mesmice, do cansaço, da rotina. É hora de implantar um catolicismo bíblico, uma opção fundamental pela Palavra de Deus, uma catequese de iniciação cristã, uma pedagogia das pequenas comunidades e a prática da visitação permanente. Todas estas urgências pastorais encontram inspiração, força, dinamismo a partir da fé. “Se não crerdes, não podereis subsistir” (Is. 7,9).
5-A desumanização. Crescemos economicamente e teologicamente, mas, involuimos ética e espiritualmente. Eutanásia, aborto, assaltos, mortes no trânsito, maus tratos e crianças, idosos, mulheres, assassinato de jovens, discriminação e exclusão de índios, negros e pobres, caracterizam a desumanização atual.
O Ano da fé quer ser uma resposta, uma luz e bússola para estes e outros problemas e crises da Igreja e da sociedade. A fé abre novos horizontes, aponta caminhos, oferece soluções para as pessoas, as comunidades e a sociedade.
Dom Orlando Brandes
Folha de Londrina, 9 de fevereiro de 2013

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