Teológico Pastoral

Teológico Pastoral

terça-feira, 20 de junho de 2017


 
SOLENIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

No Coração de Jesus encontrarás: Força

Exposição do Santíssimo:
Canto:

Dirigente:  É no Coração de Jesus que encontramos forças para nossas fraquezas, por isso confiemo-nos a Ele, pedindo a sua graça. Nossos olhos se voltem ao seu divino Coração para, assim, conhecermos a profundidade do seu amor que se derrama em nós e é nosso auxílio e sustento na caminhada.

Canto

Quem é esse Deus em quem acreditamos? Qual é a sua essência? Como é que o podemos definir? A liturgia deste dia diz-nos que “Deus é amor”. Convida-nos a contemplar a bondade, a ternura e a misericórdia de Deus, a deixarmo-nos envolver por essa dinâmica de amor, a viver “no amor” a nossa relação com Deus e com os irmãos
Leitura do Evangelho – Mt 11,25-30
Naquele tempo, Jesus exclamou:
“Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra,
porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes
e as revelaste aos pequeninos.
Sim, Pai, eu te bendigo,
porque assim foi do teu agrado.
Tudo me foi dado por meu Pai.
Ninguém conhece o Filho senão o Pai
e ninguém conhece o Pai senão o Filho
e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
Vinde a Mim,
todos os que andais cansados e oprimidos,
e Eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo,
e aprendei de Mim,
que sou manso e humilde de coração,
e encontrareis descanso para as vossas almas.
Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve”.

Reflexão:

Canto: Põe teu coração no meu    (coração)                      

Dirigente: Apresentemos nossas preces ao Sagrado Coração de Jesus, dizendo:

Todos: Coração de Jesus, enriquecei-nos com vossa força!

1- Que neste dia, possamos assumir as nossas fraquezas, deixando-nos reencontrar pelo vosso amor.
2- Ò Coração de Jesus, despertai em nós o desejo de buscar-vos, e encontrando-vos, experimentemos a alegria do descanso, do consolo e da força.
3- Que a certeza do vosso amor nos dê coragem de enfrentar o mundo e, seguindo-vos, fazer de nossa vida um dom de amor.

Dirigente: No Coração de Jesus “resplandece o amor do Pai; nele tenho a certeza de ser acolhido e compreendido como sou; nele, com todas as minhas limitações e os meus pecados, saboreio a certeza de ser escolhido e amado. Fixando aquele Coração, renovo o primeiro amor: a memória de quando o Senhor me tocou no mais íntimo e me chamou para segui-lo”... (Papa Francisco)

Canto

Madre Clélia:
 ... quando ruge a tempestade, refugia-te na Cela do Coração de Jesus, e consola-te com a esperança que suas promessas despertam, perpetuamente, em toda alma piedosa. Ele disse: “Procurai e achareis; batei e abrir-se-vós-á”. Procuras ser todo dele, a força para cumprir o dever, a paz do coração, a alegria da consciência.
Reza e o encontrarás. Mas a principal oração seja a retidão, a caridade, a humildade, o exercício das virtudes que devemos copiar, de modo especial, do Coração de Jesus.
(pausa)

Todos:  Ó Coração Sacratíssimo de Jesus, fonte viva e vivificante de vida eterna, tesouro infinito da Divindade, fornalha ardente do amor divino, vós sois o lugar do meu descanso, o refúgio de minha segurança. Ó meu amável Salvador, inflamai o meu coração daquele amor ardentíssimo, do qual arde o vosso; derramai nele as inumeráveis graças de que o vosso Coração é a fonte. Fazei que a vossa vontade seja a minha e que a minha vontade seja eternamente conforme a vossa. Amém.

Canto: Tão sublime Sacramento
                                  Bendito seja Deus.  (oração)

Bendito seja Deus!   Bendito seja seu santo nome!   Bendito seja Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem!    Bendito seja o nome de Jesus!   Bendito seja seu sacratíssimo coração!   Bendito seja seu preciosíssimo sangue!   Bendito seja Jesus, no Santíssimo Sacramento do altar!   Bendito seja o Espírito Santo Páraclito!   Bendita seja a grande mãe de Deus, Maria Santíssima!   Bendita seja sua santa e imaculada Conceição!   Bendita seja sua gloriosa assunção!   Bendito seja o nome de Maria, Virgem e mãe!   Bendito seja São Jose, seu castíssimo esposo!   Bendito seja Deus, em seus anjos e em seus santos! Amém.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Homilia Dominical - 25 de junho de 2017

EVANGELIZAR NOSSA INTERIORIDADE

“Vede, eu vos envio como ovelhas para o meio dos lobos; sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas” (Mt 10,16)

Os conflitos são constantes no caminho da fidelidade ao Evangelho: conflitos externos que surgem a partir da presença inspiradora e provocativa dos(as) seguidores(as) de Jesus; conflitos internos que aflo-ram quando a mensagem evangélica ressoa na interioridade de cada um, des-velando seus contraditórios impulsos, tendências, dinamismos, forças...
O ser humano vive tencionado entre dois polos: entre luz e escuridão, céu e terra, fragmentação e unidade, espírito e instinto, solidão e vida comum, medo e desejo, amor e ódio, razão e sentimento, sagrado e profano..., enfim, entre animalidade e humanidade.
Não se trata de alimentar uma luta entre esses dois impulsos, como um combate entre o bem e o mal; tampouco se trata de uma leitura moralista diante da presença das chamadas “tentações”.
O combate dualístico desemboca no puritanismo, no farisaísmo, no legalismo, no perfeccionismo, no voluntarismo..., esvaziando a pessoa de toda densidade humana.

A questão de fundo é saber qual dos dois dinamismos nós alimentamos; é aqui que entra a liberdade (ordenada) para deixar-nos conduzir pelo Espírito. O centro é o Espírito.
Só quando dizemos sim a esta tensão básica de nossa vida é que conseguimos superar a divisão interna.
Viver uma “vida segundo o Espírito” significa, antes de tudo, chegar à compreensão e integração das polarizações internas, dos dinamismos opostos, dos movimentos contraditórios... que nos mantêm “des-pertos” e que dão calor e sabor à nossa existência.
É próprio do Espírito,  reunir, integrar, conciliar, pacificar, conduzir-nos a um “lugar interior”, a um cen-tro de calma, onde tudo tem seu lugar, onde tudo encontra seu espaço.
Sua discreta presença nos move a acolher em nós nosso potencial de ternura, de cuidado e de resistência diante de todas aquelas situações e forças que desintegram a vida.
A atitude fundamental é a de sermos dóceis para nos deixar conduzir pelos impulsos do Espírito, por onde muitas vezes não entendemos e não sabemos.

À luz do evangelho deste domingo, vamos considerar os “conflitos internos”. E a questão primeira que surge é esta: como integrar, pacificar, harmonizar... os “animais interiores”, para que o seguimento de Jesus Cristo não termine num combate espiritual que desgasta, tornando pesada a vivência cristã e levando ao sentimento de impotência e desânimo?
Sob o impulso do Espírito, somos chamados a conhecer, reconhecer, nomear e integrar os animais que nos habitam. E caminhar fraternalmente com eles.
Cada um deles representa os instintos, impulsos, paixões, fragilidades, sensualidade, sentimentos... que, quando não pacificados e integrados, criam uma desarmonia interior.
Somos como a “arca de Noé”, no grande Oceano da vida, carregando em nosso interior todos os ani-mais, com seus instintos selvagens e primitivos; e o maior desafio é, justamente, a harmonia e a convi-vência, onde cada um deles tem sua importância, seu papel sagrado e revelador da nossa identidade humana. São eles que nos facilitarão o acesso às nossas riquezas interiores.
Algumas vezes agimos como uma cobra, ficamos ariscos e escondidos como uma onça, rugimos como um leão ou atacamos como um cão feroz. Outras vezes, até agimos igual a animais ruminantes que mastigam continuamente os rancores e mágoas do passado.
Eles não cessam de ladrar enquanto não lhes damos atenção.
É preciso, antes de tudo, pacificar nossos animais interiores. Trata-se de conhecê-los, aprender a língua-gem deles, fazer amizade com eles para que eles não nos destruam por dentro.

Faz parte da maturidade e crescimento pessoal encontrar e entender, em cada um de nós, a mensagem e o desafio de animais interiores como a pomba, o cachorro, o corvo, a serpente, a raposa, a perdiz, o lagarto, o falcão, o lobo, o leão... Cada animal deve ser verbalizado, integrado harmoniosamente no tempo certo e no lugar adequado. Ao fazer isso, descobriremos as diferentes dimensões da ecologia espiritual, paradi-síaca e harmônica, para bem viver a maravilha da vida plena e em abundância.
Quando todas as energias animais são ordenadas, elas colaboram para o conhecimento pessoal, o refina-mento da identidade e a busca da autenticidade, elas são fonte interior de sabedoria e de desfrute espiri-tual. Então, os animais pacificados  irão nos conduzir ao mais profundo e nos mostrar onde o tesouro está escondido, e ajudam-nos a desenterrá-lo. Aqui está o lado “humanizante” da vida.

Fomos forçados, durante nossa formação cristã, a viver uma espiritualidade que nos ensinou a reprimir e a manter presos todos os animais  na gruta interior e a levantar junto dela um edifício de “grandes ideais”. Lutar contra os animais interiores é permanecer na superfície de si mesmo e não ter acesso às reservas de riqueza do próprio coração.
Tal vigilância e suspeita nos levaram a viver constantemente com medo de que os animais pudessem fugir e nos devorar. Fomos obrigados a fugir de nós mesmos, ficamos com medo de olhar para dentro de nós, pois poderíamos correr o risco de nos deparar com os eles. Quanto mais os amarramos, tanto mais perigosos eles se tornam; eles nos atacam por dentro, tirando a disposição, o ânimo de viver.
Com isso nos excluímos do prazer de viver, porque tudo é reprimido e nossa animalidade é violentada.
E onde está o nosso medo pode estar também o nosso tesouro enterrado.
“Não tenhais medo deles. Não há nada de oculto que não venha a ser revelado, e nada de escon-dido que não venha a ser conhecido” (Mt 10,26).
Sem a superação cotidiana desse medo, nossa missão estará comprometida; perderá sua força inovadora, garantida pela novidade do Projeto de Deus.
Sabemos que tudo quanto nós reprimimos nos faz falta à nossa vida. Os “animais selvagens”  tem muita força. Quando os prendemos, gera um desgaste muito grande e fica nos faltando a sua força de que temos necessidade para o nosso caminho para Deus, para nós mesmos e para os outros.
Nosso compromisso deveria ser a de travar um diálogo amoroso com os animais dentro de nós. Então tornar-se-á realidade o que o profeta Isaías prometeu: “O cordeiro e o leão andarão juntos, e a pantera se deitará com o cabrito...” (Is. 11,6ss).
O compromisso com o Reino requer de todos uma forte dose de coragem e uma alma ágil, animada e vivificada pelo sabor da aventura e da novidade.
Vencido o medo, nós nos tornaremos autênticos, criativos e audazes seguidores de Jesus.

Texto bíblico:  Mt 10,16-33

Na oração: Na vivência cristã, o que importa é ter a co-
                     ragem de entrar na “arca interior” e dialogar amigavelmente com todos os animais. Então eles indicarão o caminho do tesouro escondido. Este tesouro pode ser  “uma nova vitalidade e autenticidade, um sonho ousado, uma intuição, um dom especial, o encontro com o verdadeiro eu, a imagem que Deus faz de cada um de nós...”
“Entrar na arca” significa “buscar e encontrar a Deus” exatamente em nossas paixões, em nossos traumas, em nossas feridas, em nossos instintos, em nossa impotência e fragilidade...
Viver uma nova espiritualidade significa, então, não buscar “ideais de perfeição”, mas dialogar com nossas paixões, nossas fragilidades, nossas carências...
Poderíamos nos interrogar o que é que Deus deseja nos revelar por meio delas, e como justamente através delas Ele deseja nos conduzir ao tesouro escondido no interior de nossa vida.





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