segunda-feira, 1 de junho de 2015

SS. TRINDADE: Deus é UM, mas não está só

“No princípio está a comunhão dos TRÊS e não a solidão do UM” (L. Boff)

“Já se disse, de forma bela e profunda, que nosso Deus em seu mistério mais íntimo não é uma solidão mas uma família, pois que leva em si mesmo a paternidade, a filiação e a essência da família que é o amor; este amor, na família divina, é o Espírito Santo” (João Paulo II, Puebla, 1979)

Quando os cristãos professam que Deus é Trindade, PAI, FILHO e ESPÍRITO SANTO não estão somando números 1+1+1=3. Se houver número então Deus é um só e não Trindade.
De fato, o Pai, o Filho e o Espírito Santo não são partes de Deus. Os três unidos não constituem Deus. Mas cada um é Deus. Cada um não somente tem, mas é a natureza divina, a divindade, toda a divindade.
O Pai é toda a divindade, enquanto nascente, doada. O Filho é essa mesma divindade, enquanto recebida. E o Espírito Santo também é toda a divindade, enquanto compartilhada, comunicada, doada.
Com a Trindade, nós cristãos não queremos multiplicar Deus. O que queremos é expressar a experiência singular de que Deus é comunhão e não solidão.
Numa correta compreensão da fé cristã não podemos dizer que primeiramente Deus é UNO e depois se desdobra ou aparece como TRINO, quer dizer, como Pai, Filho e Espírito Santo. O que se professa é que Deus desde sempre foi, é, e será Pai, Filho e Espírito Santo.
Como combinar estas duas proposições: Deus é TRINO sem deixar de ser UNO?

Devemos partir do fundamental da experiência cristã de Deus: na história de Jesus, na sua oração, na sua prática de libertação, na sua ressurreição... mostrou-nos que existe o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Para se entender como os três podem ser UM e o ÚNICO Deus, devemos considerar as relações que vigoram entre os três.
Deus-Trindade é, portanto, a relacionalidade por excelência; total relacionalidade de cada uma das pessoas divinas com respeito às outras, de tal forma que se implicam e incluem reciprocamente sempre e em cada momento, sem que uma seja a outra.
Deus só existe como ser em relação. A grande novidade cristã é que a divindade só existe comunicada, parti-lhada. Deus é relação. Deus é só relação. Deus é só amor. “No princípio está a relação” (G. Bachelard).
É por ser o próprio Deus essencialmente relação que essa relação, “num belo dia”, num transbordamento de vida, num transbordamento de gratuidade, pôde abrir-se a nós para nos fazer existir, concedendo-nos ser e convidando-nos a essa relação com Ele.
É por ser Deus diálogo, conversação desde sempre com o Filho e o Espírito, que Ele pôde empreender o propósito de dialogar conosco. Seu relacionamento para conosco desvenda, deixa entrever o dinamismo das eternas relações entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, dinamismo no qual elas têm origem e do qual nos convida a participar.

As TRÊS PESSOAS DIVINAS não estão uma ao lado da outra; elas estão voltadas umas às outras.
                     Cada PESSOA é PARA a outra, PELA outra, COM a outra e NA outra.
Se o PAI existe em si, é para poder se entregar totalmente ao FILHO, que por sua vez, comunga plenamente com o PAI. Ambos, como num só movimento doam-se completamente ao ESPIRITO SANTO, e este a eles. No princípio está, portanto, a comunhão dos três. Esta comunhão tão perfeita fundamenta a UNIDADE das  Três Pessoas. Só Deus é Deus, mas Ele não está só. Deus não é solitário. Deus é, por natureza, vida doada, partilha, relação, comunicação, ânsia de comunhão.
Assim, o PAI está todo no FILHO e todo no ESPÍRITO SANTO; o ESPÍRITO SANTO está todo no PAI e todo no FILHO; o FILHO está todo no PAI e todo no ESPÍRITO SANTO.
O PAI é único e não há ninguém como Ele; o FILHO é único e não há ninguém como Ele; o ESPÍRITO SANTO é único e não há ninguém como Ele. Cada um é único.
Os Únicos se relacionam entre si tão absolutamente, se entrelaçam de forma tão íntima, se amam de maneira tão radical que se uni-ficam, isto é, ficam Um.

Para a fé cristã, portanto, só Deus é Deus, mas Deus não está sozinho. No próprio Deus há lugar para a alteridade, a fim de que haja oportunidade para o dom e a partilha, para a comunhão. O próprio Deus é dom e partilha, de tal sorte que tudo o que vem dele, tudo o que Ele cria gratuitamente, também é marcado pela chancela da gratuidade, do desejo do outro e do dom de si. Desde toda a eternidade, Deus só é Deus comunicando-se, Deus só é Deus doando-se.


TODOS são igualmente eternos, infinitos e amáveis, em comunhão sem princípio e sem fim. As Pessoas divinas são, desde toda a eternidade, Pessoas-comunhão. Então, há um só Deus-comunhão-de-Pessoas.
"Deus é UM, mas não está jamais só."
Ele é sempre Trindade, comunhão de Três Pessoas divinas, pelas quais circula toda a torrente de Vida Eterna.

Cada PESSOA divina é distinta para poder se entregar e fazer-se dom para a outra.
Assim, encontramos no mistério da TRINDADE o modelo perfeito da co-existência da multiplicidade com unidade. A diferença (o Pai não é o Filho, nem o Filho é o Pai, nem o Espírito Santo é o Pai e o Filho) não funda uma divisão, mas deixa emergir a riqueza de uma unidade plural.
Ora, tal Mistério fonte de todo ser, constitui o modelo ideal de todo e qualquer convívio humano. Somos feitos à “imagem e semelhança da Trindade”.  Trazemos em nós impulsos de comunhão.
Sempre que construirmos relações pessoais e sociais que facilitem a circulação da vida, a comunhão de diferentes à base da igualdade, estaremos tornando visível um pouco do mistério íntimo de Deus.
Deus quer inserir-nos nesta sua COMUNHÃO, como no-lo disse Jesus: "Que todos sejam um como Tu, Pai, estás em mim e eu em Ti, para. que eles estejam em nós, e o mundo creia que Tu me enviaste" (Jo. 17,21).
A glória de Deus é a COMUNHÃO dos homens.
Se nós não somos COMUNHÃO de pessoas, não somos IMAGEM de Deus que é CO-MUNHÃO de pessoas.
O ser humano só é autenticamente humano na relação. Porque Deus é relação.

Aqui a luz da revelação trinitária vem iluminar e confirmar a intuição de que o ser humano pode ter de si mesmo: existir realmente não é existir só para si, é “ex-istir”, sair de si mesmo, assumindo o risco de perder-se para reencontrar-se no outro e com o outro. Em Deus, o Deus de Jesus Cristo, descobrimos que o ser é relação, que a pessoa é relação.
Como homem e como mulher trazemos esta força interior que nos faz “sair de nós mesmos” e criar laços, construir fraternidade, fortalecer a comunhão.
- o ser humano não é feito para viver só; ele é chamado a viver em comunhão com todas as pessoas;
- ele necessita com-viver, viver-com-os-outros;
- é essencial descobrir o sentido e a vivência da relação com os outros, da fraternidade...
- o sentido da vida em comum é um dom de Deus, que nos foi dado a todos.

Deus nos fez amor para o mútuo encontro, para a doação, para a comunhão...
Fomos criados “à imagem e semelhança” do Deus Trindade, comunhão de Pessoas (Pai-Filho-Espírito Santo). Quanto mais unidos somos, por causa do amor que circula entre nós, mais nos parecemos com o Deus Trindade. “Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e o seu Amor em nós é perfeito” (1Jo. 4,12)
Deus colocou em nossos corações impulsos naturais que nos levam em direção ao convívio, à coopera-ção, à acolhida, à solidariedade... “Só corações solidários adoram um Deus Trinitário”.

Texto bíblicoCol. 3,12,17  Jo. 14,22-26






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