Teológico Pastoral

Teológico Pastoral

quinta-feira, 26 de junho de 2014

RETIRO ESPIRITUAL

Com alegria tirareis água
    das  fontes da salvação. "
                                  (Isaias 12, 3)
                          
O Coração de Jesus uma fonte
VOZ 1 - Este Coração divino è uma fonte inexaurível, da qual jorram ininterruptamente três rios: o primeiro é aquele da misericórdia pelos pecados levando a eles o espírito de penitência e de perdão. O segundo é o da caridade que jorra trazendo ajuda a todos os que se encontram em alguma necessidade, especialmente, àqueles que fazem um caminho de santidade: esses encontrarão a força para superar os obstáculos. O terceiro é aquele do amor e da luz para os amigos perfeitos que Ele deseja unir a si mesmo, comunicando a eles a sua sabedoria e os seus desejos, porque por um caminho ou por outro, se consagram totalmente à sua glória. Este Coração divino é um abismo de bondade, onde os pobres depositam suas necessidades; é um abismo de alegria, onde depositamos todas as nossas tristezas; é um abismo de humilhação para o nosso orgulho; um abismo de misericórdia para os infelizes; é um abismo de amor, onde devemos deixar todas as nossas misérias (Santa Margarina Maria de Alacoque - cfr Carta 2,33).

Carisma de Madre Clélia
VOZ 2 - O carisma de Madre Clélia tem sua origem no próprio Coração da Igreja que é o Coração de Cristo, transpassado pela lança, na Cruz, pela redenção do mundo, sinal de morte e de ressurreição, vivo e presente entre nós, no Sacramento da Eucaristia (Carisma e Missão, n 2).

 VOZ 3 - E’ para este Coração, sinal de amor e de redenção, fonte de salvação, que se dirige o olhar do homem, da mulher, de todo tempo e cultura, para atingir a fé que ilumina, a esperança que salva, a caridade que reúne as pessoas em uma só família e faz do Coração de Cristo, o coração do mundo.  (Carisma e Missão, n 4).

Reflexão com Papa Bento XVI
O lado traspassado do Redentor é a fonte para a qual nos envia a Encíclica Haurietis aquas:devemos haurir desta fonte para alcançar o conhecimento verdadeiro de Jesus Cristo e experimentar mais profundamente o seu amor. Poderíamos assim compreender melhor o que significa conhecerem Jesus Cristo o amor de Deus, experimentá-lo mantendo o olhar fixo n'Ele, até vivercompletamente do seu amor, para depois  poder testemunhá-lo aos outros. De fato, para retomar uma expressão do meu venerado Predecessor João Paulo II, "Junto ao Coração de Cristo, o coração humano aprende a conhecer o sentido verdadeiro e único da vida e do próprio destino, a compreender o valor de uma vida autenticamente cristã, a prevenir-se de certas perversões do coração, a unir o amor filial a Deus com o amor ao próximo. Assim é a verdadeira reparação exigida pelo Coração do Salvador sobre as ruínas acumuladas pelo ódio e pela violência, poderá ser edificada a civilização do Coração de Cristo".

Quem aceita o amor de Deus interiormente, é por ele plasmado. O amor de Deus experimentado é vivido pelo homem como um "chamado" ao qual ele deve responder. O olhar dirigido ao Senhor, que "tomou as nossas enfermidades e carregou as nossas dores" (Mt 8, 17), ajuda-nos a tornar-nos mais atentos ao sofrimento e às necessidades dos outros. A contemplação adorante do lado transpassado pela lança torna-nos sensíveis à vontade salvífica de Deus. Torna-nos capazes de nos confiarmos ao seu amor salvífico e misericordioso e ao mesmo tempo fortalece-nos no desejo de participar na sua obra de salvação tornando-nos seus instrumentos. Os dons recebidos do lado aberto, do qual saíram "sangue e água" (cf. Jo 19, 34), fazem com que a nossa vida seja também para os outros fonte da qual promanam "rios de água viva" (Jo 7, 38) (cf. Enc. Deus caritas est, 7). A experiência do amor haurida do culto do lado traspassado do Redentor protege-nos do perigo do fechamento em nós mesmos e torna-nos mais disponíveis para os outros. Nisto conhecemos o amor: Ele deu a sua vida por nós, portanto também nós devemos dar a vida pelos irmãos (1 Jo 3, 16) (cf. Enc Haurietis aquas, 38). (cfr  por ocasião do 50° aniversário da Encíclica Haurietis Aquas - 15 de maio de 2006).

Sugestões para Oração


Ø      Lineamenta – Apresentação do tema: “Com alegria tirareis água das fontes da salvação”  – página 6

Ø      Jo 19, 31-37 – O Coração transpassado é fonte de redenção


Ø      Jo 4, 1-42 – A Samaritana        - A proposta de Jesus a Samaritana suscita o desejo de beber “desta água” É o momento em que Jesus a remete para a sua situação de vida, que necessita de mudança, de transformação, de um sentido novo.

Ø       Lc 3, 21-22 – A experiência de ser Filho amado   - Acompanhe Jesus no Jordão. Permaneça com Jesus ao entrar na água do rio Jordão, deixando-se batizar. Com Jesus, mergulhe neste mistério do batismo, no qual o amor da Trindade  se revela e age.

Ø        Jo 15,1-11 – Permanecei no meu amor    - Visualize ou imagine uma videira que represente sua vida. À luz da fé, contemple, com carinho, a qualidade se sua “videira”. Veja se há ramos cortados, secos, brotos novos, ramos que necessita de cuidado especial, ramos murchos, etc. Perceba o quanto você permite que Deus tome conta de sua “videira”, faça a poda e trabalhe nela. Sem Jesus Cristo, sua vida permanece desligada do “tronco da videira”, que fornece espírito e vida.                                              




terça-feira, 17 de junho de 2014

SOMOS CORPO DE UM DEUS QUE SE ENCARNA


“Eu sou o pão vivo descido do céu” (Jo 6,51)

O cristianismo foi muitas vezes compreendido como uma religião do espírito contra a carne, uma religião do desprezo do corpo e inimiga de tudo o que se refere à dimensão corporal. Se isso é verdade, vai total-mentecontra à primeira inspiração de Jesus e da Igreja, que proclamaram e continuam proclamando uma religião do “corpo”, ou seja, do Deus Encarnado na história (na carne) dos homens e mulheres.
É isso que nos revela a festa de “Corpus Christi”, a última das grandes festas do ano litúrgico. É a festa que recolhe todas as festas cristãs e as condensa na “carne” do Corpo de Jesus, com sua riqueza de sentidos e significados.
Esta é a festa do Corpo Histórico e Humano de Jesus, corpo prazeroso e sofredor, amado por muitos e muitas, rejeitado, crucificado, morto e ressuscitado. Esta é também a festa do grande Corpo de Cristo que é a Humanidade inteira. Corpo real de Cristo sãoespecialmente todos os que sofrem com Ele no mundo, os enfermos e famintos, os rejeitados e encarcerados, os pobres e excluídos... Eles são a humanidade ferida no corpo do Filho de Deus.
Corpo de Cristo é o mundo inteiro, criado por Deus para que nele se encarne e habite seu Filho.
Assim Jesus, na Ceia, ao tomar o pão e o vinho em suas mãos, abraça os bilhões de anos de evolução e chama-os de seu corpo e de seu sangue.Cada cristão que celebra entra em comunhão com todas as energias da Criação. Suga essa força gigantesca condensada na pequenez da história e nas gotas do vinho.
Corpo de Cristo que continua sendo o Pão, fruto da terra e do trabalho dos homens e mulheres, todo pão que alimenta e é compartilhado, em fraternidade, a serviço dos que tem fome.

Jesus, na sua vida oculta e pública, não anuncia uma verdade abstrata, separada da vida, uma lei puramente social, um princípio religioso... Ao contrário, Jesus é corpo, isto é, vida expansiva, sentida, compartilhada.
Os Evangelhos nos situam Jesus no nível da corporalidade próxima: é Ele que sabe olhar, tocar, sustentar, acariciar... A Luz que nutre sua Encarnação nos permite ver com maior profundidade nossa humanidade, no espelho da corporalidade d’Ele. Essa é a luz que explora nossos rincões mais íntimos para deixar aflorar nossa verdadeira identidade, carregada de corpo. Deixando-nos contemplar, descobriremos Sua presença e Sua provocação em cada uma de nossas células. Corpo “cristificado”.
Jesus se revela, assim, como autoridade de amor, porque ofereceu seu “corpo”, isto é, sua vida, para que outros pudessem viver.Na multiplicação dos pães, nas refeições com pecadores e sobretudo na Última Ceia, Ele oferece aquilo que não pode ser comprado nem vendido: o pão do próprio corpo carregado de humanidade, o vinho de sua vida portador das energias alegres e criativas.
Comungar o pão e o vinho não é só aderir a Jesus, à sua pessoa e à sua mensagem; não é só experimentar sua intimidade, deixando-se transformar por Ele. Implica estar dispostos a comungar com todos,porque Jesus nunca vem só: “traz” com ele toda a realidade. “Não nos devemos envergonhar, não devemos termedo, não devemos sentir repugnância de tocar a carne de Cristo” (papa Francisco).

“Tocar a carne de Cristo” implica tocar e acolher a própria “carne”ou seja,o corpo como lugar onde Deus faz sua morada.
Cresce cada vez mais a consciência de quenão “temos um corpo” que nos aprisiona, mas que somos a corporeidade, esse sistema complexo de matéria e energia, fonte de sensações, de expansão, de prazer...
O corpo é a primeira condição de possibilidade de nosso “ser no mundo”, único modo disponível para relacionar-nos com a natureza, com os outros e com o que nos transcende. Único modo de ser, em definitiva, e de sermos humanos.
Somos corpo que vibra e pulsa, que necessita do abraço e do olhar de outros corpos, do calor de outras peles. E ali encontramos Deus, pois Ele quis fazer-se corpo e sangue, para acariciar com nossos braços, para olhar comos nossos olhos, para respirar com os nossos pulmões, para amar com nossos corações,  para fazer ardentes nossas entranhas compassivas... Aqui, nas transformações do corpo, Ele se faz presente. Assim vamos buscando compreender o que é a Encarnação.

Quando viemos ao mundo, a primeira coisa que experimentamos é que alguém estendeu suas mãos para receber este “corpo único e precioso” que nos acompanhará toda nossa vida. Alguém nos tocou ao começar a existência e também seremos tocados pela última vez algum dia.
Recebemos um corpo para permanecer nele enquanto dure nossa viagem e para estabelecer com ele “contatos humanizadores”, transmitir com nossa pele, e com todos os nossos sentidos, o afeto, o calor e a presença que precisamos para expandir esta ânsia de amor que nos habita.

Madeleine Delbrêl afirma:“Teríamos que estar diante de nosso corpo como o lavrador diante de seu terreno: saber o quanto vale nosso corpo, amá-lo...”E só podemos experimentar algo assim quando não nossentimos proprietários dele, nem procuramos retê-lo ou apropriar-nos dele, mas quando, com as mãos estendidas, o acolhemos como o maior presente, o dom mais valioso que podemos receber.
Quando nosso corpo se sabe e se sene amado, podemos colocá-lo ao serviço da vida de outras pessoas e torná-lo capaz de comungar com outros corpos.
“O corpo não é somente aquilo que o ser humano tem diante de si, senão que é sobretudo aquilo que é o mesmo na multiplicidade de suas relações históricas...” (L. Duch). Dele depende comovamos nos situando e só quando o habitamos realmente podemos percorrer uma “viagem curativa”. Somos o único ser da criação que possui a “capacidade de habitar”, o dom de estabelecer em espaços e tempos vínculos de comunhão e de comunicação. Graças a este corpo que somos, a este “continente” que nos contém, podemos vincular-nos e estabelecer conexões. Nossas maneiras de relacionar-nos estão configuradas por ele porque não há experiência de amor, e por isso não há experiência de Deus e dos outros, que não ocorra em nosso corpo.

Texto bíblico:Jo 6,51-58

Na oração:Sinta todo o seu corpo como um templo.
                     E neste templo acolha o Sopro.
Procure saboreá-lo internamente. E deixe atuar em você
a força da inspiração e da expiração para que todo o seu corpo seja iluminado e plenificado. Deixe vir a Luz e que ela penetre nas partes mais dolorosas do seu ser. Sinta que você é um corpo de argila e também um corpo de diamante.Simplesmente respire na presença d’Aquele que É.



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