sábado, 19 de janeiro de 2013

Homilia dominical - 20 de janeiro de 2013

Em Caná

Após as festas natalinas, inicia o Tempo Comum,
em que revivemos os principais Mistérios da Salvação.

Com a imagem do CASAMENTO,
a liturgia apresenta a relação de amor, que Deus (o marido)
estabeleceu com o seu Povo (a esposa).
Nossa alegria é saber que Deus garante a alegria dessa festa.

Na 1ª Leitura, a imagem do CASAMENTO revela a profunda união
que existe entre Deus e a Humanidade. (Is 62,1-5)

Deus se casou com o seu Povo. Ele é o Esposo e Israel, a Esposa.
Deus é eternamente fiel, a esposa às vezes se afasta de Deus
e vai atrás de outros amores, adora outros deuses.

A 2ª Leitura fala dos "carismas", dons, através dos quais
o amor de Deus continua a se manifestar. (1Cor 12,4-11)

Como sinais do amor de Deus, eles destinam-se ao bem de todos.
É essencial que na comunidade cristã se manifeste,
apesar da diversidade de membros e de carismas,
o amor que une o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

O Evangelho fala das Bodas de Caná. (Jo 2,1-11)

Jesus realiza o primeiro milagre, "Sinal" de uma realidade mais profunda:
mostrar aos homens o Pai, que os ama, e 
os convoca para a alegria e a felicidade plenas.
A festa do Reino já está acontecendo.
Jesus é o  Noivo, que já está no mundo,
para celebrar o casamento de Deus com a humanidade.


O CENÁRIO DO CASAMENTO
reflete o contexto da "ALIANÇA" entre Israel e o seu Deus.
A essa "aliança", em certo momento, vem a faltar o vinho.
O "vinho" é símbolo do amor entre o esposo e a esposa, da alegria e da festa.
Constata-se que a antiga "aliança" tornou-se uma relação seca,
sem alegria, sem amor e sem festa,
que já não proporciona o encontro amoroso entre Israel e o seu Deus.

Esta realidade de uma "aliança" estéril e falida é representada
pelas "seis talhas de pedra destinadas à purificação dos judeus".
- O número seis evoca a imperfeição, o incompleto;
- a "pedra" evoca as tábuas de pedra da Lei do Sinai e
  os corações de pedra de que falava o profeta Ezequiel;
- a referência à "purificação" evoca os ritos e exigências da antiga Lei
  que revelavam um Deus impositivo, que guarda distâncias.
  Um Deus assim pode-se temer, mas não amar...
- As talhas estão "vazias" porque todo este aparato era inútil e ineficaz:
  não servia para aproximar o homem de Deus,
  mas sim para o afastar desse Deus difícil e distante.
- As "Bodas de Caná sem vinho" representam a situação do povo,
  desiludido e insatisfeito. O amor foi substituído pela observância da lei...
- "Façam tudo o Ele disser":
  Agora Jesus fará a passagem do Antigo para o Novo. E o novo é melhor...

OS PERSONAGENS apresentados:

- A "Mãe": é ela que percebe a situação ("não têm vinho"):
  representa o Israel fiel, que já tinha percebido a realidade e
  esperava que o Messias viesse transformar essa situação.
- O "Chefe de mesa": representa os dirigentes judeus,
  que não percebem que a antiga "Aliança" já caducou.
- Os "Serventes" são os que colaboram com o Messias,
  que estão dispostos a fazer tudo "o que ele disser"
  para que a "Aliança" seja revitalizada.
- JESUS: é a Ele que o Israel fiel (a "mulher"/mãe) se dirige
  no sentido de dar nova vida a essa "aliança" caduca.
  A obra de Jesus não será preservar as instituições antigas,
  mas realizar uma profunda "transformação"...
  Ele veio trazer à relação entre Deus e os homens
  o vinho da alegria, do amor e da festa...
  Isso acontecerá quando chegar a "Hora".

+ As Bodas continuam... e somos também convidados...
Quando a relação com Deus se resume num jogo complicado
de ritos externos, de regras e de obrigações que é preciso cumprir,
a religião torna-se um pesadelo insuportável que tiraniza e oprime.

Jesus veio nos revelar Deus como um Pai bondoso e terno,
que fica feliz quando pode amar os seus filhos.
É esse o "vinho" que Jesus veio trazer para alegrar a "aliança":
o "vinho" do amor de Deus, que produz alegria e
que nos leva à festa do encontro com o Pai e com os irmãos.

- A nossa "religião" é um encontro com o Jesus,
  que nos dá o vinho do amor?
- O que os nossos olhos e os nossos lábios revelam aos outros:
  a alegria que brota de um coração cheio de amor,
  ou o medo e a tristeza que brotam de uma religião de leis e de medo?

+ Com que personagem das "Bodas" nos identificamos?
   - com o chefe de mesa, comodamente instalado numa religião estéril e vazia,
   - com a "mulher"/mãe que pede a Jesus que resolva a situação,
   - ou com os "serventes" que vão fazer "tudo o que ele disser"
     e colaborar com Jesus no estabelecimento da nova realidade?

                                   Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 20.01.2013

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